Sorridente, Zico aceita dar o primeiro chute na bola pelo Flamengo no Maracanã.

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Estátua, pés na calçada da fama, títulos e maior artilharia do estádio, com 333 gols. Nada disso foi suficiente para Zico fosse lembrado na lista inicial de convidados para a reabertura do Maracanã, no último sábado. Convidado pelo governador do Rio de Janeiro a cinco dias do evento, o Galinho disse não. Em sua agenda, havia o compromisso de inauguração de uma de suas escolinhas do projeto Zico 10, em Petrolina, Pernambuco.

De longe, o maior ídolo da história do Flamengo acompanhou a festa para operários e seus familiares no Maracanã. Em campo estiveram companheiros de jornada naquele mesmo estádio, como Zinho, Renato Gaúcho, Jorginho e Bebeto. O atacante do tetra, aliás, tentou desfazer o mal-entendido e telefonou para Zico na quarta-feira, apenas três dias antes da festa no Maracanã. Foi mais um a ouvir o não. Mas o Galinho garante que não há polêmica.

“Adoro o Bebeto, adoro o Ronaldo. O problema é que tenho uma agenda e não gosto de faltar os meus compromissos. Recebi o convite do Sérgio Cabral na segunda-feira para fazer parte da comitiva da presidente da república, inclusive. Realmente não tinham me falado nada sobre o jogo. Quando o Bebeto me ligou, na quarta-feira, eu já estava a caminho do aeroporto. Estava muito em cima. Se não houver compromisso, pode me chamar no dia que eu vou. Mas se já sabiam disso há mais tempo, deveriam ter ligado antes”, afirmou Zico.

Recém-chegado aos 60 anos, o ídolo rubro-negro se despe da vaidade de batalhar apenas em causa própria. Diante de participações como o cantor Naldo em campo, por exemplo, o Galinho lembrou que, além dele, mais gente deveria ter participado da festa devido ao caráter oficial. Ao longo de mais de 60 anos, outros nomes como Assis, ex-Fluminense, Petkovic, ex-Fla, Flu e Vasco, Romário, Gérson, Romerito e Roberto Dinamite ajudaram a construir a história do estádio e acabaram preteridos da lista. Até mesmo Ronaldo, uma das vedetes do jogo festivo, tem pouquíssima história no estádio, onde nem chegou a marcar sequer um gol em disputas oficiais.

“Se fosse realmente uma pelada, não via nenhum problema de todo mundo participar. Se foi feito um evento de reabertura no Maracanã, tem muita gente que fez história e que deveria participar. Deveriam ter sido convidados pelo menos, não precisava nem jogar. Tem muita gente que tem história ali. Acho que foi uma injustiça com muita gente. Não é comigo, não”, garantiu o maior artilheiro da história do estádio.

Uma das críticas de muitos torcedores ao novo estádio se refere à descaracterização do Maracanã. Visualmente, o estádio, agora chamado de arena, acabou um tanto quanto pasteurizado, bem parecido com outras construções europeias. Zico já visitou o estádio remodelado quando recebeu o astro norte-americano Tom Cruise em uma visita ao Rio de Janeiro. De perto, pôde constatar que os ares do velho estádio em que reinou durante a década de 80 já não existem mais. Apesar de resignado com o fato, Zico olha para o futuro e aponta para uma reconstrução de memórias no estádio.

“Não tinha mais condições de ser o Maracanã que era. Já tinham, inclusive, até acabado com a geral porque o futebol não permite hoje. A gente não está tendo mais jogos que comportam público acima de 50, 60 mil pessoas. Não adianta reclamar. Temos de viver a realidade atual. Até a maneira de torcer é diferente. O antigo Maracanã fica numa bela lembrança de grandes momentos. Agora a gente tem de curtir o que está aí. Moderno, conforto, campo maravilhoso. Tenho certeza que vão vir outros grandes espetáculos”, acrescentou o ídolo rubro-negro.

Para reparar o erro da ausência de Zico na reabertura do Maracanã, a atual diretoria do Flamengo pretende convidá-lo para dar o pontapé inicial no primeiro jogo do clube no novo estádio. Pelo menos é o que garantiu o vice de futebol do clube, Wallim Vasconcellos, em entrevista à Rádio Globo. Ao saber da notícia, Zico escancarou o sorriso e, prontamente, se disponibilizou a participar da festa a ser promovida pelo Flamengo.

“É só me chamar. Estou aí. Podendo participar, vou sim”, finalizou o ex-camisa 10.

Barrado do baile do novo Maracanã, o maior artilheiro da história do estádio se prepara, então, para voltar a ser reverenciado como na década de 80: em casa, nos braços da torcida rubro-negra. Talvez nem tudo vá mudar no velho novo Mário Filho.



Fonte: ESPN

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