Bolívar que já quebrou a perna de jogador é considerado o mais violento do Brasileirão.

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Nomes terminados em “ão”, alcunhas de “xerife”, semblantes fechados… Os artifícios usados pelos zagueiros são uma tentativa de impor receio nos adversários. Mas Bolívar não precisou de muito para se tornar temido pelos boleiros. Mesmo com o apelido de “general” – famoso no Inter – sendo pouco usado no Botafogo, o defensor foi eleito o jogador mais violento do futebol brasileiro em pesquisa feita pelo GLOBOESPORTE.COM e pela revista “Monet” com 343 atletas de 23 clubes das Séries A e B do Brasileirão.

– Imagina se eu fosse forte, cara (risos) – brincou Bolívar, ao fim da entrevista.

Mas diferente do ano passado, quando Domingos foi disparado o mais indicado com 20,4% dos entrevistados, o camisa 4 do Alvinegro carioca recebeu 26 votos, equivalente a 7,6%, e foi seguido de perto por Cris, do Grêmio (citado 23 vezes, 6,7%), e por Pierre, do Atlético-MG (lembrado por 22 jogadores, 6,4%). Airton, do Inter, e Edinho, do Fluminense, votados respectivamente por 17 e 13 atletas, também não ficaram longe do trio. Atualmente no Al-Kharitiyath, do Catar, o zagueiro mais temido de 2012 ficou esquecido e ganhou só quatro votos nesta temporada. A maioria, porém, ficou em cima do muro. Ao todo, 124 boleiros não responderam a essa pergunta do questionário, correspondente a 36,2%.


Brincadeiras à parte, Bolívar rejeitou a fama de violento e atribuiu o número de votos recebidos à falta cometida sobre o lateral-esquerdo Dodô, ex-Bahia, em novembro de 2011. Na ocasião, o zagueiro ainda estava no Inter quando entrou forte numa dividida e causou o rompimento total do ligamento cruzado anterior do joelho esquerdo do adversário, atualmente no Roma, da Itália. Na época, o defensor recebeu uma punição inédita do Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD): quatro jogos de suspensão mais o mesmo período de recuperação do atleta lesionado. Mas, posteriormente, a pena foi reduzida para dois jogos e 15 dias.

– Acho que o fato que aconteceu com o menino do Bahia acabou acarretando essa votação. Aquela infelicidade causou tudo isso. Mas já é uma página virada, fiquei muito feliz por saber que ele está no Roma. E eu, a partir dali, continuei seguindo a minha vida.

Para driblar o rótulo de desleal, o zagueiro usou seus números do Campeonato Carioca como defesa. Ele disputou 16 das 19 partidas do time no Estadual e cometeu só 35 faltas de acordo com informações do Botafogo. Uma média de apenas 2,2 por jogo. Mas a pesquisa também tem seu lado positivo, na visão do próprio jogador, que considera os votos recebidos como uma forma de respeito.

– Acho que isso mostra que sou um cara que incomoda quando está dentro de campo. Tenho 12 anos de carreira, fui três vezes expulso só. Para zagueiro, é muito pouco. De repente as pessoas confundem uma maneira forte de marcar com ser desleal – argumentou.


As transferências de Domingos para o Catar e de Guiñazu para o Paraguai (onde joga pelo Libertad) parecem ter contribuído para alçar Bolívar ao patamar de jogador mais temido pelos atletas no Brasil. Na pesquisa do ano passado, os dois estiveram à frente do zagueiro alvinegro, que era o quarto colocado da lista, com 3,9% dos votos.

Músicas de torcidas = votos na pesquisa?

No Inter era: “Bolívar, Bolívar, general. Ninguém vai passar por ele”. Já no Botafogo virou: “O Bolívar é mau, pega um, pega geral”. O perfil de líder da zaga fez o defensor cair nas graças dos torcedores nos últimos clubes que defendeu e também ganhar músicas com seu nome nas arquibancadas. Os cânticos viram outro artifício capaz de intimidar os adversários, mas o jogador não acredita que interpretações pejorativas das letras tenham feito que ele ganhasse mais votos dos boleiros na pesquisa.

– Acho que não. É uma forma que a torcida tem de ver que, geralmente nos duelos um contra um, é muito complicado mesmo (o adversário passar). Tenho uma qualidade de marcação muito forte, penso que a torcida fala por isso – avaliou.

Luis Fabiano, Sheik e Kleber: únicos atacantes no Top 10

Ao todo, 58 jogadores foram votados na pesquisa, na maioria zagueiros e volantes. Mas também teve espaço para alguns atacantes. Luis Fabiano, do São Paulo, Emerson Sheik, do Corinthians, e Kleber, do Grêmio, foram os únicos homens de frente no Top 10 da relação, que ficou formada só por atletas da Série A do Campeonato Brasileiro. O centroavante do Tricolor paulista recebeu sete votos (2%) e dividiu a sétima posição da lista com Lúcio, também do São Paulo, e Ralf, do Corinthians. Já os atacantes do Timão e do Tricolor gaúcho apareceram em nono lugar, com quatro votos (1,2%), ao lado de Domingos, do Al-Kharitiyath.

Fonte: GE

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