Paulo Pelaipe diz que Carlos Eduardo não é o camisa 10 do Flamengo

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Jorginho apita o fim do treino no Ninho do Urubu. Após um animado rachão, os jogadores sentam em busca de sombra e água fresca. Em um andar calmo, uma figura de camisa polo azul e calça jeans escura deixa um dos contêineres que abrigam a administração do Ninho do Urubu. Entre uma ligação e outra, o diretor-executivo de futebol, Paulo Pelaipe, vai até o campo trocar palavras com o goleiro Felipe. 

“Não é gaúcho. É estilo responsável”, garante o dirigente.

Confira abaixo a íntegra do bate-papo com este gaúcho de 62 anos, 35 de futebol, ex-corretor de seguros e que admite que ter sentido a diferença da cobrança do Sul para o Flamengo. 

Às vésperas da estreia no Brasileiro, qual a expectativa da direção de futebol do Flamengo?

Os clubes estão muito parelhos. Alguns mantiveram seus elencos, outros se reforçaram. Alguns não tiveram resposta ainda, que é o caso do Grêmio. Talvez seja quem mais investiu em termos de nome e estrutura, mas ainda não rendeu e pode ser uma boa surpresa. O Corinthians já tem estrutura, o Atlético-MG faz uma campanha do nível do ano passado. O Fluminense manteve uma base. São Paulo se reforçou, mas ainda não deu uma resposta . São equipes que entram com alguma vantagem. Nós fizemos um trabalho novo, reformulamos toda a equipe, trocamos o treinador. Fizemos contratações em apostas. Preparamos jogadores que se destacaram em Estaduais. Temos o lateral direito que se destacou na Argentina (Adrián Martínez), trouxemos o Roger Carvalho que é um jogador que o Jorginho conhece, chega depois da janela. E nós estamos ainda observando o mercado para ver se há alguma possibilidade com a abertura da janela. Mas o Flamengo está com uma política de pés no chão. A diretoria foi muito clara quando assumiu. Está tentando recuperar o clube financeiramente. O futebol é o carro-chefe, recebe apoio, mas é aquilo: não assumimos nada que não podemos cumprir.

Deu para sentir diferença entre o trabalho no Sul e agora no Flamengo?

Futebol é igual. Aqui tem mais exigências. A própria grandeza do Flamengo exige mais, a imprensa e a torcida cobram mais aqui, entendeste? Mas a gente sabe disso. Quando fui convidado para vir para cá sabia dessa política de austeridade, de um controle rigoroso das contas. Sabia que seria um trabalho duro. E estamos satisfeitos, felizes…não felizes assim porque no Campeonato Carioca não disputamos nenhuma final, só uma semifinal. No segundo turno passamos por uma readequação porque o salário do Dorival estava completamente fora da realidade do Flamengo, daquilo que o Flamengo pensava em números. Tivemos de abrir mão do Vagner Love, agora do Ibson. Então fizemos cortes que achamos necessários e estamos fazendo investimentos. Fizemos observações, análises e todas contratações que fizemos foram de acordo com a comissão técnica. Esperamos que esses jogadores deem retorno para nós. 

No início do ano, o Flamengo tinha pouco poderio financeiro para investir e deu o tiro no Carlos Eduardo, contratado para ser o camisa 10…

Não demos tiro no Carlos Eduardo. Ele não foi contratado para ser o camisa 10. É que aqui tem essa coisa…

Mas ele foi apresentado com a camisa 10 na Gávea.

Não sei, eu nem estava na apresentação. Ele foi um jogador que deu para contratar. É um grande jogador pelo qual foi pago 24 milhões de euros. É um jogador que fazia dois anos que não jogava e que tem de ter paciência. Ele não é a salvação do Flamengo. Ele vai ajudar o Flamengo.

Foi divulgada até uma história de que ele estava abusando da noite e dispensou um segurança que o influenciava para melhoras os hábitos. Houve isso?

Isso daí na primeira entrevista coletiva que ele der você pergunta para ele. Não sou babá de jogador. Sou diretor-executivo do Flamengo. Jogador que não estiver na linha no Flamengo não fica. Eu não sou babá de jogador, não sou baba-ovo de jogador, não janto e não almoço com jogador. Só na concentração. Não vou para bar e não vou para boate. Jogador vive a vida dele e eu vivo a minha. Tenho a minha família, a minha mulher e meus filhos. Saio do Flamengo e vou para minha casa. Agora, no dia que eu souber que algum jogador não está dentro da linha do Flamengo, primeiro ele vai ser chamado a atenção. Segundo, ele vai embora. Aqui no Flamengo tem de ter postura, padrão ético e profissionalismo. Se o jogador não for profissional, ele sai. Qualquer um sai. Qualquer um. Do menor ao mais graduado.

As cobranças sobre Carlos Eduardo não são normais devido à expectativa que ele criou quando chegou?

É porque criaram uma expectativa. Ele é um jogador que estava no mercado, foi indicado pelo Dorival Júnior para mim e para o Wallim e o trouxemos dentro da realidade do Flamengo. Ele escolheu o Flamengo porque achava que aqui tinha condições de jogar. E tem. Está indo bem nos treinamentos, recuperando o futebol dele. Tem de ter paciência e calma e eu tenho. Não pode nunca dizer que esse não joga nada porque daqui a pouco vira. Fui contratado para proteger o patrimônio do Flamengo e estou fazendo isso. 

Fonte: ESPN

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