Pesquisadores comprovam as mudanças de exigências físicas no futebol.

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Do sofá, olhando para a televisão, não parece tão complicado ser um jogador de futebol profissional. Ainda mais para aqueles que costumam bater uma bolinha nos fins de semana, por exemplo. Mas a verdade é que a diferença de um profissional para um “peladeiro” é bem grande. Com os avanços da ciência e da tecnologia, os resultados científicos mostram cada vez mais a exigência aos atletas em campo.

– Você assiste a jogos antigos e percebe uma diferença grande na dinâmica do jogo, mas a gente não tinha ideia do quanto era isso, era bem subjetivo, muita pouca informação se gerava a partir do jogo. Hoje não, hoje a gente tem praticamente tudo monitorado quase em tempo real, ou em tempo real, com um volume de informações muito grande – explica o especialista em movimento humano Sérgio Cunha.

Nos anos 70, pesquisadores passaram a estudar o futebol, e a tecnologia acelerou esse processo. Hoje, o sistema de câmeras em um estádio é capaz de mapear as ações dos 22 jogadores no gramado, analisando as velocidades, distâncias percorridas e áreas pelas quais eles se movimentam. O esporte se tornou bem mais complexo do que no passado. Em média, um jogador percorrer quase 12 quilômetros num jogo. No mesmo tempo, um maratonista percorrer quase 42 km, mas sem obstáculos.

Estudos mostram que um jogador profissional, em média, chega a mudar de atividade física 1.100 vezes durante uma partida, intercalando diversos tipos de movimento. Ele ainda fica nove minutos parado, anda por cerca de 3 km, trota outros cinco quilômetros, e corre em alta velocidade por 3 km, numa velocidade acima de 20 km/h.

– O mais importante é que essa velocidade é repetida diversas vezes durante a mesma partida, ou seja, o jogador não tem que ser só veloz, mas tem que ter uma resistência para manifestar essa velocidade por um grande número de vezes. Baseado nesses princípios, a gente tem que fazer um trabalho de força e potência muscular para deixar o jogador mais eficiente para executar a sua função – analisa Irineu Loturco, especialista em treinamento esportivo.

Os atletas profissionais dão de 80 a 140 toques na bola por jogo. Mas, dos 90 minutos, eles ficam com a bola no pé por no máximo 1,5min. Numa partida de futebol, o jogador chega a perder quatro quilos, cerca de 1.400kcal.

– Os sistemas de marcações hoje são muito mais poderosos do que há 20, 30 anos, e isso faz com que, se você fica muito tempo com a bola no pé, a chance de ser desarmado aumenta muito – destaca Sérgio Cunha.

– O jogador de futebol é um mix de diferentes tipos de esporte, diferentes tipos de atletas. O nosso quebra cabeça no futebol é tornar o jogador resistente, veloz e rápido. E o pior de tudo, ele tem que fazer isso várias vezes por semana – conclui Loturco.

Fonte: GE

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