Quarto colocado no Paulistão, Mogi Mirim sofre com desmanche do time.

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O Mogi Mirim paga o preço do sucesso. A excelente campanha no Campeonato Paulista, no qual foi semifinalista após terminar a primeira fase na vice-liderança, colocou o clube e – principalmente – seus jogadores em evidência. Sem condição de concorrer com o assédio de grandes clubes, o Sapo passa por um desmanche e vê seus destaques a caminho de equipes da elite nacional ou da Série B. O técnico Dado Cavalcanti puxou a fila e acertou com o Paraná. Segundo a diretoria, todos os titulares vão sair.

Alguns já têm destino certo. É o caso do goleiro Daniel, dos zagueiros Lucas Fonseca e Tiago Alves e dos volantes Magal e Val. Daniel e Magal fecharam com a Ponte Preta, que também tinha um pré-contrato com Tiago Alves, mas o defensor trocou o acordo para defender o Palmeiras. Lucas Fonseca retornou ao Bahia, enquanto Val, também na mira de Palmeiras e Ponte, foi para o Flamengo. A diretoria rubro-negra revelou que observa outros nomes do Mogi.

Mas é a Macaca quem mais cobiça atletas do Mogi. Além de Daniel, Magal, Tiago Alves e Val, a Alvinegra campineira negocia para ter os meias Roger Gaúcho e Roni. Em relação ao último, a concorrência é grande. Santos e Palmeiras também já demonstraram interesse em Roni, que tem contrato com o Mogi até 2015 e os direitos presos à Energy Sports – empresa que gerencia o futebol do Mogi, mas está rompendo com o clube.

A Ponte já aceitou uma proposta do Mogi para comprar 80% do passe do jogador por R$ 3 milhões. O fim da parceria da Energy com o Sapo é um risco para as pretensões da Macaca, já que as negociações iniciais foram diretas com o Mogi. Roni foi o artilheiro do time no Paulista, com nove gols, e liderou o melhor ataque da competição. Ao todo, o Sapo marcou 43 vezes.

O vice-artilheiro da equipe também está na mira de um clube da Série A: Henrique já foi procurado pelo Vasco e não escondeu a vontade de defender o time cruz-maltino na sequência da temporada.

O lateral-esquerdo João Paulo, que ficará seis semanas em recuperação devido a uma lesão no pé esquerdo, admitiu ter sondagens, mas não quis revelar os clubes. O lateral-direito Caramelo, revelação do clube de 18 anos, e o volante Wagner ainda não têm propostas oficiais, mas a diretoria do Mogi acredita que também vai perdê-los em breve.

Para o gerente de futebol Luiz Simplício, principal responsável pela montagem do elenco, a saída de jogadores para os principais mercados do Brasil representa um reconhecimento do trabalho da diretoria. É o segundo ano consecutivo que o Mogi serve de base para time da Série A. Em 2102, a Ponte já havia feito uma “legião do Sapo” ao levar Tiago Alves, João Paulo, Renê Júnior e Baraka para a disputa do Brasileirão. João Paulo e Renê Júnior chamaram tanto a atenção que atualmente são titulares absolutos de Flamengo e Santos, respectivamente.

– A maioria tem proposta já. Todo mundo ficou valorizado. Nós montamos esse time com carinho. É gratificante saber que os atletas estão deixando a gente e indo para uma condição melhor.

Se por um lado o interesse de grandes clubes é gratificante, para os cofres do Mogi, porém, a debandada pouco acrescenta. Ou quase nada acrescenta. Devido à parceria com a Energy e aos contratos curtos, apenas para a disputa do Estadual, o Sapo não tem recompensa financeira na maioria das transferências.

– Infelizmente o Mogi Mirim não está recebendo nada em relação a esses jogadores que já deixaram o clube. A maioria deles tinha contrato com o Mogi até o final do Paulistão e, por isso, está liberada para negociar com outros clubes sem que o Mogi ganhe alguma recompensa financeira por isso – disse o presidente do clube, Wilson Bonetti.

Mas o Mogi não tem tempo para lamentar. Em menos de um mês começa a Série C do Brasileiro. A estreia está marcada para 2 de junho, contra o Duque de Caxias em casa. Até lá, o grupo precisa estar reformulado para o Sapo justificar o rótulo de favorito ao acesso conquistado após o Paulistão. Se a tarefa parece complicada, basta mirar no exemplo do próprio Mogi no ano passado, quando o clube perdeu peças importantes, como o lateral-esquerdo João Paulo, o zagueiro Tiago Alves e os volantes Baraka e Renê Júnior, mas conseguiu se recompor a tempo de subir na Série D.

– Meu trabalho é esse: correr atrás e tentar descobrir novos talentos para buscar fazer um bom time novamente. É vida que segue – completou Simplício.

Fonte: GE

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