BAP fala do seu amor pelo Flamengo e rebate críticas sobre o sócio-torcedor.

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Como decidiu que queria assumir as rédeas do clube?

– Vamos assumir o seguinte: o Flamengo é uma paixão. O que me move em relação ao clube é minha paixão inexorável, desde os cinco anos, e ela só cresceu. Meu envolvimento com o Flamengo se deu de maneira mais definitiva nos piores momentos. Desde 2007, 2008, não tinha muito tempo, depois comecei a ajudar na gestão da Patricia (Amorim). E ficou claro que quando se quer as coisas bem feitas tem que fazer você mesmo. Ouvi que a Sky pagava salário do Zico, do Basquete, que tinha afinidade com Michel Levy, com a própria Patricia, ouvia coisas que não acreditava. Se botasse um tricolor ou um vascaíno não conseguem fazer tanto mal. Certa hora disse que pararia de ajudar, porque alimentava uma besta que não tinha intenção de fazer nada de forma correta, transparente. Posso omitir, mas não vou mentir. A mentira é um veneno das relações. Vão te pegar. Quem pegou, nunca mais vai aceitar que você mentiu eventualmente. No ambiente anterior a mentira era um meio que justifica qualquer fim. Vamos pagar salário na segunda, mas você sabe que não vai pagar. O cara joga, ganha, você não paga, ele não aparece para treinar, você cobra, e vira refém da sua atitude. Eu achava que tinha que ser diferente.

Tem havido críticas sobre a forma que o clube pede ajuda pelo sócio-torcedor, você concorda que o tom exagera?

– Você tem que ajudar quando o clube está na pior. Quando você ajuda um irmão, um filho? No momento ruim, acha que ele vai ter oportunidade melhor se virar as costas? O Flamengo precisa muito do torcedor. Muito. Porque o clube foi maltratado. Não vai mudar em trinta, sessenta dias. A gente evoluiu no marketing em cima de credibilidade. A quantidade de empresas que querem voltar a conversar em um ano, para ver se vai se cumprir o que você está falando, é uma enormidade. Quem tem que ajudar na alegria e na tristeza, é o torcedor. Hoje o cara troca de sexo, mas não de clube. O jogo que eu vejo e os demais vice-presidentes veem é igual ao dos 40 mi de torcedores. Nós estamos lá para resolver. Não para matar o fariseu que não corre, não sua a camisa. Se fizer isso em alguns casos não tem time no jogo seguinte. O que desespera é o cara achar que a gente não vê. Mas tudo se politiza. As verdades mais duras tem que ser ditas. A situação do Flamengo, hoje, não é de UTI, como há seis meses atrás. Mas não estamos nadando em dinheiro. Muita coisa tem que ser feita. Tem coisa que requer tempo. Tem que dizer de forma nua e crua qual é a verdade. Só fala a verdade quem quer bem a gente. Não vou mentir para a torcida. A forma mais rápida de o Flamengo se tornar um dos maiores clubes é a torcida se engajar. Vai ajudar quando? Quando o Flamengo não precisar? Pode acontecer em cinco anos, ou se você entrar em um ano.

Até lá, sem um time bom, espera que o engajamento seja só pelo amor?

– Eu espero que sim. Eu acredito que isso seja fundamental. Uma coisa é eu falar A e fazer B constantemente. Se você continuar me apoiando é idiota. Outra é ver que as ações acontecem, não tem sacanagem. Nisso você renova o voto de crédito.

Os sócio-torcedores vão poder participar da vida institucional em algum momento?

Isso ainda não foi tocado, mas não descarto com o tempo. Mas o momento agora é do futebol. O Flamengo é deficitário no Remo, nos esportes olímpicos e na sede social. Todo mundo prefere pagar menos. Mas no seu prédio se não tem segurança e você não paga o condomínio, como vai reclamar com o sindico? As pessoas se recusam a colocar dinheiro para o déficit porque já pagam alguma coisa.

Está falando do estacionamento que será cobrado…

Se posicionar contra o fato, é inútil. Vai ficar revoltado, pode chorar, xingar, não muda o problema. Ou busca fontes alternativas, as CNDs qualificam dinheiro de incentivo mas não resolve 100%, Na sede social…que sede social, né? De quem é a responsabilidade de pagar a conta? O estacionamento é uma forma de revitalizar o clube. Tentar democratizar a conta. Uma parte vem do sócio-proprietário. Em qualquer sociedade os sócios pagam a conta. Para falar nos clubes do Rio, o sócio-proprietário do Flamengo paga R$ 75 por mês para ele e a família. Na AABB, custa R$ 230. O Flamengo tem 30 mil sócios habilitados, só seis mil pagam. A cada cinco caras que frequenta a Gávea só um paga. O que eu prefiro, pagar ou não pagar? Não pagar. Agora, não é uma opção. Não queremos impor. É porque tem custo as atividades. O remo tem tradição. Mas é deficitário em R$ 5 milhões por ano. O esporte olímpico em R$ 17 milhões, a sede em si em R$ 12 milhões. Faça as contas. Começava o ano com menos R$ 29 milhões. Mais que uma Caixa Econômica. Mas não melhoraram o banheiro? Como, só tem para pagar o rombo, que o sócio-proprietário não quer ajudar a pagar. Se colocar R$ 29 milhões nessas áreas, enfraquece o futebol. Então o futebol odeia o remo, que odeia os olímpicos, que odeiam a sede, todo mundo se odeia, acha que tem razão, e o denominador comum é dinheiro.



Fonte: Extra Globo


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