Arthur Muhlenberg comenta clássico na volta ao Maracanã,

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Pro Flamengo, em qualquer época da história, empatar com time pequeno jogando em casa nunca foi um bom resultado. Mas esse empate com time pequeno em particular pode ser tolerado. Porque o time pequeno, falando estritamente de futebol, era muito superior aos nossos onze representantes no gramado. Nos primeiros 45 minutos então, os caras jogaram sozinhos, o Flamengo se ausentou da disputa. Por puro acaso e incompetência alvinegra não fomos pro intervalo com uma desvantagem 2 ou 3 vezes maior. Não estávamos conseguindo nem atrapalhar.

Sorte do Flamengo que futebol não é apenas talento com a bola, entrosamento e objetividade tática. Porque no 1º tempo essas coisas só o Botafogo tinha. Felizmente os resultados no futebol envolvem, além do que se desenrola durante 90 minutos no gramado, muitos valores subjetivos, imateriais e intangíveis. Tradição, camisa e peso atômico, pelo menos pro Flamengo, falam sempre mais alto. E se nos faltava futebol, carência com a qual estamos perigosamente nos acostumando, foi na base da raça, e de uma firme e admirável recusa em perder pros buxas de Soldado Severiano que o time conseguiu sair de campo com todas as cabeças coladas no pescoço e estragar a festa deles no último minuto.

Antes de falar bem dos nossos valores não resisto a fazer uma critica à obscura seita também conhecida como torcida do Botafoguinho. Falta aos folclóricos 18 da Kombi um mínimo de confiança na capacidade dos seus mulambos. Aquela confiança meio maluca que, mesmo quando não se apoia em fatos, caracteriza os verdadeiros torcedores. Seu comportamento pusilânime e oportunista é o motivo principal para que o alvinegro que não ganha nada, a despeito da boa fase que atravessa, continue a ser considerado um time pequeno.

Depois de permanecer em silêncio sepulcral durante a maior parte do 2º tempo, apesar da vantagem no placar, os caras resolvem aos 44 começar a gritar e apoiar seus pobres diabos que aparentemente conseguiriam quebrar uma vergonhosa escrita de 13 anos de idade. Lamentável, os vermes só querem ir na boa. Mas foi uma péssima ideia, antes de serem abafados por 35 mil gargantas rubro-negras os gritos débeis de quem não se sentiu seguro em nenhum momento do jogo serviram como estímulo, mas não pro Foguinho. Quem se inflamou e colocou ainda mais pressão no jogo foi o Mengão. Eles tem muito o que aprender com a torcida do Flamengo, que não à toa, é patrimônio cultural da cidade do Rio de Janeiro.

E o Flamengo, que é doutor honoris causa em sacanear o Botafogo, não deixou por menos. Partiu pra cima e martelou o martelão sem parar. Nossos jogadores, que lutam em praça pública com terríveis problemas de compatibilidade entre eles e a bola, sentiram a gravidade do momento, correram, suaram, se superaram. Os pobre botafogo só podiam dar bicudas pra tudo que é lado, fazer cera e rezar pro jogo acabar. Mas a bola pune quem não quer jogar e na ultimíssima volta do ponteiro o juiz permitiu, finamente, que Elias (nosso craque) consignasse o gol do merecido empate. Segue a escrita.

Que maravilha poder comemorar nosso reencontro com o Maraca fazendo maldade e arrancando o pão da boca famélica dos sem-ônibus. Valeram os 100 reais. Só mesmo uma vitória poderia melhorar ainda mais a nossa volta ao estádio que continua a ser, indiscutivelmente, a nossa casa. Que está sensacional depois do banho de loja e tem tudo pra voltar a ser um dos melhores programas da cidade. O escudão do Flamengo que botaram atrás do gol melhorou muito a estética e quebrou um pouco a impessoalidade arquitetônica do estádio.

É muito bom estar de volta onde as estatísticas estão sempre ao nosso lado e onde o Mengão está invicto há quase 3 anos. Parabéns à torcida do Flamengo pela bem sucedida ação de reintegração de posse. Todo mundo já sabia que o Maracanã nos pertence assim como nós pertencemos a ele. Mas foi bom botar a cara só pra mostrar quem é que manda no pedaço.

Fonte: Urublog


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