Arthur Muhlenberg fala em ‘dois mundos’ para diferenças entre Brasília e Volta Redonda.

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Não me convidaram

Pra esta festa pobre

Que os homens armaram

Pra me convencer

A pagar sem ver

Toda essa droga

Que já vem malhada

Antes de eu nascer…

No domingo o Flamengo jogou pelo Brasileiro pra mais de 60 mil pessoas em um estádio top de linha incrustado no grande parque temático do Cerrado que custou mais de um bilhão de reais. Só alegria. Hoje, em Volta Redonda, será como se o Flamengo ultrapassasse um portal do tempo e voltasse a um século distante para colocar o pé na lama da Copa do Brasil jogando pra 10 mil abnegados no agora muito modesto Raulino de Oliveira.

Não dá nem pra comparar os dois estádios em termos de funcionalidades, são de galáxias diferentes e muito distantes uma da outra. Em Brasília os custos, os preços e as taxas são astronômicas, mas o publico recebe em troca do que paga pelo ingresso um nível de conforto até então inédito nos estádios brasileiros. E o Flamengo ainda ganha dinheiro quando lá joga. Em Volta Redonda é tudo muito mais barato, mas o público ralará a bunda no cimento enquanto terá a visão do campo obstruída pelas absurdas grades de ferro que servem como alambrado. E o Flamengo perderá dinheiro com o evento.

Não dá mesmo pra comparar. Entre os dois mundos existe um cânion profundo, uma fossa tecnológica e temporal pela qual o torcedor do futebol transita ainda incrédulo, sem ter certeza se a radical mudança de costumes proposta pela Copa do Mundo será boa ou má. Muitos torcedores de estádio deixarão de sê-lo, desistirão pelo aumento do preço e ou pela pasteurização da experiência do jogo in loco. Mas novos torcedores chegarão, justificando-se pelos mesmos motivos que afastaram os primeiros.

Descobrir como atrair os novos torcedores enquanto segura os antigos. Esse é o jogo que está sendo jogado quando se financia em grande escala a construção de estádios, o aumento dos preços dos ingressos, das cotas de televisionamento e as grandes contratações. O desafio do Flamengo é encontrar e, se necessário, construir, no cânion entre aquelas duas galáxias, o seu lugar na nova cosmogonia do futebol brasileiro. Algo me diz que esse lugar não é um estádio superfaturado de design europeu e nem os pardieiros básicos no qual nos acostumamos a jogar e torcer.

Mas seja onde for, o lugar do Flamengo só será dele mesmo se a torcida estiver junto. É a torcida do Flamengo que vai dizer onde é esse lugar. Vai lá, Flamengo, mostra tua cara. Queremos ver quem paga pra gente ser assim. Qual o seu negócio? O nome do teu sócio? Confia em mim…

Fonte: Urublog


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