Responsável pelas obras de reparo estrutural no Engenhão, o consórcio formado pelas empresas Odebrecht e OAS pedirá indenização à construtora Alpha, que elaborou o projeto original da cobertura do estádio. A decisão se sustenta no laudo da empresa alemã SPB, no qual a Prefeitura se baseou para ordenar o início das novas obras.
“Apesar de não sermos responsáveis, tomamos a decisão para que cessem os prejuízos que estamos tendo. Vamos tomar as medidas cabíveis para sermos ressarcidos por esses custos”, afirmou o representante do consórcio Marcos Vidigal, em entrevista coletiva no próprio Engenhão, nesta segunda-feira.
A própria Prefeitura também buscará ressarcimento dos prejuízos que terá com a interdição do estádio. Ambas as decisões estão explicitadas em um Termo de Entendimentos divulgado pelas partes, que será publicado no Diário Oficial em um prazo de até 20 dias. Apesar disso, o secretário municipal de obras do Rio, Alexandre Pinto, preferiu adotar um discurso cauteloso.
“Nós vamos apurar os prejuízos que nós possamos ter. O estádio está parado, por exemplo, e isso acaba sendo um prejuízo para a Prefeitura. Isso será cobrado pelo município também, independentemente da obra, que vai ser executada pelo Consórcio Engenhão sem que o município tenha que botar qualquer dinheiro. Vamos investigar. Estamos permitindo que o projetista e o consórcio apresentem também as suas defesas, para no final tomar uma providência”, afirmou Pinto.
Cronograma prevê obras até novembro de 2014
Durante a entrevista coletiva, também foi divulgado um cronograma oficial das obras. A primeira etapa prática consiste na montagem do canteiro de obras, com início previsto para esta segunda-feira. Até o fim da tarde, entretanto, não havia notícia de chegada de operários ao Engenhão.
Em agosto, terá início a montagem das gruas, o escoramento da cobertura e a montagem de peças. A cobertura começará a ser desmontada em setembro, e será reforçada a partir de dezembro de 2013. Também neste mês deverá ter início o reforço dos arcos do Engenhão. As obras têm previsão de conclusão para novembro de 2014.
Entenda
Inaugurado em 30 de julho de 2007, o Engenhão foi interditado em 26 de março de 2013, após a verificação de problemas na cobertura que poderiam comprometer a integridade do estádio. Na época da construção do estádio, Delta, Racional e Recoma foram as empresas responsáveis pela primeira parte das obras.
No mesmo ano, as três empresas deixaram a obra ao afirmar que não tinham mais condições de fazer a cobertura do estádio. Sob a forma de Contrato de Emergência, a Prefeitura do Rio de Janeiro contratou o Consórcio Engenhão, formado por OAS e Odebrecht, para finalizar a cobertura e, consequentemente, o estádio a tempo dos Jogos Pan-Americanos.
Ao assumir a construção, o Consórcio Engenhão encontrou o projeto da cobertura, desenvolvido pelo engenheiro Flávio D´Alembert, da empresa Projeto Alpha, 100% concluído, com todos os materiais necessários já comprados e 25% da própria cobertura já montada. No dia 30 de junho de 2007, o Engenhão foi inaugurado com um clássico entre Botafogo e Fluminense.
Em 26 de março deste ano, a Prefeitura decidiu interditar o estádio temporariamente após a apresentação de laudo da empresa alemã SBP que indicou problema na estrutura do estádio e possibilidade de desabamento em caso de ventos a partir de 63 km/h. Os arcos das partes Oeste e Leste da cobertura do estádio tiveram deslocamento 50% maior ao projetado inicialmente, após a retirada das escoras. Posteriormente, um laudo da empresa inglesa RWDI constatou que haveria riscos à estrutura apenas em caso de ventos superiores a 115 km/h. Diante da indefinição, o estádio continuou fechado.
O Botafogo foi responsável pelo estádio até maio, quando o contrato válido até 2027 foi suspenso pela Prefeitura. Com a reabertura prevista para o final de 2014, o clube deverá retomar a concessão.
Fonte:ESPN
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