Tático: Entrada de Adryan e Luiz Antônio desperta Flamengo de Elias.

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No Maracanã, em casa ou nos bares, torcedores do Botafogo, inconformados, devem ter se perguntado após o apito final no clássico: como é possível um time que dominou o rival no primeiro tempo sofrer tanta pressão nos 45 minutos finais? A resposta no futebol pode vir de várias formas. No caso desse domingo, a movimentação de Adryan, que entrou no intervalo, foi fundamental ao Flamengo para virar o jogo ao avesso (confira no vídeo amostras dos erros e, depois, acertos). Dinâmico, o jovem meia fez o que outros três não conseguiram. De quebra, abriu espaço para Elias ser o elemento-surpresa que atormentou a defesa alvinegra.

A dupla, somada, fez nove arrancadas que terminaram em conclusão a gol ou lance de perigo, reduziu o índice de passes errados e elevou o número de chutes do Flamengo de dois na etapa inicial para 16 no segundo tempo. Por ironia, o gol, tão perto de sair em outros momentos, foi marcado apenas nos acréscimos, depois que dois do mesmo Elias foram anulados.

O técnico Mano Menzezes vem insistindo com a formação de três meias com a função de municiar Marcelo Moreno, esquema de que Oswaldo de Oliveira já não abre mão no Botafogo há um ano e meio. Mas, invariavelmente, falta o armador, aquele que carrega a bola e pensa mais nas jogadas. Ainda irregular, Adryan mostrou no domingo que suas caracteristicas se encaixam mais na função do que as de Paulinho, Gabriel e Carlos Eduardo, apáticos quando encontram uma marcação acirrada como a alvinegra.

Um abismo se abria a cada vez que o Flamengo tentava sair. E os lançamentos aleatórios se multiplicavam. Não foi raro ver um dos três cercado por até três rivais e acabar desarmado. Em um dos momentos, já irritado com a falta de produção, Carlos Eduardo desistiu de ir atrás de Dória ao perder uma disputa. Um grupo de torcedores logo o criticou, chamando a atenção até de Mano atrás do banco de reservas. O comandante se aproximou da linha lateral a passos largos e deu um puxão de orelha no jogador, exigindo que corresse mais. Curiosamente, o camisa 20 permaneceu em campo, e Gabriel foi o sacado.

Números

Finalizações

Apático e envolvido pelo Botafogo, o Flamengo terminou o primeiro tempo com apenas duas conclusões a gol. Na segunda etapa, conseguiu 16.

Vitinho

O alvinegro foi responsável por alguns números de destaque. Foi quem mais errou passes (seis das 16 tentativas) e cometeu faltas (cinco) no jogo.

Elias

Um dos destaques do jogo, o rubro-negro errou apenas um de seus 50 passes, roubou quatro bolas e sofreu cinco faltas (cometeu duas).

Ataque alvinegro passeia na direita

No primeiro tempo, o Botafogo tinha o mapa da mina pelo lado direito de ataque. Ágeis tabelas e passagens pelo fundo não foram impedidas. González e, principalmente, João Paulo e Diego Silva formaram uma avenida, que por pouco não comprometeu o jogo. Dali surgiram as melhores (e quase todas as) jogadas da equipe, com Gilberto, Vitinho e Rafael Marques. Seedorf e Lodeiro, notando a facilidade, de vez em quando se deslocavam para participar.

Na etapa final, Mano corrigiu a deficiência ao sacar Diego Silva para colocar Luiz Antonio, outro que ajudou na qualidade do passe e desafogou a parte ofensiva com avanços até a intermediária que atraíam a marcação. Houve também mais um fator: a saída precoce de Vitinho, aos 18 minutos do segundo tempo. O jovem, que puxava os contragolpes, viu o volante Renato assumir seu lugar e transformar as virtudes ofensivas em receio.

Recuo excessivo compromete

Não era final de campeonato ou mata-mata, mas o Botafogo se comportou como se fosse: se livrou da bola no terço final do clássico e chegou a ter os 11 homens em seu campo por pelo menos cinco vezes. Seedorf, de 37 anos, era o mais adiantado e lutava para segurar a bola, já que Rafael Marques ajudava nas jogadas aéreas com sua estatura.

Oswaldo de Oliveira tentou justificar, se disse sem opções, mas, aparentemente contrariado com o recuo excessivo, revelou que pediu ainda mais pressão no contato com os atletas no vestiário. O que se viu, no entanto, foi exatamente o oposto.

– Não houve orientação, insisti para que continuássemos pressionando. Eu tinha que escolher. Tinha que botar o Elias? Mas ia tirar quem? Não podia jogar com 12. O Rafael tira as bolas altas. Eu ia tirar o Seedorf? O Renato entrou com essa função e conseguiu em alguns momentos articular jogadas. Por três vezes tivemos chance de marcar. Mas uma bola entrou no meio da nossa defesa… coisas que acontecem – lamentou o treinador.

Artilheiro sem inspiração

Marcelo Moreno foi contratado para fazer os gols do Flamengo. No Brasileirão, isso não acontece há três rodadas. Nesse domingo, não faltaram bolas que cruzaram a área alvinegra, principalmente no segundo tempo. Mas ele encontrou obstáculos para sua performance. Primeiro, faltaram-lhe inspiração e até sorte. Diferentemente de Rafael Marques do outro lado, o boliviano perdeu a maioria das divididas, chegou atrasado em outras e teve apenas duas oportunidades. Além disso, precisou se afastar da área ao perceber a dificuldade do time, sacrificando-se e fazendo o pivô.

Preciocismo e precipitação do Bota

Se o Bota não conseguiu aumentar sua vantagem no primeiro tempo, parte da responsabilidade pode ser atribuída a Vitinho. Após roubadas de bola ou contra-ataques bem encaixados, o meia-atacante jogou fora pelo menos duas bolas em que havia um companheiro em melhor condição. Levou as mãos à cabeça e ouviu muitas reclamações. As tentativas começaram com dribles bonitos e tiveram um tom de preciosismo e precipitação.

Rafael Marques entrou para a turma e fez o mesmo em outro lance. O destaque foi que seu chute foi deferido da intermediária, sem a menor necessidade, e saiu de mansinho, longe do gol de Felipe. Já Seedorf foi solidário até demais: tocou até quando poderia ter arriscado.


Fonte: GE


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