O potencial de público que as novas arenas terão após a Copa do Mundo é motivo de discussão há um bom tempo, e os primeiros números parecem não ajudar aos mais otimistas ou entusiastas. Estádio com melhor aproveitamento de seus assentos desde que abriu seus portões, o Mané Garrincha, em Brasília, tem recebido em média metade de sua capacidade total de público. Já as outras cinco arenas não alcançam sequer esse número.
O caso mais vistoso é o do Castelão, em Fortaleza. Com capacidade para 58.704 torcedores, o estádio recebeu nos últimos cinco jogos do Ceará na Série B do Brasileiro, somados, 37.378 pagantes. Ou seja: juntando o público de todas essas partidas, ainda sobraria lugar. A média de torcedor tem sido de 7.476 torcedores pagantes por jogo, o que faz a taxa de ocupação ficar em pouco mais de 12%.
Nem mesmo a oferta de ingressos promocionais têm ajudado a belíssima Arena de Fortaleza a aumentar o número de torcedores em suas dependências. Na terça-feira, quando o Ceará venceu o Guaratinguetá por 2 a 0, o valor das entradas variou de R$ 1 a R$ 60 reais. Mesmo assim, o borderô do estádio apontou que apenas 5.044 torcedores pagaram pelas entradas.
Em Recife, os números são um pouco melhores comparado ao estádio de Fortaleza, mas ainda assim também longe de empolgar. A Arena Pernambuco, com capacidade para 42.849 torcedores, segundo a Fifa, tem recebido em média 13.230 pagantes por jogo. Nos últimos cinco confrontos em seu gramado, em apenas um o público chegou a 20 mil pessoas. Por outro lado, não mais do que 9.669 torcedores pagaram para ver Botafogo 1 x 1 Fluminense, em 7 de julho.
A Arena Fonte Nova, onde o Bahia manda seus jogos no Brasileirão, é a que melhor tem se saído em termos de público nos novos estádios do nordeste. A média do estádio erguido em Salvador tem girado em torno de 21 mil pagantes. O maior público nos últimos cinco confrontos foi registrado no empate do Bahia com o Vitória, em 21 de julho, quando 36.996 pessoas pagaram para assistir ao clássico estadual.
Por causa do valor salgado das entradas – que chegaram a custar R$ 250 no clássico entre Vasco e Botafogo -, o público do Maracanã tem se concentrado atrás dos gols, o que muitas vezes faz o torcedor que assiste ao jogo pela TV ter a falsa impressão de estádio vazio. Nas últimas partidas, porém, a média de ocupação do Maracanã tem sido de cerca de um terço dos 73.531 torcedores que o estádio comporta. Vale ressaltar que dois dos cinco jogos foram clássicos regionais.
Mineirão e Mané Garrincha são, das “novas arenas”, as que mais têm recebido torcedor. Em Minas, a média de público é de 27.173 torcedores. O Cruzeiro manda seus jogos no estádio municipal. Em Brasília essa taxa de ocupação chega a bater nos 50%, o que também ainda não é bom. Mas o estádio chegou a receber 61.767 pagantes na vitória do Flamengo sobre o Vasco, em 14 de julho. O Mané Garrincha tem recebido jogos de equipes do Rio de Janeiro, e como a cidade tem bastante torcedor dos times cariocas, a chance de preencher os assentos é maior.
Veja a ocupação das novas arenas nas última cinco vezes em que elas foram utilizadas:
Total de público pagante dos últimos 5 jogos: 66.153
Média de público pagante: 13.230
Capacidade: 58.704 Total de público pagante nas últimos 5 partidas: 37.378 Média de público pagante: 7.476
Total de público pagante nas últimas 5 partidas: 105.265
Média de público pagante: 21.053
Total de público pagante nas últimas 5 partidas: 173.312
Média de público pagante: 34.662
Total de público pagante nas últimas 5 partidas: 115.554
Média de público pagante: 23.111