Segurança mostra falha com briga de Vasco e Corinthians no Mané Garrincha.

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Foi uma tarde de violência de torcida organizada, despreparo da polícia e, aparentemente, negócios duvidosos no novo Estádio Mané Garrincha. Durante o intervalo da partida que terminou num empate de 1 a 1 entre Vasco e Corinthians, integrantes da facção Gaviões da Fiel invadiram o espaço de torcedores vascaínos no anel superior da arena em Brasília e causaram pânico por cinco minutos nas arquibancadas, ameaçando com palavras e gestos obscenos adultos e crianças. Policiais militares que correram, atabalhoados, para retirar os vândalos foram atacados com cestas de lixos e outros objetos. Em meio ao cheiro de spray de pimenta da PM, três agentes saíram feridos na cabeça, um torcedor do time carioca foi levado para o posto médico por problemas cardíacos e quatro corintianos foram detidos.

Com o tumulto, o gás de pimenta jogado de forma indiscriminada pela polícia e as ameaças feitas pelos integrantes da Gaviões, centenas de vascaínos e corintianos que não faziam parte de torcidas organizadas, especialmente pais com crianças e casais, começaram a deixar o estádio antes de começar o segundo tempo da partida. Um total de 21 mil pessoas pagaram para ver o jogo deste domingo, válido pela 16ª rodada do Brasileirão.

A nova arena, que sediará jogos da Copa do Mundo de 2014, foi reprovada desta vez no quesito segurança. A tropa de 800 policiais deslocada para o estádio não evitou a atuação violenta da Gaviões – o grupo de torcedores viajou em 11 ônibus de São Paulo para Brasília. Na saída do Mané Garrincha, 20 minutos depois de terminar a partida, os integrantes da facção foram escoltados por 86 PMs da tropa de choque e uma centena de outros agentes até os veículos para voltar à capital paulista.

EXPLICAÇÃO – Numa entrevista coletiva para explicar o trabalho de uma semana de preparação da polícia, o secretário-adjunto de Segurança Pública do Distrito Federal, Paulo Roberto Oliveira, não economizou palavras duras contra a Gaviões da Fiel. Ele, no entanto, deixou escapar que a empresa organizadora da partida não consultou os órgãos de segurança sobre a venda de ingressos sem separação de torcidas no estádio. “Não nos consultaram”, disse Oliveira. “Quando soubemos, eles já estavam vendendo ingressos sem divisão de torcidas.”

A declaração de Oliveira deixou em saia-justa representantes de outros órgãos do governo do Distrito Federal, que não souberam nem mesmo responder o nome da empresa organizadora da partida. Embora seja dono do estádio, o governo distrital afirma que a responsabilidade de organizar os jogos é da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), da Federação Brasiliense de Futebol e do clube mandante, nesse caso o Vasco – a diretoria vascaína vendeu seu direito para uma empresa por R$ 1,5 milhão.

A princípio, se chegou a falar que a empresa era a Aoxy, de um empresário ligado ao ex-presidente da CBF Ricardo Teixeira, a mesma que ficou com quase toda a renda de R$ 7 milhões de um jogo teste no Mané Garrincha entre Santos e Flamengo, em maio. Depois, o clube carioca alegou que não divulgaria o nome da empresa por causa de uma cláusula contratual. Uma representante do governo distrital afirmou que a organização dos jogos no Mané Garrincha poderá ser “reavaliada”. Ela se referia, no entanto, ao Vasco. O governo não estuda medidas para inibir a atuação de empresas “sem nome” na arena.

Enquanto o secretário-adjunto de Segurança Pública, Paulo Roberto Oliveira, o promotor do Ministério Público Militar Nizio Toste e o comandante da tropa da polícia no estádio, coronel Cleber Lacerda, respondiam a perguntas sobre as falhas da polícia e prometiam usar o Estatuto do Torcedor para proibir a volta da Gaviões da Fiel à cidade, um personagem conhecido da crônica política já se dirigia para uma das saídas do Mané Garrincha. Cláudio Monteiro, secretário extraordinário da Copa do Mundo em Brasília e responsável pela arena, disse a repórteres, com semblante sério, que também desconhecia a empresa que organizou o jogo – nomeado pelo governador Agnelo Queiroz como homem forte da Copa em Brasília, a decisão de abrir a arena da capital a qualquer jogo passa por ele.

Fonte: Estadão


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