No Flamengo, é Jayme e mais onze.

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Quem tem o costume de passar por aqui para ler minhas mal traçadas já deve ter percebido que o time do Flamengo que vem entrando em campo em 2013 não tem exercido sobre mim seus proverbiais dons inspiratórios. Como a imaginação nunca foi um dos meus fortes o futebol apresentado pelos nossos formidáveis rapazes acaba sendo determinante para a qualidade, ou a sua absoluta ausência, dos posts publicados no humilde bloguinho.

Quando o time se apresenta bem e vence seus jogos ainda sou capaz de coligir umas meia dúzia de frases feitas, citar um autor estrangeiro, colar uma foto de filme antigo e fazer uma graça na aba dos bombados vídeos da Nivinha. Mas quando o Flamengo sucumbe às suas próprias limitações e não alcança o objetivo proposto pouco me resta a fazer senão afetar indignação, cornetar e me colocar contra tudo isso que está aí (copyright Leonel Brizola). Vocês não fazem ideia de como odeio ter que agir desse modo, mas aqui é trabalho, meu filho.

Ontem o Flamengo entrou em campo leve, desimpedido, sem um grama de favoritismo a pesar sobre seus largos ombros. O Flamengo encarnava mais uma vez o papel de underdog a que foi relegado pela gatomestragem nacional na disputa pela Copa do Brasil. A responsabilidade por apresentar um futebol encantador era toda do Foguinho, que como todos sabem é o mais querido da imprensa esportiva carioca desde 1958.

Do Flamengo se esperava, no máximo, uma retranca feroz e a ainda respeitada intimidante presença física da nossa torcida. A torcida do Flamengo nunca decepciona, é um fenômeno de afinação, assiduidade e permanência. Mas, cá pra nós, não obstante o rugido eufônico que produz nas arquibancadas, e o reforço que traz aos combalidos cofres do clube, a torcida pouco pode fazer quando a mulambada não dá em bola.

Por isso mesmo foi uma agradabilíssima surpresa ver a maneira com que o Flamengo pisou no gramado do Mário Filho. Com sangue no olho, faca nos dentes e um insuspeito instinto de matador o Flamengo entrou mordendo tudo e não deixando nenhum espaço pras evoluções do Foguinho. A marcação exercida na saída de bola do adversário era feroz, o Flamengo ia em todas e não deixava a cachorrada respirar. Em muito pouco estabeleceu-se um domínio rubro-negro explícito e só restou ao Foguinho o recurso universal dos oprimidos, o bico pro mato.

A retranca reforçada, o time fechado, a humildade tática dos times ruins que julguei imprescindível para o sucesso do Flamengo na partida não se verificaram. Em um dos muitos raids sobre a defesa alvinegra a bola pererecou na área, Paulinho se contorcionou todo e colocou a bola na cabeça de André Santos. Pimba! Gol do Mengão, para regozijo de todos os bem vestidos. Com a vantagem o ímpeto ofensivo do Flamengo não arrefeceu, pelo contrário, mais e mais oportunidades foram criadas e desperdiçadas.

Foi um 1º tempo memorável, e dentre as muitas ótimas atuações tenho o dever moral de destacar Amaral, um dos jogadores do nosso elenco por quem nutro injustificável antipatia. Amaral foi um monstro no desarme e um exemplo de seriedade em campo. Ontem, dentro das 4 linhas, ninguém foi mais Flamengo que Amaral. Com não tenho nada contra o Amaral, mas tudo a favor do Flamengo, espero sinceramente que ele continue a queimar a minha língua e a dos seus outros detratores.

Mas não existe 1º tempo que dure pra sempre e o juiz, insensível à raridade do momento que o Flamengo atravessava, concedeu apenas 1 minuto de acréscimo ao período regulamentar. Melhor seria que que tivesse terminado o jogo naquele momento. A torcida já estava satisfeita, porque o time do Flamengo que desceu para os vestiários do Maracanã era muito maior do que aquele que entrou.

O 2º tempo inverteu os papéis e foram os jogadores do Foguinho, serelepes, que ousaram mais para tentar desfazer a impressão de meros coadjuvantes que passaram nos 45 minutos iniciais. Forçoso reconhecer que a intensa marcação do 1º tempo veio cobrar sua fatura e o Flamengo cansou. O adversário, ansioso para desmentir a preponderância de sua veia hippus paraguayensis, chegou junto e começou a fustigar a nossa meta. Acabaram encontrando um gol, num desvio infeliz de um chute que bateu no jovem Samir. Coisas do futebol.

Após os 25 minutos da etapa complementar Flamengo e Botafogo entenderam que o empate era um bom negócio para as duas partes e passaram a se preocupar exclusivamente em não tomar gols para não entregar para o adversário a vantagem do próximo jogo. Me pareceu uma decisão sábia. Sair vivo para poder voltar em uma próxima batalha ainda é uma boa tática para quem ganhar a guerra. Fiquei feliz, porque também aumenta em muito as possibilidades estatísticas de que eu seja capaz de cometer um bom texto por aqui em futuro não muito distante.

O mais importante é que o Flamengo manteve sua honra intacta, empurrou com a barriga o problema da Copa do Brasil e pode agora, com mais tempo e calma, cuidar dos estragos no Brasileiro. Com o invicto Jayme de Almeida finalmente efetivado (foi extremamente inoportuna as especulações sobre um novo treinador feitas pela diretoria em vésperas de partida decisiva) e uma meta clara a ser atingida (45 pontos e não se fala mais nisso), temos muitas indicações de que o Flamengo poderá sem bem sucedido na ambiciosa pretensão de trocar o pneu enquanto o carro está andando. É difícil, mas pro Flamengo nada é impossível.

Fonte: Urublog

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