Até um cego veria a estrela do Hernane, diz técnico que o revelou.

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Seis anos após sua primeira partida como jogador profissional, quando fez o primeiro gol da carreira, o artilheiro do Brasil em 2013, com 31 gols, tem em sua história no futebol um caminho de lutas, suor e batalhas rumo ao sonho de ser reconhecido. O tempo passou e a luta permanece, o suor continua diário e cada jogo é uma batalha.

Porém, o status mudou e o resultado que sempre almejou apareceu. Artilheiro do “novo Maracanã” e candidato a ídolo do Flamengo, Hernane escreve sua trajetória com muita humildade e foco. Características comprovadas pelo técnico Eduardo Clara – atualmente no Penarol-AM – primeiro a escalar Hernane como titular em um time profissional, em 2007, no Atibaia-SP, pela segunda divisão do Campeonato Paulista.

Foi com Eduardo que o atacante, na época com 21 anos, teve sua primeira experiência “para valer”. E o palco foi o estádio Municipal Coronel Francisco Vieira, localizado na cidade de Itapira, em São Paulo. Em um 03 de junho de 2007, às 16h, contra o Itapirense, em jogo válido pela nona rodada da segunda divisão do Campeonato Paulista, Hernane “brocou” pela primeira vez.

Aos 28 minutos do segundo tempo, o atacante diminiu o placar para sua equipe, que foi derrotada por 4 a 1. Até o final da competição vieram mais 12 tentos e uma proposta do São Paulo, que o contratou, mas nunca aproveitou o atleta. Um atleta de raça, amor e paixão, que nunca desistiu dos seus sonhos e hoje em dia sonha em conquistar o Brasil pelo Flamengo e obter a tríplice artilharia no país.

Em entrevista exclusiva ao Yahoo Esporte Interativo, Eduardo contou sobre os passos do baiano na equipe paulista, comparou o atacante com o cabeceador Jardel e questionou uma chance do “Brocador” na seleção brasileira.

Confira a entrevista:

Yahoo Esporte Interativo: Quando você teve o primeiro contato com o Hernane, no Atibaia-SP, qual foi sua impressão sobre ele?

Eduardo Clara: Assim que chegou, vindo da Bahia, era ainda um jogador sem trabalho de base profissional. Notei a imensa estrela que ele tinha para fazer gols, até um cego veria.

YEI: Como era o estilo de jogo dele no Atibaia? Ele já mostrava esse oportunismo na frente do gol?

EC: Na época, contava com ele e mais um atacante da mesma altura, o João Paulo, atualmente no São Bento. Os dois faziam uma ótima dupla. Eu deixava os dois na frente apenas incomodando a defesa. Não voltavam nunca, eu não deixava e deu muito certo. Fizemos uma excelente campanha.

YEI: Naquela época, já se falava sobre a possibilidade do jogador brilhar no futebol?

EC: Sim, ele se destacou e fez muitos gols. Tenho sorte em revelar jogadores, tinha certeza que “viraria na bola”. Ele chegou no meio do campeonato e fez 13 gols.

YEI: O que está presente no jogo do Hernane que você ensinou a ele? O que você vê que falta no jogador ainda?

EC: O que ele tem ninguém ensinou, é dom dele. Ele te sorte para fazer gols, se aprimorou muito e evoluiu na finalização. Ele é um Jardel, faz gols e ponto.

YEI: Como ele era no grupo? Era querido pelos outros jogadores?

EC: Ele é um rapaz de grupo, trabalhador, comprometido, supera os problemas de frente. Só tenho a agradecê-lo pelo que fez no Atibaia em 2007.

YEI: Qual era o grande sonho que ele tinha? Você lembra? Ele se sentia injustiçado no futebol ou ainda era muito novo para isso?

EC: Ele tinha a vontade de vencer, isso é muito nítido em jogadores que vem do Nordeste. Eu notava muito isso, ele faria o que fosse preciso para vencer e ajudar a família. É muito bom ver onde chegou, ele se esforçava demais.

YEI: Teve algum momento em que ele pensou em desistir? Você o imagina na seleção brasileira?

Eduardo: Eu nunca o ví com pensamento de desistir, pelo menos nunca notei isso. Sobre seleção brasileira, acho que quem faz gols merece a oportunidade. O Felipão disse em uma entrevista que a Seleção é aberta a todos, sem restições. Se ele é o maior artilheiro do Brasil, por que não ter uma chance?

Fonte: EI

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