Clubes tentam parcelar dívivas com o governo.

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O projeto do Ministério do Esporte de “trocar” as dívidas tributárias dos clubes por investimentos em projetos esportivos acabou sendo posto para escanteio pelos próprios cartolas do futebol brasileiro. Em meio a discussões sobre o chamado fair play financeiro, dirigentes decidiram colocar a ideia do governo federal em segundo plano e se concentrar em um pedido de parcelamento da dívida para tentar “moralizar” as contras de suas agremiações.

Isso, pelo menos, é o que ficou definido em uma reunião realizada na sede da CBF na quinta-feira. No encontro, uma comissão formada pelos presidentes do Flamengo, Internacional, Vitória e Coritiba conversou com o vice-presidente da entidade máxima do futebol nacional, Marco Polo Del Nero, sobre as dívidas, que somam R$ 4 bilhões.

Para essa comissão, o projeto do governo para equacionar a situação financeira dos clubes seria de difícil implantação. Pela proposta, que nem chegou a ser oficialmente enviada ao Congresso Nacional, uma parte das dívidas dos clubes com o governo poderia ser paga com o investimento no desenvolvimento do esporte. Quem aderisse ao projeto teria de comprovar o investimento para manter sua situação em dia.

Os clubes, entretanto, acham que todo esse sistema vai demorar demais para ser implantado. Assim, querem negociar já um parcelamento dos débitos para iniciarem um pagamento a longo prazo das dívidas e poderem comprovar o quanto antes que estão cumprindo suas obrigações.

“Os clubes querem pagar a dívida, mas querem mais prazo. Não queremos perdão, anistia, nada.”, afirmou o presidente do Coritiba, Vilson Ribeiro de Andrade, após a reunião na CBF. “Essa dívida é uma coisa que tem ser paga. Outra coisa é o investimento no esporte. Uma coisa não pode ser vinculada a outra senão complica.”

O presidente do Internacional, Giovanni Luigi, confirmou que o projeto do governo está, agora, em segundo plano. Luigi disse que, para os clubes, seria mais eficiente hoje rever os métodos de pagamento da dívida. Segundo ele, os tines estão dispostos até ter parte do seu faturamento bloqueado para o pagamento dos débitos em caso de parcelamento.

O presidente do Flamengo, Bandeira de Melo, afirmou que esse tipo de bloqueio seria uma espécie de Lei de Responsabilidade Fiscal dos clubes. Por isso, seria mais urgente que o projeto do governo. “A proposta do governo é boa, mas não é trivial. Vamos discutir um alongamento da dívida e, mais tarde, voltamos a discutir isso.”

O Ministério do Esporte, entretanto, ainda insiste na proposta. Procurado pelo UOL Esporte, o órgão informou que está em entendimento com os clubes: “O Ministério do Esporte esclarece que o plano de reestruturação das dívidas dos clubes terá mecanismos que impeçam novo ciclo de endividamento e estabeleçam punição à inadimplência, seguindo os entendimentos que têm sido mantidos entre o governo federal, o Congresso Nacional, os clubes e a CBF.”

Fonte: UOL

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