Confirmando as expectativas, Flamengo x Goiás foi um jogo chato.

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Confirmando todas as expectativas, Goiás x Flamengo, valendo nada desta vez, conseguiram explorar os limites do anticlímax e espalhar tamanho tédio pelo estádio que o observador mais desatento poderia pensar que se disputava nas cadeiras retráteis a repescagem do campeonato mundial de bocejos. Se no templo do Maracanã, onde as almas fervem e os espíritos se elevam naturalmente, já estava chato, das profundezas do sofá é que não foi fácil suportar a interminável pelada.

Só acho que é bobeira cornetar a rapaziada em função de um suposto desinteresse, uma certa prega presa que alguns olhos muito atentos não puderam deixar de perceber. Sem querer polemizar com os especialistas, humildemente divirjo. Quem não virou Flamengo na semana passada só pra obter as vantagens do Sócio Torcedor sabe muito bem que o Flamengo, historicamente, só vai pra frente com dois tipos de propulsão:

1. O desejo irrefreável por glórias, e por glórias se entendam taças, canecos, títulos e campeonatos, não entrando nessa conta miudezas como classificação ou vagas para outra competição.

2. A corda bem apertada no pescoço.

Isto é, ou o bem o Flamengo luta pela sua sobrevivência, já que nosso alimento principal são os títulos, ou bem o Flamengo luta pela sobrevivência de todos os outros times da Série A. Já que a ausência do Flamengo nessa elite morena seria uma catástrofe econômica de tamanha proporção que acabaria arrastando a todos, repito: a todos, invariavelmente à ruína. O que significaria o fim do futebol profissional no Brasil.

Quando não está rolando nenhuma das duas situações acima descritas, que foi o caso do jogo de sábado à noite para 14 mil abnegados e 70 mil cadeiras retráteis vazias, é muito difícil que a proverbial flama rubro-negra se manifeste. O Manto é poderoso, mas não faz ninguém correr mais em um jogo a leite de pato. O campeonato já tinha acabado, não encham o saco dos meninos.

O único cabra em campo com algum interesse genuíno era Hernane em sua cruzada pessoal rumo aos mil gols. Sempre atento e sagaz, na hora que deram mole ele guardou. Gente fina como poucos matadores, Hernane ainda pratica o desapego e tem verdadeira paixão, infelizmente ainda não correspondida, em deixar Paulinho na cara do gol.

Pena que Paulinho não é muito chegado. Mas quem sou eu, que nunca fiz um gol em campão na vida, pra criticar nosso camisa 26? O cara corre por ele, por mim, por você, pelo Léo Moura, pelo André Santos e pelo Cadu. Gol, no caso, é um detalhe menor.

O que eu quero saber é se agora que alcançamos a marca cabalística de 45 pontos podemos parar com esse negócio de Brasileiro ou vocês ainda querem esquentar a mufa por mais uma ou duas rodadas só pra manter a pressão alta e o humor instável? Cada um com seu cada um, mas eu parei, meu amigos. Puta que pariu! Brasileiro eu tenho seis. Eu quero a Copa do Brasil!

Fonte: Urublog

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