Cosme Rimoli comenta a “festa na favela.”

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Maracanã…

O Flamengo ganhou pela terceira vez a Copa do Brasil em um jogo muito tenso, venceu por 2 a 0. Os gols foram marcados no final da partida. Elias fez aos 41 minutos e Hernane aos 49 do segundo tempo.

Vitória justíssima. Após a comemoração do título, o pedido:

“Fica, Elias… Fica, Elias… Fica, Elias…”

A diretoria prometia não só segurar o volante, mas montar um grande time para a Libertadores de 2014.

Ao Atlético Parananense há a esperança. Conseguir a vaga no Brasileiro, onde o time é segundo.

O time de Jayme se superou na Copa do Brasil e conseguiu o que ninguém poderia supor quando o torneio começou.

A equipe foi crescendo, derrubando favoritos. Cruzeiro, Botafogo, o surpreendente Goiás e nas decisões, o Atlético Parananense.

Foi o merecido campeão. “Tricampeão, tricampeão, tricampeão”, gritava a torcida.

Toda festa foi belíssima. Mesmo antes dos times entrarem campo, o Maracanã tremeu. Pouco importaram os abusivos preços, de R$ 250,00 a R$ 800,00. Pagaram com gosto e proporcionaram a maior arrecadação da história do clube. 57.991 gastaram R$ 9.733.785,00.

Os flamenguistas mostraram porque formam a maior torcida do Brasil, não só pagando os preços indecentes, mas vibrando.

A pressão beirou o insuportável, eram mais de 68 mil vozes. Foi a injeção de ânimo que o time de Jayme precisava.

Com uma proposta corajosa, o Flamengo imprensou o Atlético. A marcação era rígida, na saída de bola. Mesmo sem tanto talento, os cariocas se impunham no coração e no toque de bola rápido, vibrante.

Mancini se desesperava com a falta de reação dos seus jogadores. Os paranaenses perdiam muito sem Everton, suspenso. O time não tinha articulação, ligação entre o meio e o ataque.

A pressão flamenguista tornou o Atlético irreconhecível. Todo o primeiro tempo viveu à base de chutões. Nada de toque de bola, o time estava visivelmente nervoso, afobado. Não conseguia trocar passes.

A pegada de Amaral, Luiz Antônio e Elias era impressionante. Tivesse o Flamengo outro meia e não Carlos Eduardo seria tudo melhor.

Paulinho e Hernane se mexiam, abriam espaço na zaga adversária e davam chance para os chutes de fora da área. Principalmente de Luiz Antônio.

Weverton teve de se desdobrar, Foi o melhor jogador atleticano.

O lance mais impressionante só veio aos 41 minutos. Luiz Antônio cobrou falta no travessão. A pressão flamenguista estava traduzida nos números. No primeiro tempo foram sete chutes a gol, contra dois do Atlético. O domínio foi impressionante, assustador.

Paulo Baier não conseguia acompanhar o ritmo do jogo. Jayme havia preparado o Flamengo para tentar não correr risco. Se impor, ganhar a terceira Copa do Brasil.

Para isso, liberou Léo Moura e André Santos. Ele atuaram boa parte do jogo como pontas. Foi injusto o primeiro tempo terminar em 0 a 0. O Flamengo merecia pelo menos um gol de vantagem. Foi nisso que o Atlético se apegou. Acabou indo para o vestiário satisfeito. Sabendo que teria 15 minutos para tentar se encontrar. Abaixar a adrenalina.

E os atleticanos voltaram melhores. Mancini os tirou de seu campo defensivo. Acabou o sufoco interminável dos cariocas. A marcação também melhorou e já não permitia a troca de passes à entrada da sua área.

A torcida flamenguista começou a perde a paciência com Carlos Eduardo. O jogador tão importante taticamente nada fazia e errava passes fáceis. A torcida não aguentou o pacto de não o vaiar.

Jayme tratou logo de parar de perder tempo. Tirou Carlos Eduardo aos 18 minutos do segundo tempo. Diego Silva não teria coragem de ser pior do que ele, e a substituição deu resultado.

O Flamengo passava a ter 11 em campo. O pecado era o último passe. Jayme percebeu o bom momento e voltou a adiantar seu time, tentava ganhar o jogo. Os cariocas desprezavam a vantagem do 0 a 0.

Mancini percebeu que também não adiantava ficar atrás e esperar seu time sofrer um gol. Tratou de tirar Felipe, colocou o ofensivo Dellatorre. Comprou a briga.

Quando seu time tinha a bola, atacava em bloco, mas os dois times pecavam nas finalizações. Faltava consciência, confiança aos atacantes.

O jogo passou a ser brigado, cada centímetro disputado. Os times eram fiéis ao seu estilo. O Flamengo buscava tocar a bola em velocidade, já o Atlético buscava as ligações diretas, levantamentos da intermediária na área de Felipe.

O tempo foi passando, as duas defesas conseguiam se impor aos ataques. Os goleiros no segundo tempo acompanhavam ao jogo, não faziam grandes defesas.

Os treinadores queriam o gol, mas ele não vinha. A decisão da Copa do Brasil ficava cada vez mais nervosa. O árbitro Vuaden levava bem o jogo.

Nos minutos finais, tensão dos dois lados. Aos 40 minutos, Paulinho levantou e Hernane deu um lindo voleio. Weverton fez excelente defesa.

O Flamengo havia dado 14 chutes a gol contra sete dos paranaenses. Só que a torcida não merecia o 0 a 0. Foi quando Paulinho deu excepcional passe para Elias. O toque saiu seco, longe do goleiro, 1 a 0, Flamengo.

O Atlético se abriu de vez tentando o empate, e se arrependeu. Em um contragolpe fulminante, Hernane marcou 2 a 0. Ainda deu tempo para Ciro e André Santos serem expulsos. Mas ninguém se importava. O que valia era a celebração incrível no estádio.

A festa foi apoteótica no Maracanã, emocionante demais ouvir os torcedores cantando. “Favela, favela, favela… Festa na favela…” Nem se importavam com o alto preço para entrar nesta favela. Que venha agora a Libertadores de 2014… O Flamengo estará nela.

A ironia ficou para o fim.”O Mano vai se f… O Flamengo não precisa de você”, gritavam raivosa a torcida campeã.

Ninguém perdoava o treinador que pagou para abandonar o clube, não via futuro no time e uma boa pergunta nascia nas arquibancadas do Maracanã. Como seria esta madrugada de Mano Menezes?

Fonte: Blog do Cosme Rimoli

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