Flamengo: Campeão de heróis improváveis, mas merecidíssimo.

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Hernane, o Brocador, era apenas o reserva de Vágner Love, que se foi porque era caro. Fez gols no começo do ano, mas não despertava segurança, talvez pela sua dificuldade para tratar bem a bola. Então o Flamengo foi buscar Marcelo Moreno. Nem é possível criticar o boliviano, afinal, ele mal tem chance de jogar. O Brocador não deixa.

A dificuldade no trato da pelota ele compensou com colocação e frieza para empurrá-la até as redes adversárias. O artilheiro do ano, da Copa do Brasil, do hat-trick contra o Botafogo, do gol que sacramentou a conquista da Copa do Brasil nos 2 a 0 sobre o Atlético Paranaense. O goleador de um toque só, o homem que mais gols marcou na temporada.

Amaral não jogava quando Mano Menezes era o técnico. Volante de poucos recursos, mas eficiente, é uma nova versão de Williams, hoje no Internacional, e campeão brasileiro com o Flamengo em 2009. Quando Jayme de Almeida assumiu o comando do time, ele foi efetivado entre os 11, deu segurança ao meio-campo, protegeu a defesa, liberou gente como Elias para atacar mais e fez o gol do empate no 1 a 1 com o Furacão em Curitiba.

Paulinho se destacou no XV de Piracicaba, desembarcou na Gávea num lote oriundo do interior paulista com Val, Diego Silva e Bruninho. Entrava e saia do time, até que Jayme, no comando, o colocou como titular de verdade. Brilhou, infernizou marcadores, ajudou a marcar, fez golaço, deu passes decisivos. Ele sozinho valeu pelo grupo inteiro de jogadores de São Paulo, uma relação custo-benefício altíssima. Quem imaginaria tamanho retorno?

Jayme de Almeida, citado anteriormente neste post, é técnico faz tempo. Voltou ao Flamengo, onde surgiu zagueiro nos anos 1970, quando Vanderlei Luxemburgo retornou ao clube. Era auxiliar do ex-colega de defesa no time rubro-negro daquela década. Calmo, ponderado e conhecedor de futebol, melhorou o time que herdou de Mano, o técnico caro que foi embora sabe-se lá porque e a essa altura deve estar se sentindo no mínimo um tolo.

O sucesso de Jayme derruba em parte os mitos de que treinador tem que ser um louco a berrar à beira do gramado. Fica evidente que não é preciso palavriado complexo, empolado, repleto de clichês e frases de pretenso efeito. A simplicidade unida à capacidade tem vez no futebol para quem se aventura na função de técnico. Jayme é a prova viva disso.

O Flamengo com poucos recursos e pagando parte de suas muitas dívidas, com jogadores que despertavam mais desconfiança do que qualquer outro sentimento, com um técnico que jamais foi grife. O Flamengo improvável, que parecia apenas cumprir tabela em 2013, fecha o ano campeão, classificado para a Libertadores, em lua-de-mel com a torcida…

O Flamengo improvável, mas campeão depois de bater quatro dos cinco times mais bem colocados do campeonato brasileiro. O Flamengo campeão. E que campeão!

Fonte: Blog do Mauro Cezar Pereira

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