Márvio dos Anjos: Taça indiscutível de um Flamengo improvável.

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O Flamengo não planejou essa Copa do Brasil tanto quanto a quis.

Desejou-a, mas não se programou obsessivamente para tê-la. Sabia que ela salvaria um ano de reestruturações de elenco e orçamento, mas nunca deu mostras de que estava preparado para conquistá-la. Dos quatro técnicos que comandaram a equipe neste ano, três participaram da campanha: Jorginho, Mano Menezes e Jayme de Almeida – só Dorival ficou de fora.

É uma campanha que até desmoraliza a ideia de que o futebol só é vitorioso quando pautado pelo planejamento eficiente e bem executado. Aos trancos e barrancos, o Flamengo deixou a vida levá-lo, e ela o levou ao Maracanã. Numa partida em que o primeiro tempo foi apenas um detalhe, o Atlético-PR jamais mostrou fagulha de criatividade, e Paulo Baier ficou novamente longe de ser um jogador vitorioso.

Se houve dois pilares nesta conquista, foram Elias e Hernane, justos artilheiros da final. Foram os jogadores mais regulares na temporada rubro-negra, embora o Brocador tenha sido posto no banco para dar lugar à grife de Marcelo Moreno, aquele do gol do bi mundial em Cannes.

Foi um título tão improvável que talvez seu gol mais importante tenha sido o de Carlos Eduardo, notório desafeto da torcida e pior jogador do Fla no ano, no 2 a 1 de ida contra o Cruzeiro, no Mineirão. Sem esse gol, o Flamengo teria que partir para cima do atual campeão brasileiro com uma eficiência rara a um time tão limitado, que ainda era comandado por Mano Menezes.

Esse Flamengo sai da Copa do Brasil com uma campanha formidável. Além de apenas uma derrota, para o Cruzeiro, a equipe eliminou quatro dos 5 atuais primeiros colocados do Brasileiro: Cruzeiro, Atlético-PR, Goiás e Botafogo – só o Grêmio ficou de fora. É quase inacreditável, quando se percebe que, no Brasileiro, o time estacionou no 11o. lugar.

Um título indiscutível para uma equipe tão contestável, num ano de bem-vinda estreia deum novo técnico, Jayme de Almeida, que, no entanto, demonstra sonolenta inclinação à retranca nas substituições.

É uma taça a ser erguida pelos jogadores que, entre um técnico e outro, acharam uma maneira de vencer e entrar em lua de mel com a ideia que o novo Maracanã, esse estádio de médio porte para parcos 56 mil pagantes, é a nova casa rubro-negra.

É o Flamengo dos títulos improváveis, encaixando-se na Libertadores e garantido um 2014 de novas aspirações. O que nos lembra que todos os times que ganharam a taça continental antes do Flamengo já ergueram a copa uma segunda vez – a única exceção é o Racing-ARG.

Resta saber se o clube vai continuar apostando nos milagres de sua camisa ou se vai tentar, nem que seja para experimentar, algum tipo de planejamento em 2014, o ano perfeito para o sonhado reforço de internacionalização de seu escudo.

Fonte: Blog do Márvio dos Anjos

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