O Brasileirão já acabou para o Flamengo faz tempo.

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Flamengo x São Paulo em Itu. Fala sério! Quem é que quer saber de Brasileiro a essa altura do campeonato? Essa parada já acabou faz tempo, nossos interesses são bem outros. Mas como pega mal não dar as caras, lá vai o Flamengo para uma inútil jornada pela hinterlândia paulista.

No jogo do turno o Flamengo perdeu uma ótima oportunidade de sacudir a bambizada que, à época, estava caidinha, prostrada na lama. Mas como nós também ainda não tínhamos despertado do torpor manomeneziano, acabamos fazendo um dos jogos mais chatos da temporada.

E ainda por cima, o jogo foi em Brasília, onde fomos apoiados por uma torcida cheia de dentes na boca, que não sabe torcer pro Flamengo de acordo com as normas da ABNT, e não teve a malandragem de pedir um help ao impoluto, eficaz e consagradamente apolítico PROCOM antes de pagar uma pequena fortuna pelos seus ingressos. Não podíamos mesmo almejar nada além do empate insosso apoiados por essa torcida burguesa.

Felizmente, em Itu não correremos esse risco. Além do ingresso ser de apenas 5 reais, tudo por lá é grande, enorme, muitas vezes desproporcional. Não se preocupem com o futebol, isso é secundário. Se tudo der certo hoje à noite teremos grandes pobres, grandes miseráveis e grandes necessitados nas arquibancadas. O que praticamente nos garante um grande jogo e uma grande distribuição de renda, que como todos sabem, é a atividade-fim do Flamengo.

Caso isso não aconteça, já sabem, é culpa é do Flamengo. O fato do jogo não valer absolutamente nada é irrelevante. Quem mandou o Flamengo tentar impor à força costumes alienígenas, como a venda antecipada de ingressos, e seguir leis estrangeiras, como a da oferta e da procura, que sabidamente jamais funcionaram nessa terra morena, no seio do nosso futebol puro e imaculado?

Não interessa se o mando de campo é da bambizada, a culpa é do Flamengo. Que devia desistir definitivamente de tentar impor ao resto do país um sistema econômico em que os meios de produção e distribuição são de propriedade privada e com fins lucrativos; decisões sobre oferta, demanda, preço, distribuição e investimentos não são feitos pelo governo, os lucros são distribuídos para os proprietários e investidores e os salários são pagos aos trabalhadores pelas empresas.

É evidente que tal excrecência nunca vai dar certo no Brasil. Aqui, o futebol não é para sheiks árabes e milionários russos brincarem de football manager. Para isso temos leilões do Pré Sal, licitações e concorrências públicas à mancheias. Futebol no Brasil é artigo de primeira necessidade e o lugar que os pobres não tem nas escolas, universidades e hospitais está garantido nas arquibancadas. Mesmo que ele não possa, não queira e não deva pagar.

Pra cima dela, Mengão!

Fonte: urublog

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