Caso André Santos – Reflexão necessária.

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Há apenas duas explicações possíveis para o desastrado episódio da escalação de André Santos na última rodada do Campeonato Brasileiro:

a) O Flamengo não sabia dos riscos que corria ao colocar o atleta em campo;

b) O Flamengo sabia dos riscos, mas resolveu corrê-los mesmo assim.

Por óbvio, nenhuma das duas absolve o clube dessa imensa trapalhada.

As opiniões e pareceres jurídicos depois exibidos são absolutamente irrelevantes. A jurisprudência, conforme opinião quase unânime dos especialistas em direito desportivo, era no sentido de o STJD costuma considerar irregular atletas nessas condições – e o próprio advogado contratado pelo Flamengo assim pensava, como se viu pela troca de e-mails que acabou vindo a público.

Portanto, em um jogo que nada valia, o clube tinha a obrigação de seguir a orientação adotada pelas autoridades esportivas e afastar o atleta.

Se o escalou sem seguir essa orientação, é razoável especular que, àquela altura, não se tinha a menor ideia da jurisprudência do STJD em casos análogos, o que é uma confissão pública de negligência e inexperiência em algo tão crítico.

Mas pior ainda é se o clube estava consciente do entendimento do STJD sobre o tema e ainda assim colocou André Santos em campo, correndo um risco absolutamente desnecessário em uma partida virtualmente amistosa. Não havia motivo para expor o clube a tamanho risco.

Se o fez dessa forma, a conclusão possível é que o clube resolveu afrontar as autoridades esportivas, como se a sua interpretação particular das normas fosse mais valiosa do que a jurisprudência consolidada do STJD.

O mais incrível é que, salvo do rebaixamento por um lampejo da sorte, o clube até o momento não prestou qualquer explicação acerca do episódio, preferindo, tão somente, atacar o STJD em Nota Oficial.

É preciso refletir sobre os erros e aprender com eles. Se o clube realmente considera que não agiu de forma imprudente e insiste em culpar as autoridades esportivas, então nada garante que futuramente não voltará a tomar decisões igualmente temerárias, ao invés de agir com a cautela necessária em situações de risco.

Não se trata de uma “caça às bruxas” ou execração pública dos responsáveis pelo fato. Todos erram e não seria diferente com os dirigentes do clube. Mas é preciso construir a indispensável reflexão sobre a desastrada decisão, pedir desculpas à Nação e mostrar a firmeza de que não apenas nosso amado time segue em boas mãos, mas de que de ora em diante tudo será feito para impedir que a irresponsabilidade triunfe.

Fonte: Magia Rubro-Negra

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