O programa “Arena SporTV” lançou a questão sobre ex-jogadores que viram técnico. O tema pega carona na despedida de Seedorf, que se desligou do Botafogo para virar técnico do Milan e a presença de Petkovic, que assumiu, este ano, o time sub-23 do Atlético-PR para a disputa do Campeonato Paranaense. Para Alberto Helena Júnior, o cenário não é dos mais animadores. O comentarista observou que falta estudo sobre tática no meio dos técnicos.
– O pessoal não estuda, nem o ex-jogador nem o não-jogador. Até porque há muitos poucos livros sobre tática, sobre a história das táticas. Eu escuto cada barbaridade sendo dita por aí, que eu fico estarrecido. A crônica esportiva contribui muito para isso, e não é de hoje. A crônica esportiva cometeu barbaridades ao longo de toda história com relação às informações táticas, do desenvolvimento das teorias do futebol, durante muitos anos e continua cometendo – afirmou.
Antes de abordar a questão do estudo das táticas, Helena também lembrou de Parreira como exemplo de treinador que não foi jogador. Todavia, revelou acreditar que ter vivido uma carreira profissional como atleta ajuda.
– O Parreira é um caso de um bom treinador que não foi jogador de bola. Mas se o sujeito tiver jogado bola, convivido profissionalmente com os demais companheiros, ter tido vários treinadores, ajuda. No entanto, sobretudo, precisa estudar o futebol – disse.
Também no estúdio do Arena, Marco Antônio Rodrigues considerou que ter sido jogador pode ajudar, mas alertou que muitos craques não tiveram sucesso na carreira de técnico. Para citar um caso que, segundo o comentarista, é raro, lembrou de Franz Beckenbauer, ídolo do Bayern de Munique, que foi campeão como jogador pela seleção da Alemanha, em 1974, e voltou a ganhar o mundo pelo seu país, em 1990, como técnico.
– Conheço grandes ex-jogadores que foram péssimos treinadores e mal viam futebol. E tiveram jogadores que não foram grande jogadores, mas que enxergavam muito o jogo, que tinham uma inteligência maior para ver o jogo. Se o sujeito for um grande jogador e ainda tiver uma grande visão sobre futebol, sobre liderança – como Beckenbauer, que foi um dos maiores da história e fez um belo trabalho na seleção alemã, campeã do mundo -, é um caso raro. Ajuda muito, claro. Todo conhecimento ajuda. Desde que a pessoa saiba assimilar e transmitir esse conhecimento – analisou.