Flamengo, o Maracanã não escolhe lado.

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O Maracanã continua imparcial.

Pode o Flamengo aglomerar 43 mil pessoas em suas modernas cadeiras que ainda assim um time modestíssimo da Bolívia se habilitará a bagunçar a grande área com gols de pelada e arrancar um empate.

O Maracanã não protege seu mais habitual frequentador.

E seus torcedores se irritarão ao serem lembrados de outras quartas-feiras negras da história vermelha e preta, como Grêmio (que, OK, foi numa quinta, lembra-me Fernando Cesarotti) e Santo André em duas finais de Copa do Brasil, e Defensor, América do México e agora Bolívar, na Libertadores.

“Ainda somos os segundos do grupo”, grita-me um flamenguista, irritado com essas ilações que têm em comum apenas o fracasso. “Faltam ainda três jogos, essa partida não foi eliminatória.”

Mas a verdade é que o Flamengo tinha obrigações contratuais com a vitória sobre o Bolívar. O problema é que devido ao excesso de nervosismo de um time que encara a Libertadores como um vestibulando encara o Enem, não se viu no Maracanã a superioridade técnica do Flamengo. Os jogadores começaram mordendo, com raça, mas o meio-campo não acertava passes – Elano estava fraquíssimo, e só Everton pode ser absolvido – , forçava bolas na frente para um isolado Hernane no templo da perdição e a defesa se escancarava (sobretudo com a entrada de Alecsandro no lugar de Elano) à medida que o tempo passava sem a vitória.

Foi quando o Bolívar descobriu, assim como outros tantos em tantas quartas-feiras, que o Maracanã não é assim tão grande.

Nem a desculpa da ausência de laterais titulares faz sentido. Leo é um bom substituto para Leo Moura, e João Paulo tinha obrigação de estar atento no gol de Pedriel. Nem a desculpa de que “o árbitro garfou” o Flamengo faz sentido. Isso é condescendência barata com um time que não mostrou nada e que poderia ter sofrido outro gol antes, que Ferreira perdeu deividianamente.

O pior é que, se o Flamengo vencesse ontem numa jogada de sorte, haveria gente pronta para falar de “uma vitória da raça”. Não caberia falar em raça se quem viu o jogo só testemunhou displicência na maior parte do tempo. Gostei de ouvir vaias na torcida: provam que há muita gente que não compactua com essa maneira de jogar.

É o terceiro jogo do Flamengo na Libertadores, num grupo fraquíssimo, e o time de Jayme de Almeida ainda não conseguiu dizer que é o favorito dentre os quatro. Pior: não se sente minimamente à vontade em jogar a taça continental. Está caindo na pilha de que Libertadores é “matar ou morrer”, e não um torneio de futebol.

Na boa? A Taça Guanabara é bem mais difícil que esse grupo. Só que nela o Flamengo se sente em casa.

Fonte: Blog do Márvio dos Anjos

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