Disposto a finalmente pular na ponta do grupo 7 da Copa Bridgestone Libertadores de 2014, o Flamengo terá pela frente, em casa, nesta quarta-feira (12 de março), um velho conhecido – e protagonista de boas lembranças: 31 anos depois, o Bolívar pisará de novo no gramado do Maracanã. Em 1983, na última vez em que os bolivianos se aventuraram pelo Rio de Janeiro, tomaram o avião de volta com goleada por 5 a 2 na bagagem: Júlio Cesar, Adílio, Robertinho, Elder e Baltazar foram os carrascos.
O confronto, à época, parecia mais um duelo entre David e Golias. Enquanto o Rubro-Negro levou a campo a mesma base do time campeão continental de dois anos antes, ainda que desfalcado do craque Zico, o adversário tinha de acreditar no ataque formado pelos desconhecidos Borja, Salinas e Silva – foi este último, aliás, o autor dos gols de honra dos visitantes na partida. Longe de ter um esquadrão como aquele, o Flamengo, agora de Hernane, também assume condição de favorito.
“Mas tem sempre de ficar com a pulga atrás da orelha”, alertou Raul Plassmann, goleiro e um dos líderes do time de 83. “Eu ficava muito preocupado de jogar contra alguém mais fraco, porque, quanto mais favorito você é, mais responsabilidade você tem. Não tem desculpa: perdeu, é vergonha”, completou o ídolo do clube da Gávea.
“Ao longo desses anos, o futebol boliviano ficou nivelado, não regrediu nem progrediu. O problema era, e ainda é, a altitude de La Paz. A 3,6 mil metros, a coisa complica”, analisou.
“Em casa, o Flamengo deve ir para cima. Tomando cuidado, é claro, mas acelerando o jogo e tentando fazer o placar a todo minuto”, aconselhou Raul, que apostou em resultado elástico: 4 a 0 para os mandantes. Caso a previsão se confirme, os cariocas, graças ao tropeço do León contra o Emelec na terça (11), assumirão a liderança.
O otimismo de Plassmann, contudo, não deve ser traduzido como comparação dos comandados de Jayme de Oliveira à equipe de 83. Hernane Brocador, “um jogador importante, que vem marcando gols sempre”, foi elogiado pelo ex-atleta, bem como o veterano Léo Moura e o camisa 1 Felipe. Ainda assim, entre os elencos, “não há nenhuma semelhança”, ressaltou.
“O Flamengo daqueles anos era muito melhor, sem menosprezo ao de hoje. A capacidade técnica é a maior diferença. Era um time que, independentemente da escalação, sempre correspondia, tinha muitos destaques”.
Mesmo com Raul, Zico, Júnior, Leandro, Adílio e outros craques à disposição, o Fla não passou da 1ª fase daquela edição. Quando atropelou o Bolívar, na penúltima rodada, já era tarde: o Grêmio havia disparado na ponta do grupo. “Antes eram apenas os campeões e os vices de cada país que participavam da Libertadores, eram grupos mais seletivos, a fina flor da competição, a elite do futebol”, justificou Plassmann.
“Hoje tem muito clube que não tem capacidade para estar ali, ganha vaga de presente e só faz figuração. Nosso torneio era mais valioso”, finalizou.