É hora de deixar a tristeza e trazer esperança em seu lugar.

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As pessoas queridas sempre despertam simpatia, mesmo que elas estejam fracassando rotundamente. Vô Jayme pontuava no grau máximo do quesito simpatia. Tem como alguém não gostar dele? Tudo que podia ser dito sobre sua saída do Mengão já foi escrito, debatido e discutido, pouparei a todos desse mau momento.

O que ficou de ruim depois da demissão do Jayme foi o clima um tanto depressivo nas trincheiras rubro-negras. A chegada de Ney Franco, um cara que nitidamente evoluiu desde que nos deixou, (não sem antes guardar no nosso armário 1 Copa do Brasil e 1 Carioca) deveria ser um momento de esperança.

Só que, ao contrário, tem um monte de infiéis que fica remoendo as mágoas e insiste em desenterrar fantasmas como Walter Minhoca ou Jailton, aporrinhando a paciência rubro-negra com sua descrença antecipada. O Flamengo se agiganta é justamente quando pouco dele se espera, é assim desde os tempos de Fio Maravilha.

Além disso, agora há um subconjunto de flamenguistas especializados em contendas de somenos importância, em uma eterna peleja entre “torcedores de dirigentes x odiadores de dirigentes”. Fico chocado de ver o quanto essas discussões reúnem autênticas seitas de militantes.

A rigor, cartolas deveriam receber o mesmo tratamento dispensado aos árbitros: não atrapalhando, a gente mal sabe o nome; fez besteira, a gente vaia; desconfiou que vai fazer besteira, a gente vaia por antecipação, para geral ficar ligado. Meu Deus, por que essa gente se dedica tanto a achar que é a gerentada que vai salvar a pátria?

Para os milhões de flamenguistas que domingo vão grudar na telinha na hora sagrada – e para os milhares que vão investir seu suado dinheiro em 2 horas de catarse na arquibancada – a parada que importa é saber se o Ney vai conseguir dar uma cara competitiva a um time que até agora parecia morto de véspera.

As primeiras notícias parecem conspirar a favor: o departamento médico esvaziou, o professor andou variando a formação tática em busca de uma melhor formação, o jogo é em casa.

Com baixo astral não se vai a lugar nenhum. E o que tem para entrar em campo lá na Gávea pode custar caro, mas não inspira confiança cega. Como sempre tem sido nesses breves 101 anos de futebol, o Flamengo implora pela mística da torcida e do nosso bafo intimidador. São eles, como sempre, quem farão a diferença.

E, olha, a julgar pelos últimos jogos, vamos precisar bastante. Portanto, deixe a tristeza e traga a esperança em seu lugar.

Walter Monteiro

Fonte: Urublog

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