Flamengo tem tido baixas em campo e na diretoria.

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O futebol do Clube de Regatas do Flamengo tem enfrentado perdas nos jogos e em sua administração nos últimos meses. No domingo (1), dia de derrota por 3 a 0 para o Cruzeiro, a sexta no Campeonato Brasileiro, assistiu ao ex-diretor do BNDES Wallim Vasconcelos renunciar ao cargo de vice-presidente de futebol. Antes, foi a vez da saída de Flavio Godinho, ligado ao grupo EBX, do cargo de vice de relações externas. Agora, começam a surgir comentários sobre um possível afastamento do presidente do clube, Eduardo Bandeira de Mello,  ex-chefe do Departamento do Meio Ambiente do BNDES. Ele tirou férias na última semana, com término nesta sexta-feira (6), e alguns integrantes do clube colocam em dúvida seu retorno ao cargo.

Quando a diretoria atual iniciou o processo para concorrer, em 2012, Wallim era indicado como o possível presidente, mas teve a candidatura impedida. Era réu em um processo por improbidade administrativa na Justiça federal – referente ao período em que foi diretor do BNDES nos anos 1990. Eduardo Bandeira de Mello assumiu como presidente.

A então chapa azul, apoiada por Zico desde o início – que pela primeira vez anunciava sua torcida por um candidato -, entrou com a promessa de oferecer, entre 2013 e 2015, a gestão de executivos de alto nível , com experiência em empresas como Sky, EBX e BNDES, mas sem passagem por clubes. Começaram a sofrer resistência entre conselheiros e torcedores, e agora indicam que a diretoria pode chegar ao fim da gestão sem seus personagens principais.

Com a eliminação na Libertadores, o time bateu recorde de eliminação de um clube brasileiro na primeira fase da competição e está na penúltima colocação no Campeonato Brasileiro, atrás de Coritiba e Vitória e a frente do Figueirense. Zico, antes o maior entusiasta, depois da demissão de Jayme do cargo de treinador, anunciou seu apoio ao técnico demitido e deixou claro que não tem relação com os dirigentes.

Wallim, ao renunciar ao cargo, indicou que sai por motivos ligados a sua carreira, dando a entender que não estava tendo tempo suficiente para se dedicar à função. Não deixou de reclamar, contudo, dos resultados do programa de sócio-torcedor, que consideraria o principal caminho para salvar o clube, e ainda de celebrar o fato de ter tido a candidatura a presidente impugnada em 2012. Disse que o torcedor não pode ser tão miserável a ponto de não ajudar o clube que ama. “Eu reclamo dos que têm condições de ajudar, não dos que não podem. Quem pode salvar o Flamengo são os sócios torcedores.”

No ano passado, um dos cabeças do futebol rubro negro, Flávio Godinho,  vice de relações externas, também pediu para sair, durante reunião do Conselho Gestor do Flamengo, devido a supostas divergências com Paulo Pelaipe, diretor executivo de futebol, e Wallim Vasconcellos. Godinho era então sócio de Eike Batista no grupo EBX. Havia deixado suas funções executivas no grupo em fevereiro de 2013.

Depois que saiu do Flamengo, segundo informações do Radar on-line da Veja, voltou a se aproximar de Eike e ser ouvido por ele. No final de 2013, duas empresas do grupo pediram recuperação judicial em menos de duas semanas. Os acionistas minoritários da ex-OGX, com o suporte do Ministério Público, o acusam de cometer crimes de manipulação de mercado com ajuda de integrantes do Conselho de Administração. Ainda assim, no entanto, o grupo consegue vitórias, como aprovação da recuperação judicial da ex-OGX e facilidade com dívidas com o BNDES, por exemplo. No início de julho, o banco de fomento havia informado que o valor total dos empréstimos contratados somava R$ 10,4 bilhões. Depois, informou que os empréstimos efetivamente contratados somavam cerca de R$ 6 bilhões.

O sócio da empresa EBX foi um dos grandes articuladores políticos da campanha. Com a proibição de clubes no processo de licitação do Maracanã, a nova diretoria apostaria, no início, no bom relacionamento do grupo com Eike. A princípio, cogitou-se que a intenção do novo presidente, Eduardo Bandeira de Mello, era fazer com que o Flamengo firmasse uma parceria com a empresa de Batista. Para o lugar de Godinho, o Flamengo escolheu o substituto Plínio Serpa Pinto, que já foi dirigente do Rubro-Negro na pasta do futebol nas gestões de Kleber Leite e Marcio Braga.

Fonte: Jornal do Brasil

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