As bases da recuperação.

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O advento da realização da Copa do Mundo em Natal, trouxe as diretorias e aos departamentos de marketing dos clubes e também da Federação Norte-riograndense de Futebol (FNF), o desafio de buscar fidelizar o público novo que se fez presente ao estádio para acompanhar o maior evento esportivo do planeta. O trabalho será árduo e vai demandar uma junção de forças e ideias para vender o futebol potiguar como um produto melhor, mostrando que no estádio haverá sempre um bom espetáculo para ser apreciado.
O primeiro e mais importante passo, será atrair os torcedores para aderirem a campanha de sócio-torcedor. Essa vem sendo apontado pela diretoria de ABC e América como a mais vantajosa forma de o torcedor ajudar o seu clube e poder comparecer aos jogos sem qualquer tipo de atropelo, uma vez que a mensalidade paga garante direito ao ingresso integral ou a descontos na compra dos mesmos.

Se for levado em consideração a população residente em Natal, o programa de sócios de nossos clubes ainda é bastante insipiente. Segundo os dados do IBGE de 2013, a capital potiguar atualmente possui uma população de 853.928 habitantes, porém o quadro de sócios torcedores sequer atingiu a casa dos dez mil pagantes. Na lista do site “por um futebol melhor”, através do qual é oferecido um série de vantagens aos sócios dos clubes de futebol em todo país e que acompanha o número de associados em tempo real, o América aparece na 26ª colocação desse ranking com 3.572 sócios ativos. O ABC é apenas o 28º colocado com 2.672 sócios pagantes.

A liderança desse ranking fica com os clubes gaúchos, sendo que o Internacional ostenta a primeira colocação e tem ativos hoje 120.172 sócios. O Grêmio, segundo do ranking, aparece com 77.699.Embora sejam considerados dois gigantes do futebol nacional, isso comprova que o trabalho bem realizado surte o efeito desejado. O Flamengo, clube de maior torcida do Brasil e o Corinthians, o segundo nessa escala de torcedores, aparecem respectivamente na quarta e sexta colocações. Os cariocas têm 55.528 associados ativos, já o time paulista possui 48.794.

É justamente a comprovação dessa distinção entre tamanho de torcida e número de sócios que faz os dirigentes locais acreditarem no projeto que estão desenvolvendo. “A partir do momento que o torcedor entender a vantagem que é se transformar em sócio, acredito que ele vai comprar melhor essa ideia. Além de ter direito a entrar no estádio em jogos com mandos do seu clube, ele ainda desfruta de uma série de incentivos e descontos em produtos que vão de bebidas a mensalidade de academia”, observou o vice-presidente de futebol do América, Ricardo Bezerra.

Para o ex-presidente do alvirrubro, Alex Padang, esse está colocado como um dos maiores desafios dos departamento de marketing dos clubes. “Nós estamos passando por um momento econômico onde a população não assume novos compromissos. Eles estão pagando os carnês dos produtos  que compraram antes e o futebol não é prioridade. Particularmente eu acredito que nossos dois clubes podem chegar até o teto de 10 mil associados, mas é necessário criar meios de atrair esse torcedor, uma vez que nenhum dispõe de parte social em suas sedes e a associação é diretamente ligada ao futebol”, destacou Padang.

Diretor-presidente da Smart Pesquisa e Opinião de Mercado, Tadeu Oliveira, ressalta que apenas 10% da população natalense costuma frequentar os estádios. Ele disse que a média é considerada muito baixa e que os clubes precisam se debruçar juntos para detectarem o problema que vem afastando a grande  a maioria desse público em potencial dos estádios.

“Quando o ABC foi campeão da série C e o América conquistou o acesso para série A, vimos que eles conseguiram levar uma verdadeira multidão para as ruas. No caso do América, em 2006, foi avaliado em 50 mil pessoas. Mas esse pessoal que vai as ruas festejar, se esquiva de ir ao estádio. A média de público nos jogos realizados na Arena das Dunas é de 7 mil pessoas, no Frasqueirão é em torno de 6 mil. É preciso identificar esse problema e começar a atacá-lo, esse tema tem de ser aprofundado, caso contrário dificilmente a situação será melhorada”, opinou Tadeu Oliveira, cuja empresa costuma desenvolver trabalhos de pesquisa no campo esportivo.

Especialista acha que clubes têm que fazer mais

As sementes plantadas pela Copa do Mundo precisam ser bem cuidadas para que possam germinar. Em que pese o executivo de marketing do ABC, Stênio Dantas, acreditar que o ganho de torcedores no estádio pode chegar a casa de 20% no período pós-Copa.  Para Alan Oliveira, responsável pelo marketing da Federação Norte-riograndense de Futebol (FNF), os nossos clubes terão de fazer bem mais do que vêm realizando para conseguir tirar algum ganho real em torno do evento.

Alan Oliveira ressalta que a Copa do Mundo levou ao estádio um torcedor novo, aquele que normalmente não frequenta estádios  em competição estaduais e também nacionais. “Esse público precisa ser trabalhado, cativado para que volte ao estádio. Ele viu que dispõe de uma boa condição de conforto na Arena das Dunas e segurança, mas isso é apenas um complemento. Precisamos transformar nossas partidas de futebol num grande espetáculo, com outras opções nos locais dos jogos e que também sirvam de entretenimento ao público”, avalia.

Stênio Dantas ressaltou que, por enquanto, não existe nenhuma ação específica para tentar capturar essa parcela de 20% de público novo. Ele considera que entre as dificuldades para se atrair a parcela que optou em se “excluir” dos estádios, estão pontos como horários das partidas — algumas são realizadas às 21h50, considerada impróprio principalmente para quem depende de transporte público para se locomover —, bem como a própria questão da insegurança.

“Vamos continuar desenvolvendo nossas ações de telemarketing, que é uma maneira de ligar clube ao torcedor. Nós não temos verba suficiente para realizar anúncios na mídia e temos de brigar com os meios que temos. Mesmo com a derrota do Brasil na Copa, acredito que haverá margem para que ABC e América aumentem seu quadro de sócios. Neste segundo semestre haverão novas procuras, até pelo fato de as equipes estarem vivendo um bom momento no campeonato nacional. Queira ou não, isso interfere diretamente neste tipo de ação”, salienta Stênio.

O consórcio Arena das Dunas adiantou que vai apoiar qualquer que seja as decisões de ABC e América. Através de sua assessoria de imprensa ele diz que trabalha em parceria com as diretorias, que tem inclusive o poder de definir quando e quais partidas irão praticar os preços promocionais de ingressos.

Quanto a criação de área de atração extra ao público, o consórcio informou que o plano de ação para a transação comercial dos espaços da Arena das Dunas já está para ser lançado. O local será preparado tanto para receber um jantar para um número limitado de pessoas, quanto para abrigar shows reunindo até 45 mil espectadores.

Fonte: Tribuna do Norte

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