Vanderlei coleciona mais polêmicas do que títulos no Flamengo.

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A quarta passagem de Vanderlei Luxemburgo pelo Flamengo desde 1991 anuncia uma volta ao começo. Ao contrário das últimas duas, quando perdeu a queda de braço particular com Romário e Ronaldinho Gaúcho, em 1995 e 2012, respectivamente, dessa vez, a ausência de um craque estelar no elenco e a perda de prestígio do técnico atenuam a fogueira das vaidades que deixou marcas na pele rubro-negra de Vanderlei, contemporâneo da geração mais vitoriosa do clube, nos anos 1970/80. Em 182 jogos à frente do Flamengo como treinador, Vanderlei tem aproveitamento de 59,16%, com 89 vitórias, 56 empates e 37 derrotas.

Em sua primeira passagem, Vanderlei ainda era um técnico emergente e o craque do time, Júnior, antes de ser uma ameaça, era seu parceiro desde os tempos de jogador. Qualquer antagonismo já tinha sido dirimido quando os dois chegaram a disputar posição na latetal esquerda. Com a afirmação de Júnior na posição, Vanderlei seguiu seu caminho e deixou o clube pelo qual ainda busca uma grande conquista como treinador.

Depois de levar o Bragantino ao título Paulista de 1990, Vanderlei chegou à Gávea com a autoridade que seria confirmada pelo tempo ao denunciar a defasagem do futebol carioca em relação ao paulista. O empate com o Itaperuna após oito meses, selou a passagem do treinador que se tornaria o maior vencedor do Campeonato Brasileiro, com cinco títulos, sendo quatro por clubes de São Paulo. Em 52 jogos, Vanderlei teve 24 vitórias, 14 derrotas e 14 empates. Sem títulos no período, deixou a base sobre a qual seu sucessor, Carlinhos, construiria o time campeão carioca em 1991 e Brasileiro do ano seguinte.

Já consagrado nacionalmente, Vanderlei voltou ao Flamengo como uma estrela que acabou ofuscada pela chegada de Romário, o craque da Copa do Mundo no ano anterior. Com um elenco milionário e expecativas elevadas pela busca de um título no ano do centenário do clube, o relação entre o técnico e o craque foi sendo empurrada pela mesma barriga com que o tricolor Renato Gaúcho Gaúcho fez o gol que decidiu o Carioca de 1995, em favor do Fluminense, e a briga de egos, em prol de Romário. Em 46 jogos, foram 27 vitórias, dez empates e nove derrotas.

Quinze anos depois, mesmo que a fogueira já tivesse virado cinzas, Vanderlei voltou no papel de bombeiro. Ao pegar o bonde desgovernado rumo ao rebaixamento, clebrou a permanência na Série A e a chegada de Ronaldinho para a temporada seguinte, quando o Flamengo conquistou o Carioca por antecipação e lutou até o fim do Brasileiro para conquistar uma vaga na pré-Libertadores. Quando o time tinha tudo pela frente para consolidar uma mudança de patamar, a vaidade e a política mais uma vez rasgaram a fantasia rubro-negra.

Num momento em que o time precisava de unidade para inciar a temporada, Vanderlei passou a se confrontar publicamente com uma parte da diretoria e a minar silenciosamente sua permanência ao patrulhar as escapadas de Ronaldinho na concentração. Novamente, a diretoria ficou do lado da estrela, que abandonaria o clube de forma litigiosa logo depois. Em sua última passagem, o técnico fez 83 jogos, com 38 vitórias, 32 empates e 14 derrotas.

Sem esconder que é sócio e torcedor do clube, Vanderlei foi à Gávea nas últimas eleições para votar na permanência da diretoria que o demitira. A derrota nas urnas acabou lhe trazendo a chance da redenação. Pelas mãos do grupo político do qual era adversário, o técnico está de volta para tentar outra vez. Depois de tantas experiências fracassadas, só falta o rebaixamento para confirmar a impossibilidade de o treinador ser feliz no clube do seu coração. Como as passagens anteriores foram marcadas pela capacidade de Vanderlei de contrariar todas as expecativas, só resta esperar para que a surpresa, dessa vez, seja positiva. A julgar pela máxima de que o mundo do futebol é um circuito oval, onde quem está na liderança se confunde com o retardário, chegar ao fim é uma forma de celebrar o recomeço.

Fonte: O Globo

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