Interpretação absurda da arbitragem compromete o Brasileiro.

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A arbitragem brasileira nunca passou por um momento tão desmoralizante. Juízes amadores, fracos, inseguros e sem a menor coerência na interpretação das regras do futebol. Mas a indefinição em relação à bola na mão ou mão na bola passou de todos os limites. E tem motivos patéticos.

A Comissão de Arbitragem da Fifa acrescentar a expressão movimento ‘anti-natural’ em relação à bola na mão. Ou seja, quando o jogador movimento o braço de maneira deliberada para ocupar mais espaço. A cúpula da entidade acreditou que tudo ficaria mais fácil para os árbitros.

E mão na bola continuou sendo falta. E bola na mão, não. Em todos os lugares no mundo. Menos no Brasil. A Comissão de Arbitragem da CBF ficou completamente desnorteada com a situação. E venceu o exagero. Os juízes do País foram orientados a não titubear quando a bola tocasse na mão do jogador. Na dúvida se o movimento é ou não anti-natural, eles passaram a marcar faltas ou pênaltis.

De nada adiantavam os protestos de treinadores, jogadores, dirigentes, imprensa. Para a Comissão de Arbitragem, tudo estava normal. A única providência que a CBF tomou foi espalhar um vídeo tentando explicar a nova determinação para os juízes. Ana Paula Oliveira, ex-bandeira que virou celebridade depois de posar nua, se tornou diretora-secretária da Escola Nacional de Arbitragem. E com óculos, imagem recatada, ela tentava explicar o tal termo ‘anti-natural.’ O vídeo foi colocado no ar há seis dias…

A explicação mais complica do que elucida. Tudo ficou muito pior, confuso. Vários e vários jogos, a mesma confusão. Lances claros como bola na mão, viraram pênaltis absolutos no território nacional. Para deixar a situação mais constrangedora, em outros campeonatos pelo mundo, a situação continuava a mesma. Bola que batia no braço de qualquer jogador era desconsiderada. O presidente da Comissão de Arbitragem, Sérgio Corrêa, passou a ser cada vez mais questionado. Inclusive pelo presidente José Maria Marin.

Corrêa insistia que a interpretação brasileira estava correta. Deixava claro que quem questionava é porque nunca foi árbitro. Mas tudo ruiu de vez ontem. O chefe da arbitragem da Fifa, Maximo Busacca, ridicularizou os critérios nacionais. Falou a vários veículos brasileiros. Garantiu que nada mudou.

“Um jogador precisa de sua mão e de seu braço para correr, se equilibrar e saltar. Não se pode jogar sem a mão. O árbitro precisa fazer a leitura correta do lance. Não se pode dar falta a qualquer toque na mão. Isso é um absurdo. O árbitro deve ver se a mão estava no local de forma natural ou não-natural.

“Tem que ser avaliado se o toque (da mão na bola) foi intencional ou não. Quando um jogador tenta fazer seu corpo maior usando a mão, isso deve ser punido. O juiz não pode só pensar como juiz e aplicar o que está escrito. Precisa se colocar no lugar do jogador para entender o movimento.” Ou seja, o critério brasileiro era bizarro.

2reproducao13 Interpretação absurda da Comissão de Arbitragem compromete o Brasileiro. Vários pênaltis inexistentes foram marcados. Marin e Marco Polo estão constrangidos. E o coronel Marcos Marinho pode assumir o comando dos juízes em 2015…

A cobrança foi pesada para Sérgio Corrêa. Ontem mesmo ele correu para apresentar a sua versão dos fatos. E, lógico, tentar isentar a Comissão de Arbitragem. E a CBF. Usou o veículo de comunicação que confia.

“A CBF não deu nenhuma orientação diferente. A CBF apenas reproduziu, através de um instrutor da Fifa, o Jorge Larrionda, árbitros de três Copas do mundo e membro da comissão de arbitragem da Fifa. Em recente curso aqui no Brasil, ele deu orientações no sentido da bola na mão e mão na bola.

“O que nós temos e ouvimos que há essa diretriz. Ela foi ampliada, não é uma mudança na regra do jogo, a lei que trata do assunto continua com o mesmo texto, os mesmos termos. Não é que alterou, agregaram-se informações para que o árbitro pudesse interpretar se foi bola na mão ou mão na bola. Foi isso que aconteceu. A CBF não dá instrução.”

Um curso é que ‘teria mudado’ a visão da Comissão de Arbitragem em relação a lances fundamentais de jogos do Brasileiro, da Copa do Brasil. Ele é instrutor da Fifa. E ‘teria sido levado mais a sério’ por ter apitado a Copa de 2006 e 2010.

Na África, Larrionda não validou gol escandaloso da Inglaterra, depois de chute de Lampard, contra a Alemanha. A bola bateu no travessão e caiu além da linha. Gol legítimo que o uruguaio não validou. Involuntariamente, contribuiu que a tecnologia fosse implementada na Copa de 2014.

Diante das declarações de Busacca para a imprensa brasileira, tudo mudou. A bola na mão voltou a ser bola na mão…

Vários pênaltis inexistentes foram marcados. Marin e Marco Polo estão constrangidos. E o coronel Marcos Marinho pode assumir o comando dos juízes em 2015…

Mas Corrêa não teve tempo de avisar, por exemplo, o árbitro goiano André Luiz de Freitas. Ele marcou um pênalti absurdo ontem a favor do São Paulo. Samir tocou na bola sem a menor intenção e ainda, para piorar as coisas, fora da área. O juiz não quis nem saber. Apontou a marca do cal. Rogério Ceni bateu mal e Paulo Victor defendeu.

Vanderlei Luxemburgo ficou histérico. Foi uma das raríssimas vezes em que estava certo. Até mesmo Muricy admitia que a penalidade dada para o seu time não existiu. Assim como o de Antônio Carlos contra o Corinthians e tantos outros. A classificação do Campeonato Brasileiro foi alterada com essa interpretação absurda. Times ganharam e perderam pontos graças a esses pênaltis inexistentes que foram marcados.

Vários pênaltis inexistentes foram marcados. Marin e Marco Polo estão constrangidos. E o coronel Marcos Marinho pode assumir o comando dos juízes em 2015…

José Maria Marin e Marco Polo del Nero ficaram constrangidos com o que aconteceu. Mas não pretendem de jeito algum tirar Sergio Corrêa da presidência da Comissão de Arbitragem. Não por enquanto. Ele é homem da mais profunda confiança de Marin. Nem tanto de Marco Polo. O dirigente que assumira a CBF em janeiro de 2015 é muito ligado no coronel Marcos Marinho. Não será surpresa se ele ganhar o lugar de Corrêa.

Agora a bola na mão involuntária voltará a não ser absolutamente nada para os juízes. E quantos aos resultados que foram drasticamente mudados com pênaltis inexistentes marcados? Todos vão fazer de conta que nada aconteceu. Assim caminha o futebol brasileiro. Dando vexames em todos os seus segmentos…

Fonte: Blog do Cosme Rimoli

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