A marcha de 40 milhões – parte 4.

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A fé que movimenta cada uma daquelas pessoas não tem explicação, não tem fundamento. Só quem se vê dentre eles, sendo um deles, entende o sentimento que os move. Aquela torcida não tem diferenças. Ali não importa a classe, a raça ou o credo. É aquela massa que faz o coração rubro-negro pulsar!

E com a sequência de trabalho realizada por Vanderlei o Flamengo tornou-se forte. Ele tinha um time com definições táticas bem treinado. Marcação e velocidade. Defesa, meio e ataque com muita garra, sempre procurando o gol com chutes fortes e jogadas ensaiadas. A finalização era apenas o detalhe. Era o gol que balançava a rede com a vibração da Nação…

Não existe mais linhas que separam atletas de torcedores, somos todos uma só Nação…

(Veja aqui a terceira parte da história)

Por Marcelo Coli (@marcelocoli)

O Flamengo é capaz de tudo. É uma força da natureza. Algo que desperta em nós, amor e ódio na mesma quantidade, na mesma dose. Este time não é diferente. Qualidade só existe em lampejos de Eduardo da Silva, Léo Moura e de pasmem Lucas Mugni. De uma hora para outra o contestado (e ainda jovem) argentino passara a ser uma arma secreta importante de Vanderlei.

O jogo estava empatado com um milagre de Alecsandro. Ele que errara tudo até então matou no peito, e fuzilou o goleiro com um estilo Nunesco, implacável. Bola no meio, San Lorenzo dá a saída e recomeça seu toque de bola. Um tik-taka em ritmo de tango. Uma mistura de milonga com flamenco potencializada pela torcida do Sumo Pontífice.

E aos 40 minutos a crônica da tragédia anunciada, João Paulo estava sentindo a decisão. E com o time atacando em direção à rampa da  UERJ, Vanderlei estava longe e não podia orientá-lo de perto. O técnico era lateral esquerdo de origem e sabe os segredos da posição, sabia que algo pior podia acontecer. Em um contra-ataque fulminante, Romagnolli empurra na direita para Mauro Matos. João Paulo, mais uma vez, perdido na marcação com a ajuda patética de Márcio Araújo, atropela o atacante. Pênalti. Léo Moura corre para cima do juiz, a torcida para de cantar. A presença numerosa da Fla-Coxinha transformava a magnética em um misto de plateia de show de rock com torcida de futebol. Os altos preços da final praticados por BAP e companhia renderam milhões aos cofres mas afastaram o torcedor comum. Ou seja, a verdadeira torcida rubro-negra estava em casa. Assistindo pela TV e nesta hora, todos gritaram uma única coisa em todo o Brasil: É Paulo Victor. É Paulo Victor.

Do minuto em que foi marcado o pênalti até a batida se passaram 4 minutos. Vanderlei estava desesperado pedindo para que o time deixasse a penalidade fatal ser cobrada porque ainda havia jogo a ser jogado e ganhar tempo só interessava ao São Lorenzo.

Ortigoza beijou a bola como se dissese: “Me desculpe por lhe maltratar tanto, mas por favor me ajude agora”. Paulo Victor no meio do gol aguardava. E com ele estavam milhões fechando com seus corações a trave rubro-negra.

Narra Luiz Penido:” Ortigoza preparado. Ele contra Paulo Victor e milhões de rubro-negros. É o Papa contra São Judas Tadeu. Um duelo lá no céu. Partiu Ortigoza chutou…”

Milésimos de segundos é o tempo que leva uma bola para chegar ao gol em um pênalti: ou seja uma eternidade.

Luiz Penido Grita para o Brasil: “ Goooooool do Flamengo. Paulo Victor pegou. Paulo Victor pegou. São Judas Tadeu pegou. A nação rubro-negra pegou.”

Ortigoza bateu à meia altura no canto esquerdo. O goleiro do Flamengo fez a defesa em seguida João Paulo complementou chutando a bola no meio da arquibancada.

A torcida enlouqueceu. Foi gol do Flamengo sem ser. E chega o intervalo com Vanderlei comemorando enlouquecidamente. O Time volta para o segundo tempo com Lucas Mugni no lugar de Luiz Antônio. Chegou a hora definitiva. O Flamengo é capaz de tudo.

Continua com o rubro-negro Felipe Foureaux (@foureauxfla)…

Fonte: Falando de Flamengo

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