A fórmula Flamengo.

Nem começa, recalcado. Esse post talvez sirva mais pra você, não rubro-negro, do que pra eles. E não é um dos posts que gosto de fazer fomentando paixão pós jogo e exaltando vitórias. Ao contrário, é um post de dia seguinte onde quero encontrar explicação para que o “momento Flamengo” seja compreendido e, talvez, dele, se tire alguma lição.

Não é básico, nem lógico. Todos querem explicar e juram ter na ponta da língua uma resposta que resuma tudo isso. Mas não tem, e não é fácil assim entender o que está acontecendo. Mas talvez, com algum esforço, possamos tirar disso uma grande lição.

Porque a torcida do Flamengo está indo aos jogos, mesmo os que não valem nada, pagando ingressos caros e com um time que sequer tem um ídolo ou um craque em campo?

“Aqui é Flamengo!”, “É amor!”, ok, ok, ok. Mas vamos aos fatos. Esse amor sempre desapareceu pra qualquer torcida do mundo quando o time vai mal. Apareceram quando o time “precisou”. Ok, já vi também em muitos casos.

Mas porque ficaram?

O Flamengo não está ameaçado de rebaixamento há muito tempo. Os jogos não são decisivos, os adversários não são confrontos diretos, o foco é na quarta-feira e não no domingo. E os caras estão metendo sequencialmente de 30 a 40 mil pessoas por jogo.

Tem alguma coisa aí que não conseguimos enxergar ainda.

Não é promoção, nem a qualidade do espetáculo, nem o estádio, nem um ídolo. Ou seja, estamos falando de um caso raro, talvez único, onde conseguiu-se fazer a torcida ir ao estádio, pagar o que o clube quer, não oferecer um grande time, nem mesmo um grande objetivo.

Qual é a mágica do que está acontecendo?

Não levem pro lado delirante e delicioso da paixão. Quero encontrar razão, não “rubro-negrismo”. Esse já conheço, é fato, é lenda, é história.

Talvez nesse misterioso pacote que está fazendo uma torcida viver um time “mediocre” aos domingos em busca de porra nenhuma seja o grande ponto que não encontramos ainda. O que de fato quer o torcedor brasileiro?

Um grande jogo, um grande rival, um grande time, um preço barato, um estádio confortável?

Não me diga “todos”. Porque destes, o Flamengo não tem nem um grande time, nem preços, nem está lotando contra grandes rivais. Estão indo por hábito, criando uma rotina de estar no Maracanã pra ver o Flamengo jogar, desde que…?

Desde que…?

Essa é a pergunta. E aqui, enquanto discutem “fla press”, “Flamengo é Flamengo”, entre outros, temos um ponto que pode mudar o futebol brasileiro e a relação torcida/clube.

Não esperem um final de post conclusivo. Pois não tenho a conclusão. Tenho a dúvida, e a compartilho aqui na esperança de encontrar uma tese mais aceitável do que “Flamengo é Flamengo”.

Até porque, com outros times melhores do que esse, disputando posições melhores que a décima, a ingressos mais baratos, cansamos de ver o Maracanã vazio.

Esse time/fase tem algo. E é preciso descobrir o que é.

Fonte: Blog do Rica Perrone

Coluna do Flamengo

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