Cinco incógnitas no ‘caso Héverton’, da Portuguesa.

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As investigações sobre a perda dos quatro pontos da Portuguesa na última rodada do Campeonato Brasileiro do ano passado –e o seu consequente rebaixamento para a Série B– ainda está longe de terminar. Ela é feita em duas frentes: pelo Ministério Público de São Paulo, que abriu um inquérito civil em janeiro de 2014, e pela própria Portuguesa, que trabalha em uma investigação interna. Nos dois casos, as investigações até agora são inconclusivas, ainda que haja indícios de má gestão dos dirigentes do clube nesse caso específico. Saiba o que está para acontecer nos próximos meses:

1) MP investiga responsabilidades

O inquérito civil instaurado em janeiro de 2014 para investigar o julgamento do Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) e as punições aplicadas em razão da escalação dos jogadores Héverton, da Portuguesa, e André Santos, do Flamengo, na rodada final do Campeonato Brasileiro da Série A de 2013, não tem a Portuguesa (instituição) como investigada. A promotoria identificou possível responsabilidade dos seus dirigentes pelos prejuízos causados aos torcedores do clube, o que está sendo objeto de apuração. A instituição, em si, é considerada como vítima no inquérito. À época, a Portuguesa era presidida por Manuel da Conceição Ferreira, o Manuel da Lupa. As investigações estão em andamento e ainda não há uma conclusão sobre o que aconteceu.

2) Portuguesa cobra Da Lupa

A Portuguesa aguarda ouvir Manuel da Lupa para concluir a investigação interna comandada pela Comissão de de Ética do clube. Da Lupa foi convocado em diversas ocasiões, mas nunca compareceu. Ele alega problemas de saúde para não ir ao Canindé. A comissão pretende propor mais três datas para que ele dê explicações sobre o que ocorreu. Caso contrário, vai concluir a investigação sem a palavra de Da Lupa. Caso o ex-presidente se omita novamente, o Conselho tomará as providências para que a Comissão exponha os fatos e encaminhe o caso para apreciação do Conselho, que irá concluir o processo e colocar em votação possíveis punições aos envolvidos no “Caso Héverton”. Da Lupa recorreu à Justiça para garantir os direitos constitucionais de contraditório e ampla defesa. O caso está em juízo.

3) Existe dinheiro? Onde está?

Dentro do Ministério Público, o Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado) investiga a movimentação financeira de pessoas que poderiam ter interesse no rebaixamento da Portuguesa, dentro e fora do clube. Pelo menos 12 pessoas estão nessa situação. Para se chegar a uma conclusão se houve suborno, é necessário rastrear o dinheiro que teria sido envolvido no possível esquema. Nessa linha de investigação, trabalha-se com a possibilidade de o dinheiro estar fora do país. Paraísos fiscais como as Ilhas Cayman, no Caribe, ou Punta del Este, no Uruguai, estão no radar. Nesse caso, a investigação ligaria as duas pontas, entre corruptos e corruptores.

4) E os empréstimos do Banif?

Durante a investigação, pelo menos um crime foi identificado pelo Ministério Público, envolvendo as movimentações financeiras do Banif (Banco Interamericano do Funchal) -ex-patrocinador de camisa do clube– e o ex-presidente Manuel da Lupa, que teria tomado empréstimos em seu nome para administrar financeiramente a Portuguesa. No início do ano passado, o banco entrou na Justiça para executar uma dívida de R$ 42,8 milhões contraída por Da Lupa. O ex-presidente sempre negou que tomou empréstimos em seu nome para administrar a Portuguesa e diz que a dívida é do clube. Por conta dessa dívida, Da Lupa está com os bens de sua empresa imobiliária bloqueados pela Justiça.

5) Quem será ouvido?

Apesar de estar contribuindo com a Justiça, a Portuguesa ainda não apresentou toda a documentação solicitada pelo Ministério Público para a investigação. Há algum tempo, o promotor Roberto Senise Lisboa requisitou ao clube a ata da reunião suspendeu preventivamente Manuel da Lupa do clube por 90 dias, ocorrida em agosto. Na semana que vem, o Leandro Teixeira Duarte, que coordena a Comissão de Ética e Disciplina do Conselho Deliberativo da Portuguesa, e que participa da investigação interna que o clube promove para apurar as responsabilidades no caso, será ouvido pelo Ministério Público. Outras audiências estão marcadas para fevereiro do ano que vem.

Fonte: UOL

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