Um Flamengo no limite.

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Voltemos ao dia 20 de julho. Um Flamengo sem rumo acabara de perder por 4 a 0 para o Internacional. Naquele instante, qualquer torcedor, dirigente ou até jogador assinaria na hora, sem hesitar, um documento que garantisse ao time a fuga do rebaixamento com alguma tranquilidade e uma caminhada na Copa do Brasil com prazo de validade até a semifinal. O acordo pareceria vantajoso.

Só que estamos falando de futebol. Aquele esporte bacana que aproxima piores e melhores, das decisões imprevisíveis. E estamos no Brasil, terra em que as diferenças são ainda mais tênues. Verdade seja dita, poucos imaginariam que o raio fosse cair outra vez no mesmo lugar e que o fim da linha do rubro-negro na Copa do Brasil fosse ter tantos requintes de crueldade.

Onde se quer chegar? Na constatação de que o Flamengo foi ao seu limite. Poderia até ter eliminado o Atlético-MG, time mais forte do que o rubro-negro, assim como eram mais fortes os outros dois semifinalistas da Copa. É o que indica a tabela do Brasileiro. Mas superar o rival seria da natureza do jogo, da natureza dos confrontos entre grandes, parte da rotina de um futebol nivelado como o brasileiro. Mas no fundo, decisões erradas à parte, o que faltou foi elenco. Algo que se constatava havia meses. O ano acabou saindo melhor do que a encomenda para o Flamengo.

Vanderlei Luxemburgo já perdera Alecsandro, depois ficou sem Leonardo Moura e Gabriel. Podia ter evitado a substituição de Nixon? Sim, era o único homem de velocidade que lhe restava. Poderia ter outra opção que não fosse Mattheus? Poderia, afinal quase não lançara mão do jovem meia, que entrou num jogo de alta rotação após meses de quase inatividade. Mas, convenhamos, as escolhas erradas foram feitas em meio a um cardápio pouco convidativo.

Vanderlei escolheu Mattheus, Luiz Antônio e Elton no fatídico segundo tempo do Mineirão. Além deles, tinha Marcelo, Samir, Frauches, Muralha, Amaral, Mugni e Igor Sartori. Questão de gosto enxergar, nesta relação, um nome que pareça, a um ou outro observador, opção melhor do que as usadas. Raro mesmo é enxergar um nome que garantisse um impacto no rumo do jogo. Seja por qualidade técnica ou por experiência.

O fim de semana demarca o início de uma sequência de “quase amistosos” para o Flamengo. Um laboratório para 2015. O clube faz bem em não se desviar do caminho traçado, que faz do equilíbrio financeiro o fundamento básico. Por anos, ouviu cobranças para que o fizesse. Mas dívidas à parte, compromissos do passado à parte, tem orçamento e dimensão suficientes para ser mais competitivo, planejar melhor, sonhar mais alto.

E aí talvez, em 2015, o tal documento proponha acordos mais atraentes.

Fonte: Blog do Mansur

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