Antes movido pela imoralidade, Fla se tornou exemplo.

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Malandragens, egos inflados e falta de preocupação com a gestão seguinte. Este foi o panorama do Flamengo por anos e anos. O esforço que alguns dos antigos dirigentes faziam para colocar o clube no vermelho, na tentativa de agradar à torcida com contratações estratosféricas e loucuras administrativas, era notório, imoral. O Flamengo era uma espécie de corpo repleto de sanguessugas, após banhos de cachoeiras desconhecidas. Era uma fonte de água doce entregue nas mãos de quem merecia o sal do mar morto. Louvemos a atual diretoria, rica em seu pensamento íntegro demostrado até o momento, com política econômica e pés no chão. Em tempos de lucidez, foi perceptível enxergar a olho nu, que não está fácil pra ninguém e que está ruim pra todo mundo, Flamengo é exceção.

Ao assumir a presidência do rubro-negro, no fim de 2012, Eduardo Bandeira de Mello, disse algo que há muito tempo não via um dirigente de futebol falar sem ser da boca pra fora, ou por mero discurso: “há argumentos éticos e morais para pagar impostos. Temos 40 milhões de torcedores. Devemos dar exemplo”. E os exemplos dados até aqui, não deixam mentir. Depois de alguns dias de gestão, foi provado que a rapadura no clube não era tão doce e medidas drásticas deveriam ser tomadas, a começar pelo afastamento de Vagner Love. O gesto, além de seu necessário efeito prático para reduzir despesas, foi simbólico e exemplar: os cortes não afetariam somente pedaços desnecessários de gordura, iriam e foram além. O rombo encontrado, após auditorias no clube, foi grande e nem o rubro-negro mais pessimista, poderia imaginar que o clube devia 750 milhões de reais.

O Flamengo precisava de ajuda. Caso não pagasse 40 milhões de reais a Procuradoria da Fazenda Nacional, para apenas começar as negociações, o clube quebraria em 6 meses. Este valor garantiu ao clube as CND – Certidão Negativa de Débito –, liberou penhoras e possibilitou patrocínios. Digamos que o Flamengo está na UTI, mas respirando sem ajuda de aparelhos, o que é um passo importante rumo à recuperação.

Entre um remédio e outro, veio a Copa do Brasil, em 2013, e o Campeonato Carioca, em 2014. São pequenas sobremesas em meio aos antibióticos diários. Doença não se cura de dia pra noite, é um processo, um caminho, um trabalho. Torcida deve ter paciência, aguardar como uma mãe espera um filho em recuperação do vício das drogas, com amor e carinho.

Crédito, é tudo que a atual diretoria merece. É como se a mesma estivesse levantando o Flamengo da mesma forma que um capitão levanta a taça de campeão em comemoração de um importante campeonato. Uma vitória após muitas derrotas disfarçadas. Que venha 2015.

Fonte: O Fluminense

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