Confira os 7 pecados dos cariocas na temporada 2014.

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Pela primeira vez nos últimos 15 anos, os clubes do Rio de Janeiro ficaram sem nenhum jogador na seleção Bola de Prata do Campeonato Brasileiro – a última vez que isso tinha acontecido foi em 1999. Desde então, pelo menos um atleta de um dos quatro grandes cariocas figurava entre os 11 melhores do país na premiação da Revista Placar em parceria com a ESPN Brasil.O único alento desta vez foram os dois troféus de Fred, um como artilheiro da disputa nacional, com 18 gols, e outro de Chuteira de Ouro.

O ano de 2014, de fato, não foi bom para nenhum dos times do Rio. O Botafogo foi eliminado na primeira fase da Libertadores e rebaixado para a Série B do Brasileiro, enfrentando graves problemas financeiros fora de campo. O Flamengo também caiu na fase de grupos do principal torneio sul-americano e frequentou o Z-4 do campeonato nacional no primeiro turno, tendo três treinadores diferentes durante a temporada.

O Fluminense saiu da Copa do Brasil nas oitavas de final após uma frustrante goleada para o América-RN, por 4 a 1, em pleno Maracanã e não conseguiu a vaga na Libertadores, mesmo com um bom time e uma parceira forte. E o Vasco, apesar de ter voltado à Série A do Brasileiro, fez campanha irregular e terminou na terceira colocação da Segunda Divisão, em um ano com muita briga política.

Com os quatro clubes cariocas já pensando no planejamento para 2015, o ESPN.com.br listou os 7 pecados capitais de cada um dos times em 2014. Falhas de planejamento, erros de gestão, problemas dentro e fora de campo ou situações, muitas vezes inesperadas, que acabaram sendo cruciais para o ano ruim para o futebol do Rio de Janeiro.

Confira os 7 pecados capitais de cada clube carioca em 2014:

– BOTAFOGO

1 – Planejamento equivocado para ano especial

Após ficar 18 anos fora da Libertadores, o Botafogo fez péssimo planejamento para 2014. A equipe deixou escapar seus principais nomes, fez contratações de gosto duvidoso, como Jorge Wagner, Tanque Ferreyra e Zeballos e escolheu um técnico novato para comandar a equipe: Eduardo Hungaro, da base alvinegra, que fez péssimo trabalho e acabou sendo “rebaixado” de volta a auxiliar.

 2 – Engenhão fechado

Após o fechamento do Engenhão em 2013 por problemas estruturais na cobertura, o Botafogo ficou sem o seu estádio para a disputa da Copa Libertadores de 2014. Sem obter sucesso nas negociações e às voltas com problemas com a Prefeitura do Rio de Janeiro, a equipe continuou sem sua principal fonte de receitas durante toda a temporada.

3 – Saída de atletas importantes

O time que se classificou para a Copa Libertadores em 2013 após 18 anos se esfacelou. O craque do time, o holandês Seedorf, se aposentou. Após as saídas dos meias Andrezinho, Fellype Gabriel e Vitinho, ainda no meio do ano, os atacantes Rafael Marques e Elias deixaram o clube mesmo com a classificação para o torneio continental, enfraquecendo o grupo.

4 – Derrota para Union Española no Maracanã

Mesmo com a pífia campanha no Cariocão e um time mais fraco em relação ao ano anterior, o Botafogo vinha bem na Libertadores. Uma vitória simples sobre o Union Española, no Maracanã, daria a classificação antecipada ao Glorioso. Desfalcada, com péssima atuação e um erro de arbitragem, entretanto, a equipe perdeu a partida para os chilenos e acabou eliminada na primeira fase após mais uma derrota, para o campeão San Lorenzo, no Nuevo Gasómetro.

5 – Salários Atrasados e crise financeira

As finanças foram o grande problema do ano no Botafogo. Com os cofres combalidos, salários atrasados e fora do Ato Trabalhista, os jogadores fizeram protestos durante toda a temporada. Para piorar, o presidente Maurício Assumpção não pagou uma série de impostos esperando o perdão fiscal e tornou o Botafogo um dos maiores devedores do futebol brasileiro.

6 – Afastamento de atletas

Um dia antes do jogo chave contra o Vitória, pela 27ª rodada do Brasileirão, o presidente Maurício Assumpção anunciou o afastamento de quatro titulares: o atacante Emerson Sheik, o zagueiro Bolívar e os laterais Edílson e Júlio César, sem maiores explicações. Sem suas lideranças, o Botafogo degringolou na competição.

7 – Política em crise e clube sem comando

Bombardeado por todos os lados e acusado de ser o grande problema do Botafogo, o presidente Maurício Assumpção deixou o Glorioso totalmente sem comando. Em ano de eleição e com um caos político instaurado em General Severiano, o diretor de futebol Wilson Gottardo e o técnico Vagner Mancini se viram isolados, e a equipe não tinha forças para se livrar do momento ruim.

– FLAMENGO

1 – Saída de Elias e ‘ilusão’ pelo título da Copa do Brasil de 2013

A diretoria confiou demais no time campeão da Copa do Brasil em 2013. Superando suas limitações e com muita garra, a equipe se deu bem no mata-mata, mas fazia péssimo Brasileirão e evidenciava suas fraquezas. O time foi pouco reforçado para a disputa da Libertadores e ainda perdeu seu principal jogador: o volante Elias, que voltou para o Corinthians.

2 – Ausência de um meia criativo para organizar o time

Sem Elias e com Elano e Carlos Eduardo no meio de campo, o Flamengo tinha muitos problemas na armação. O argentino Canteros mostrava qualidade, mas não era o meia cerebral que a equipe necessitava. A ausência de um camisa 10 fez o time sofrer em muitas partidas.

3 – Eliminação na 1ª fase da Libertadores

Com um time fraco e tendo más atuações, a equipe sofreu três derrotas, não conseguiu desbancar o líder Bolívar no Maracanã, perdeu as duas para o vice-líder León e caiu na primeira fase, iniciando mal o ano modorrento do Rubro-Negro.

4 – Erros de planejamento e demissão de Jayme de Almeida

O ano de 2014 começou o Flamengo parecia contente com a classificação que obteve no último Brasileirão, quando lutou contra o rebaixamento. Poucas mudanças foram feitas e o técnico Jayme de Almeida sofria com o desgaste pela insistência com veteranos como André Santos, Elano, além de meninos como Muralha e Recife. O treinador, cria da casa, não foi prestigiado e a decisão se mostrou equivocada.

5 – Contratação de Ney Franco e intertemporada desperdiçada

Depois da saída de Jayme de Almeida, a diretoria contratou o técnico Ney Franco, que teve péssimo desempenho. O treinador ficou apenas sete jogos no comando do Flamengo, não conseguiu nenhuma vitória, perdeu quatro vezes e empatou três. Com isso, o time desperdiçou o trabalho que poderia ser feito no período de treinamento na intertemporada, durante a pausa para a Copa do Mundo.

6 – Seguidas trocas no comando do futebol

O clube iniciou a temporada com Wallim Vasconcellos como vice de futebol e no Paulo Pelaipe no cargo de diretor. Mas a pressão política no clube obrigou a uma mudança antes da parada para a Copa do Mundo. Wallim deu lugar a Alexandre Wrobel e Pelaipe saiu para a entrada de Ximenes. Ainda no fim de 2014, o próprio Ximenes deixou o clube por ter pouco respaldo. Rodrigo Caetano assumiu em seu lugar.

7 – Demora para as dispensas de André Santos e Elano

Muito criticados pelos torcedores e já veteranos, André Santos e Elano ainda ocupavam grande espaço na folha salarial. Parte da diretoria pedia a saída de ambos na parada para a Copa, mas a cúpula ainda discutia o assunto. Logo após o retorno ao Brasileiro, os resultados continuaram ruins e com ambos se arrastando em campo. Com dois meses de atraso, Elano e André Santos deixaram o Flamengo e o goleiro Felipe foi afastado.

FLUMINENSE

1 – Escolha de Renato Gaúcho

Pressionada pela patrocinadora, a diretoria tricolor aceitou a imposição de Renato Gaúcho para técnico do clube desde o ínicio do ano. A escolha se mostrou equivocada, pois, em 18 jogos no comando do Fluminense, o treinador não conseguiu dar padrão ao time.

2 – Planejamento equivocado no começo do ano

Se a volta de Conca e a contratação do destaque da última temporada no futebol brasileiro, Walter, foram contratações de peso, ficou faltando suprir as deficiências do time: a zaga ganhou o reforço de Henrique apenas no meio do ano, as laterais tinham reservas com baixa qualidade e a diretoria não conseguiu acordo com um parceiro de velocidade para Fred.

3 – Falta de um atacante de velocidade

Durante mais um ano, o Fluminense flertou com velocistas para o ataque e não contratou nenhum. Desde a saída de Wellignton Nem, em 2013, a equipe não tem um jogador com as mesmas características, complementares ao artilheiro Fred. O próprio Nem, além de Osvaldo, Dentinho e Maicon ‘Bolt’ foram tentados, sem sucesso.

4 – Pausa para Copa do Mundo e queda de Walter

O time tricolor vinha em boa fase até a pausa para a Copa do Mundo. Walter, visivelmente mais magro e entrando em forma, tinha grandes atuações no lugar de Fred, servindo à seleção brasileira. Na pausa para a Copa, o jogador não conseguiu manter a forma e após a volta, caiu de rendimento e nem sequer marcou gols pelo Fluminense.

5 – Lesões na defesa

A sempre criticada defesa tricolor estava se acertando com Henrique ao lado de Gum. O time chegou a ficar cinco jogos sem levar gols, até que pouco depois, os dois titulares sofreram sérias lesões. Bruno e Carlinhos, titulares nas laterais, perderam muitos jogos pelo mesmo motivo e até Diego Cavalieri sofreu com contusões.

6 – Indefinição da parceria com Unimed e discussões sobre premiação

A indefinição sobre a continuidade da parceria com a Unimed para 2015 (que acabou tendo fim mesmo) afetou diretamente a equipe no segundo semestre de 2014. Renovações de contratos ficaram indefinidas, as dificuldades financeiras fizeram salários atrasarem, e atletas demonstraram insatisfação. Sempre com um forte investimento da Unimed, o elenco tricolor se acostumou a gordas premiações por vitórias e conquistas. Com a torneira fechada, houve crises internas pela falta de pagamento dos “bônus” em meio ao Brasileirão, gerando desgaste e má fase técnica. Desde que os problemas se intensificaram, o Fluminense foi ladeira abaixo na competição.

7 – Elenco ‘curto’ e mexidas erradas

Sem muitas opções no banco de reservas, o técnico Cristóvão Borges apostou pouco nas divisões de base: apenas Marlon e Kenedy foram utilizados. Além disso, o treinador, antes elogiado, passou a ser questionado por mudanças durante as partidas. Foi normal durante a temporada que o Flu começasse bem o jogo e após as modificações, caísse de produção.

VASCO

1 – Briga política no processo eleitoral para presidente

Mais uma vez o Vasco se viu em meio a um caos político, com a mesma personagem central: Eurico Miranda, principal candidato da oposição ao presidente Roberto Dinamite. Na Série B e com problemas financeiros, o ídolo vascaíno era alvejado com uma enxurrada de críticas de todas as partes e as disputas envolvendo Eurico e os candidatos Roberto Monteiro (ligado à organizadas do clube) e Júlio Brant (apoiado por Edmundo) marcaram o 2014 cruzmaltino.

2 – Salários atrasados e crise financeira

Como vem acontecendo com frequência nos últimos anos, o Vasco atrasou salários e fez os jogadores entrarem em rota de colisão com a diretoria. A crise financeira que se iniciou em 2011 cobrava ainda mais dividendos do clube, que sofria com penhoras e nome sujo para solucionar seus próprios problemas. Os cofres combalidos de São Januário culminaram na montagem de um elenco fraco que nem sequer conquistou a Série B em 2014.

3 – Ausência de um atacante goleador

O Vasco sofreu durante todo o ano com a ausência de um homem gol. Edmilson fez bom Cariocão, mas depois teve poucas chances na Série B. Kleber Gladiador, contratado como solução, decepcionou e o jovem Thalles, apontado como grande revelação, apesar de lampejos de bom futebol, não deslanchou. A equipe terminou a Série B com o meia Douglas como artilheiro, com nove gols, e o zagueiro Douglas Silva, com cinco gols, na vice-artilharia do time.

4 – Troca de treinador e falta de sequência de uma equipe

O técnico Adílson Baptista resistiu à queda para a Série B em 2013, mas não foi forte para se manter no cargo após uma goleada vexatória por 4 a 0, em São Januário, para o Avaí. A mudança de técnico trouxe o velho conhecido Joel Santana para comandar o Gigante da Colina, e as mudanças no meio da competição foram muitas: poucas vezes o Vasco repetiu a escalação e teve um padrão em campo.

5 – Torcida organizada rachada e com influências políticas

Com parte da torcida carente de um Vasco forte e querendo a volta de Eurico Miranda, além das organizadas apoiando o candidato Roberto Monteiro, houve uma série de brigas e desavenças em São Januário durante a temporada. Influenciados pela política que estava em ebulição no clube, os torcedores não apoiaram tanto o cruzmaltino em um momento difícil, como fizeram em 2009.

6 – Perda do título carioca com gol irregular aos 45 do 2º tempo

O Vasco começava bem o ano e após eliminar o Fluminense nas semifinais do Carioca, chegou à final do campeonato para enfrentar o Flamengo, que tinha a vantagem de ser campeão com dois empates. Após igualdade em 1 a 1 no primeiro jogo, a segunda partida ficou marcada por um gol irregular aos 45 minutos do segundo tempo, de Márcio Araújo, que estava impedido no lance, mas decretou novo 1 a 1 e o título rubro-negro. O erro de arbitragem revoltou jogadores, torcedores e diretoria, que chegou a pedir a anulação dojogo, causando a primeira polêmica do ano e dando um baque no time.

7 – Ausência de um ídolo em campo

Se nos anos anteriores o Vasco tinha uma referência em seu quadro titular, como Dedé, Juninho e Felipe, em 2014, na Série B, o cruzmaltino sofreu com a ausência de um ídolo. O uruguaio Martín Silva e o argentino Guiñazu foram alçados ao papel, mas sem o mesmo carisma e qualidade técnica dos anteriores não foram o ponto de equilíbrio da equipe em campo. Os candidatos ao papel, como Douglas e Kleber, decepcionaram.

Fonte: ESPN

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