A necessidade de os clubes brasileiros terem estratégias.

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Lancenet – Nos dias atuais, as organizações que buscam ser competitivas devem possuir uma estratégia para prosperarem. A estratégia diz respeito a se definir o que se pretende ser, aonde se quer chegar e como se pretende chegar lá.

Não basta, para as organizações, terem uma estratégia. É preciso que ajam, no dia a dia, de forma coerente com o que se decidiu a partir da estratégia. É melhor ter uma estratégia mediana bem executada, do que uma estratégia sofisticada mas em que não se procede as ações compatíveis.

Os clubes brasileiros possuem deficiências tanto para definirem estratégias, como para executá-las. Talvez isso explique, pelo menos em parte, a penúria financeira a que estão submetidos.

Michael Porter, notório professor de Estratégia Empresarial da Universidade de Harvard e das maiores autoridades no assunto em todos os tempos, define três tipos de estratégias possíveis para uma organização:

– Liderança em custos, onde se busca reduzir gastos operacionais, para se ter custos por unidade baixos e, com isso, ter-se preços competitivos. É uma estratégia bem adequada a vendas para grande quantidade de consumidores, e poderia ser adotada por clubes de massa brasileiros. Flamengo e Corínthians são exemplos.

– Diferenciação, onde os gastos operacionais são altos devido ao capricho em se construir diferenciais, logo os custos por unidade são altos e, com isso, os preços são elevados. É uma estratégia bem adequada a vendas menores para uma elite qualificada financeiramente, e poderia ser adotada por clubes brasileiros com torcidas de alto poder aquisitivo, caso de Fluminense e São Paulo.

– Enfoque, que é a estratégia voltada para segmentos específicos, nichos de mercado. Uma possibilidade é enfocar grupos de consumidores com características sociais próprias. É uma estratégia bem adequada a clubes brasileiros com fortes torcidas em colônias, como o Vasco da Gama e a colônia portuguesa e o Palmeiras e a colônia italiana. Outra possibilidade é enfocar grupos de consumidores por mercados geográficos. É uma estratégia bem adequada a clubes brasileiros com torcidas relevantes em determinadas áreas geográficas, caso do Botafogo (zona Sul carioca) e Santos (Baixada Santista).

Mas, a pergunta que não quer calar é: até que ponto os clubes brasileiros praticam estas estratégias? Ou, até que ponto praticam estratégias diferentes destas? Ou, até que ponto praticam uma estratégia qualquer?

A impressão que se tem é que os clubes brasileiros simplesmente não têm estratégia. E, consequentemente, os maus resultados técnicos e financeiros são uma decorrência disso.

No desenho “Alice no País das Maravilhas”, o gato pergunta a Alice onde quer ir. Com a resposta de Alice, dizendo que não sabe, o gato retruca, então, que qualquer caminho serve. Com efeito, para os clubes brasileiros, qualquer caminho parece servir. Geralmente, o caminho, que pode ser qualquer um, leva, invariavelmente, a lugar algum.

* Luis Filipe Chateaubriand é Consultor de Conteúdo do Bom Senso Futebol Clube e Professor de Estratégia Empresarial

Ver comentários

  • Quando se diz que uma empresa tem perfil popular está se dizendo que seu público consumidor tem baixo padrão financeiro. Quando se diz que o Flamengo é popular está se dizendo que é o líder em torcida em todas as classes sociais, o que é bem diferente. O texto peca ao concluir que o Flamengo possui uma torcida de baixo padrão financeiro, logo a estratégia sugerida está errada. O correto é desenvolver estratégias para cada classe e aproveitar o potencial de toda a torcida e não apenas de parte dela.

  • Em verdade, o Fla explora todos as estratégias. Explora nichos específicos (principalmente geográficos), com jogos lucrativos por BSB, Manaus etc…. Buscou redução dos custos operacionais em 2014 e focou na diferenciação (preço ingressos, ST etc)

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