Globo Esporte – A rivalidade entre Botafogo e Flamengo viveu momentos distintos nos últimos anos, com a freguesia indo de um lado a outro em questão de poucos anos. Após o Rubro-Negro sofrer na mão do rival ao final dos anos 90 e início dos 2000, a sorte virou de lado a partir da campanha que rebaixou o Alvinegro em 2002, e, entre o triunfo por 2 a 0 naquele Brasileiro até o final da década passada, o time da Gávea venceu 13, empatou outras 13 e perdeu apenas três vezes em 29 jogos oficiais. Só que, desde 2010, a situação voltou a mudar, e agora o equilíbrio tem dado o tom do confronto.
Quando começou 2010, o Botafogo, não bastasse o retrospecto altamente negativo, vinha de três vices seguidos diante do rival e, para piorar, tinha que aturar o título brasileiro da geração liderada por Petkovic, Adriano e companhia em 2009. Para dar fim a um incômodo jejum de 10 jogos sem vencer o Flamengo, o time à época comandado por Joel Santana contou com gols de Marcelo Cordeiro e Caio Canedo para vencer por 2 a 1 e acabar com a seca). De quebra, avançou à final da Taça Guanabara – posteriormente seria campeão carioca ao derrotar o mesmo rival na decisão da Taça Rio. Mas isso é outra história.
Fato é que, apesar do recente rebaixamento em 2014 e da dolorosa derrota por 4 a 0 na Copa do Brasil do ano anterior, o Botafogo engrossou o caldo diante do Flamengo. Desde o início da década, os dois times duelaram 21 vezes em jogos oficiais. Foram 10 empates, seis vitórias rubro-negras e outras cinco alvinegras. O volante Marcelo Mattos chegou a General Severiano em meados de 2010 e, diante da possibilidade de deixar o confronto empatado, mostrou todo o cuidado para não perder o clássico.
– Para mim, é bom demais enfrentá-los. Na rodada passada, contra o Nova Iguaçu, estava pendurado e tinha uma preocupação de ficar fora desse jogo. O Maracanã vai estar cheio. Todos gostam de participar de clássicos assim – disse Marcelo Mattos, que, ao lado de Jefferson, Jobson e Gilberto, é um dos poucos jogadores alvinegros que já atuaram no clássico.
Se o Flamengo mandou no clássico por alguns anos, o oposto também aconteceu. De maio de 1999 até a véspera da vitória rubro-negra que colaborou para o rebaixamento alvinegro em 2002, foram 13 jogos oficiais. O Botafogo levou a melhor em nove deles, empatou três e perdeu apenas um. Um retrospecto e tanto.
Em se tratando de um clássico, alguma hora essa freguesia teria que terminar, e foi no pior momento para o Botafogo. Com mais cinco rodadas para fugir do rebaixamento, o time de Ivo Wortmann perdeu por 2 a 0 para um Flamengo que tinha Felipe Melo e também lutava contra a degola, não conseguiu mais se reerguer e pegou a freguesia das mãos adversárias. Apesar de alguma semelhança com o passado, já que o clube de General Severiano está de volta à Série B, os Alvinegros vão encarar o rival de igual para igual, sem maiores temores.
– Para a gente é normal. Vamos jogar contra uma equipe que disputa a primeira divisão. Se vencermos, isso vai dar confiança para o torcedor. Vamos ter que suar muito – disse Marcelo Mattos.
O experiente volante alvinegro tem motivo para estar confiança. Com cinco vitórias em seis jogos, o invicto Bota lidera o Campeonato Carioca com 16 pontos – dois a mais que o vice Flamengo. Os dois rivais escrevem um novo capítulo do clássico, neste domingo, às 16h, no Maracanã.
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