
Kleber Leite – Não tomei conhecimento da venda antecipada para o clássico de domingo, porém aposto todas as minhas fichas que o público será excepcional. Quem é Flamengo está saudoso de um grande clássico. Quem é Botafogo, idem. O Botafogo é o líder do campeonato. O Flamengo, o vice-líder e, quem vencer fica com a liderança e com a estrada pavimentada para a fase aguda da competição. Os últimos resultados dos dois times animam e empurram os torcedores para o Maracanã. O movimento de paz, no dia dos 450 anos do nosso Rio, é altamente positivo e também leva as famílias para o estádio. Aliás, bela a iniciativa de Rene Simões na carta aberta dirigida à torcida do Botafogo. Sempre achei o Rene Simões preparado, competente e carismático, e confesso não entender como não está ele num patamar mais elevado como treinador de futebol. Estes movimentos são positivos, e tem influência sim, junto à grande massa torcedora. Se não estou equivocado, em 2009, na antevéspera de uma decisão com o Botafogo, tivemos a feliz ideia de promover um almoço no Restaurante Mister Lam, do Botafoguense Eike Batista, que inclusive pagou a conta, reunindo diretorias, comissões técnicas e jogadores de Flamengo e Botafogo. A mensagem simples de que há uma enorme diferença entre rivalidade e inimizade, foi perfeitamente captada pelos torcedores. A decisão transcorreu na maior paz e, apenas como detalhe, o Flamengo foi campeão.
Há um favorito? Acho que não. Num clássico, por melhor que seja o momento de algum time, jamais há favoritismo. A tradição não deixa. Lembro de um Flamengo e Botafogo, no Maraca, em que o Fla tinha um time apenas razoável, e o Botafogo, um timaço. Elba de Pádua Lima, o Tim, era o treinador do Flamengo. Colocou um jogador chamado Luiz Claudio em cima de Paulo César Caju e acabou com o time do Botafogo. Quem apontava o Bota como favorito, viu a zebra passear de vermelho e preto. Este, para quem é Flamengo foi um jogo marcante. Por falar nisso, para mim, em se tratando deste clássico, os mais marcantes foram, o que acabo de citar; os 3 X 0 que Garrincha, genial, impôs ao Flamengo em 62, quando Gerson foi escalado na ponta esquerda… Sem comentários… até em respeito a quem mais não está aqui entre nós. Vi este jogo com meu pai no setor quatro do Maracanã. Saímos atordoados…
Os 6 x 0, com o sexto gol de Andrade, com a camisa 6, para quem é Flamengo, um porre de felicidade. E finalmente, as conquistas que redundaram no penta-tri-campeonato em cima do Botafogo, e com direito a ser campeão na disputa de pênaltis.
Clássico com C maiúsculo. Uma tonelada de tradição… Não dá pra não ir.
Dúvidas
Antes de passar as minhas dúvidas, não posso deixar de registrar o quão agradável e gratificante tem sido ler os comentários dos companheiros, que na realidade comigo dividem este blog. Confesso que, “rolar a bola” para o debate, para mim é um prazer enorme. Já era assim na época do Rádio, quando desenvolvia o “Enquanto a bola não rola” e o ” Bola de fogo”. Esta troca de sentimentos e do modo diferente de ver as coisas, com certeza absoluta, amplia o horizonte de todos nós. Ficamos melhores, mais bem informados, mais bem preparados. Triste é se achar o dono da verdade. É como se isolar num mundo sem cor, sem brilho. É viver solitário, num mundo sem nenhuma possibilidade de crescer, de avançar…
Relendo vários comentários, novamente me impressionou o nível das colocações, muitas vezes opiniões antagônicas às minhas, mas sempre com inteligência, competência na comunicação e elegância. Sem vocês, o meu prazer de estar aqui quase diariamente, não seria o mesmo. Aliás, e o mais importante, este blog não seria o mesmo. Muito obrigado, parceiros…
Agora mesmo, confesso estar precisando de uma bengala, pois tenho algumas dúvidas.
Vamos lá:
– O resultado de ontem deve ser comemorado? A vitória foi vitória ou, o gol aos quarenta e cacetada, impedindo a classificação antecipada, fez com que fossemos dormir com uma certa frustração?
– Este jogo contra o Nacional de Montevideo, que marcará a despedida de Léo Moura, foi bem programado? Explico: Há, dias antes, um clássico contra o Botafogo. Em caso de vitória, ou até mesmo de empate, tudo bem. E se o resultado for ruim? Com que ânimo o torcedor vai para este jogo comemorativo?
– Quando Roberto Dinamite se despediu do futebol, tive o prazer de ajudar a organizar toda a festa, cuja grande atração foi Zico e Roberto jogando juntos, no jogo Vasco x Deportivo La Coruña, em que Bebeto era o craque do time. Toda a arrecadação do jogo (bilheteria, direitos de TV e publicidade estática), após se pagar as despesas naturais (estádio, impostos e gastos com o clube espanhol), foram para o grande homenageado, Roberto Dinamite. Pergunta: Além dos abraços e placas comemorativas, não seria justo Léo Moura ficar, ao menos com um pedaço do que vier a ser arrecadado?
Rolei a bola. Agora, parceiros, é com vocês…
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