
Extra Globo – A partida contra o Macaé foi especial para Alecsandro. Mais do que não ter sofrido gol quando substituiu Paulo Victor, o atacante comemorou seu primeiro gol no retorno, enquanto esteve na linha, feito justamente de cabeça, região que passou por cirurgia no fim do ano passado devido ao afundamento do crânio. A conquista foi dedicada ao filho, Yuri.
– Meu filho tem nove anos e quando cheguei em casa depois da operação ele falou: “Pai, você não vai mais conseguir jogar futebol? Você machucou a cabeça. Como vai cabecear?”. Eu respondi: “Não, o pai vai jogar e inclusive vai fazer um gol de cabeça”. Então eu tenho que agradecer muito a Deus. Tenho certeza de que ele cuida de mim mais do que imagino. Voltar a fazer gol e logo de cabeça, né? Minha esposa ficou até chorando.
Apesar da promessa cumprida, este não foi o jogo mais difícil para o Alecgol em seu retorno ao Flamengo. No jogo-treino em Atibaia, contra o time do Red Bull, a emoção falou mais alto. Foram seus primeiros minutos depois de um período difícil, em que realmente temeu pelo fim da carreira.
– O ano já começou para mim nos amistosos. Lá em Atibaia. Entrar em campo e vestir a camisa, mesmo que seja amistoso, já levo para o meu máximo e para o lado de querer ganhar. Este jogo (contra o Macaé) já foi um complemento do que eu tinha vivido. O de Atibaia foi mais difícil. Até me emocionei lá. É difícil porque é uma lesão que poderia ter me tirado da carreira. Aqui (contra o Macaé) eu já estava mais preparado. Lógico que ainda dá para perceber um pouco de inchaço. O doutor falou que 100% retinho não vai ficar, mas já estou casado mesmo – brincou o jogador.
Ir para o gol acabou roubando um pouco as atenções do primeiro gol. Uma iniciativa que ele revela ter tomado por conta própria, e da qual quase se arrependeu.
– Meu primeiro passo de ir para o gol foi uma visão que eu tive de querer ajudar a equipe. Quando cheguei lá (na área) a discussão era quem ia para o gol. Eu olhei aquela discussão entre Wallace, Anderson (Pico) e o pessoal e eu parei por cinco segundos e pensei: “Tenho que ir para o gol. Mantém a zaga posicionada, abre mão de um atacante, mas continua tendo a característica de velocidade porque ia explorar o Cirino”. Em alguns momentos eu pensei “O que estou fazendo aqui? O gol é grande para caramba”. Agora vejo como a “goleirada” sofre. Felizmente deu tudo certo. Lógico que a gente queria ganhar a partida. Mas, como eu estava no gol, a gente não ter levado já foi bom. Mas espero não ter mais (que ir para o gol).
Alecsandro vem experimentando situações diferentes neste seu retorno. Antes de ir para o gol, ele já vinha jogando mais pelos lados, fugindo da função de homem centralizado, de acordo com os novos interesses de Luxemburgo para o time. Ele garante estar pronto para o novo desafio.
– Já tive outras oportunidades. Inclusive quando joguei no Sporting, de Lisboa, em 2007, eu jogava pelo lado direito, o Nani na esquerda e o Liedson centralizado. No Atlético-MG também. Aqui eu já fiz isso também, Jayme (de Almeida) já me pediu para jogar assim. A minha preocupação é maior fora de campo do que dentro. É o torcedor olhar e falar “O que o Alecsandro está fazendo lá na direita?”.
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