
90min – Os estaduais começaram em praticamente todo o país. Em geral, todos os grandes clubes brasileiros estrearam bem, vencendo os seus jogos. Mas não foi isso que mais chamou a atenção de toda a mídia. Em meio a um aglomerado de jogos sem sal, com times grandes ainda em início de trabalho, jogando contra equipes de baixo nível técnico, o que mais atraiu os olhares nesse pontapé inicial da temporada foram as arquibancadas.
As médias de público, a arrecadação e os preços dos ingressos ficaram em evidência com o início dos estaduais, e isso se deve muito ao imbróglio que existe no Rio de Janeiro. Com a medida imposta pela FERJ (Federação de Futebol do Estado do Rio de Janeiro) de estipular os preços máximos dos ingressos, as atenções se voltaram para a adesão do público aos jogos do estadual, que vem tendo médias desastrosas há vários anos. E os resultados da primeira rodada não foram nada bons. A média de público dos três grandes cariocas que jogarão a Série A do brasileiro (Flamengo, Fluminense e Vasco) foi de pouco mais de 6 mil pagantes, com uma renda média próxima a 135 mil reais.
Em comparação com Palmeiras e Corinthians, que jogaram a rodada de abertura do Paulistão em suas arenas, esses números são pífios. O alvinegro de Parque São Jorge teve um público de 25.285 pagantes, com renda de aproximadamente 1,1 milhão de reais, enquanto o alviverde teve público de 24.894 pagantes, com renda de mais de 1,6 milhão de reais. Apesar disso, o Palestra não terá a renda para si, uma vez que o mando do jogo era do Osasco Audax, e a Allianz Parque foi cedida em um acordo feito pelos clubes.
E aí está o segredo, que o verdão parece estar começando a entender. Unir uma excepcional Arena, um bom time e conseguir equilibrar o preço dos ingressos, para que não sejam abusivos e ao mesmo tempo maximizem o lucro, faz com que o clube ganhe a primeira batalha, fora de campo. Sabe-se que no futebol tudo muda de acordo com o resultado dentro das quatro linhas, porém, estar organizado, ter dinheiro, atrair a torcida e contratar bem aumentam (e muito) a chance de que os resultados sejam positivos.
A FERJ faz tudo errado hoje no futebol carioca. Impede os grandes de arrecadarem o que precisam, faz um campeonato de várzea, sem segurança, sem qualidade e sucateia os times pequenos, que não tem esperança alguma de crescer em uma competição morta na sua concepção. Palmeiras e Corinthians hoje, parecem ir no caminho contrário, e dão indícios de que aprenderam a fazer do futebol um negócio rentável, saudável e sustentável.
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