
Teoria dos Jogos – Há pouco o Botafogo anunciou, com pompa e circunstância, o acerto com cinco empresas cujas marcas serão expostas no uniforme durante os clássicos com Flamengo e Fluminense. O anuncio foi enxergado como um “resgate da credibilidade”, após semanas jogando sem patrocinadores e expondo apenas o projeto “Sou Botafogo”.
A grande questão tem a ver com o naipe das empresas a se associarem ao Glorioso. Duas delas, renomadas, possivelmente sejam as que negociam patrocínio até o fim do ano: Netshoes (mangas) e Casa & Vídeo (costas e barra traseira). O problema são as demais. No peito, Supermercados Unidos, uma pequena rede de atuação quase exclusiva na Baixada Fluminense. A Naveg, ocupante da barra dianteira, comercializa produtos automotivos. Já a Zeex, locatária da omoplata, é tão somente uma varejista online.
As três empresas, corretíssimas ao patrocinarem uma grande marca do futebol brasileiro, devem agora estar abrindo champanhes. Pudera, até poucas horas ninguém fazia a remota ideia de suas áreas de atuação, algo que começa a mudar com explanações como a do parágrafo anterior. O problema reside na escolha feita pelo próprio Botafogo: a que tipo de empresas o Alvinegro pretende se associar?
Todos sabem que a Série B é a maior provação a qual um grande clube pode se submeter no Brasil. A menor visibilidade faz com que receitas de patrocínio desabem, ao cabo que bilheterias tendem a ser menores por conta do produto piorado. Se o clube não subir no primeiro ano, as receitas de televisionamento desmoronam à metade, asfixiando-o à morte. Trata-se de uma situação que ainda não aconteceu com nenhuma das doze grandes torcidas.
Neste contexto, nada mais natural que o “processo de abadalização” dos uniformes. Assim procedeu o Corinthians em 2008, loteando uma quantidade de espaços sem precedentes – incluindo as axilas. Assim o faz o Botafogo, e tem mesmo que fazê-lo. O drama neste caso não possui natureza quantitativa, mas qualitativa. Ainda utilizando o Corinthians como paralelo, o clube à época assinou com a gigantesca Hypermarcas e o mediano Grupo Silvio Santos. No fim, marcas famosas e com alguma identificação com seus consumidores. Mas o Botafogo…
Associando-se a conglomerados nanicos e sem nenhuma identificação com torcedores majoritariamente de classe média, o clube só faz desvalorizar propriedades que, há pouco, se tornaram case ao catapultarem a Viton 44 – proprietária do Guaraviton, Guaravita e Matte Viton (ainda assim uma empresa muito maior do que as atuais). O borrão aumenta quando relembramos a inacreditável parceria botafoguense com a Telexfree, empresa condenada pela justiça brasileira por atuar em esquema de pirâmide, situação flagrantemente ilegal.
É lógico que isto se dá pela situação de penúria dos cofres em General Severiano. Análise do próprio Blog Teoria dos Jogos apontou o Bota como detentor da pior relação receita/dívida do futebol brasileiro. Sem nenhuma capacidade de pagamento, escancara-se uma necessidade visceral de faturar, mas a que custo? Se é pra receber pouco, por que não seduzir grandes marcas com base no menor investimento?
O risco que se incorre é o do encolhimento irreversível da imagem do Botafogo aos olhos do mercado. A partir de então, não haverá resgate de credibilidade capaz de regular o gás deste fogão.
Um grande abraço e saudações!
@vpaiva_btj
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