Jorginho e Zinho defendem mais estudo aos técnicos.

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Globo Esporte – Foi-se o tempo em que jogadores brasileiros eram protagonistas na Europa. E nunca o Velho Continente significou redenção aos treinadores tupiniquins. A crise técnica de quem atua dentro das quatro linhas dificulta a abertura do mercado mais charmoso, competitivo e cobiçado do mundo a quem tem de comandá-los. Ou é ao contrário? O debate que lembra o popular “o que veio primeiro: o ovo ou a galinha?”, na verdade, tem uma única resposta, ao menos, para dois ex-jogadores que, juntos, como treinador e auxiliar técnico, pretendem começar a mudar a escrita: Jorginho e Zinho, respectivamente, não têm vergonha de admitir que é preciso mais estudo aos professores do Brasil. Batendo nesta tecla, a dupla recém-formada espera oportunidade de emprego. Até porque o 7 a 1 sofrido da Alemanha na Copa do Mundo, entendem, colocou dúvida na cabeça dos empregadores mundo a fora quanto à capacidade nacional. E reduziu as oportunidades.

Jorginho e Zinho se conhecem desde 1986, ano em que o antigo lateral-direito, no Flamengo, viu a ascensão aos profissionais do meia. Viraram amigos. A ponto de as famílias viverem juntas. Ganharam títulos pelo Rubro-Negro, a Copa União de 1987 foi o mais importante. O auge veio em 1994: o tetracampeonato mundial pela Seleção nos Estados Unidos. Ao pendurarem as chuteiras, ambos decidiram seguir a carreira de treinador. Juntos. Mas a vida lhes proporcionou caminhos diferentes. Jorginho começou no América, do Rio, e virou auxiliar de Dunga na Seleção, de 2006 a 2010, e ainda teve passagens por Goiás, Figueirense, Kashima, Flamengo, Ponte Preta e Al-Wasl. Zinho passou a atuar na nova profissão no Miami de 2007 a 2010. Depois, se aventurou como dirigente em Flamengo e Santos. Só agora conseguiram se unir.

– Essa ligação vem de muitos anos. Flamengo, Seleção e amizade entre as famílias. Vai ser uma parceria com muito conhecimento do dia a dia de um clube. O Zinho vai acrescentar muito. É uma questão de campo. O jogador tem de olhar para ti e acreditar. Mais: saber que tem condição de fazer. E o Zinho tem isso. É competente, disciplinador e abraça todo mundo. O considero um treinador, no cargo de auxiliar. Ele tem experiência de coordenação. Não é algo simples. Ele vai estar atento a coisas que não posso fazer. Na Seleção, estava ligado a isso. No América também. Quando pega um clube grande, se tem dificuldade – diz Jorginho.

– Na verdade, não mudei. Voltei ao meu inicio. Comecei como treinador nos EUA. Ser dirigente aconteceu, não programei. Foi até bom. Definiu que a minha área é o campo. Meu trabalho é dentro das quatro linhas. Jorginho é meu amigo, meu irmão, comungamos da mesma fé, nossos filhos são amigos, nossas mulheres. Fiquei honrado com o convite. Posso ajudar – completa Zinho.

As décadas de vivência no esporte, então, o fazem ter certeza do desenvolvimento de um bom trabalho. Mesmo assim, buscaram qualificação. Jorginho concluiu o curso de treinadores da CBF, caminho a ser seguido por Zinho.

– Hoje está muito difícil para o brasileiro lá fora. Depois do 7 a 1, as portas estão se fechando. Temos de desbravar e abrir as portas de novo. Eu, como atuei no Japão e na Alemanha, e ele no Japão, somos boa possibilidade disso. Temos de realizar bons trabalhos aqui e depois sair. A desconfiança está muito grande em cima do brasileiro. Temos o nosso jeito moleque, a ginga, mas isso não basta. Não dá para depender de um ou dois jogadores. Temos de ter um time, uma equipe bem formada taticamente. Continuamos a ter grandes craques, mas temos de treiná-los. Vejo que muitos estudam, que treinadores da Europa estão descobrindo essas coisas novas e nós aqui pensamos ainda que temos grande futebol e tal. Precisamos estudar ou vamos ficar ultrapassados – defende Jorginho.

Para Zinho, a cultura também prejudica. E abala qualquer tipo de planejamento:

– A cobrança é muito imediata. Os treinadores jogam por resultado. A profissão é muito insegura. O treinador, às vezes, prioriza o resultado a um trabalho de longo prazo. Ele sequer trabalha com a base. Não se pode achar que o futebol brasileiro é o melhor do mundo e não ir olhar o resto.

Mas há bons exemplos. Para a dupla, os clubes começaram a mudar de filosofia. Passam a apostar mais no planejamento. A Seleção, dizem, ao recontratar Dunga também.

– É uma satisfação e alegria ver o Dunga de volta. A Espanha perdeu recentemente na Copa e manteve seu treinador. O trabalho dele, com a minha participação, de 2006 a 2010, se tivesse tido continuidade, quem sabe, poderíamos ter outro resultado. Parreira e Felipão mudaram o trabalho de Mano, que já tinha mudado do Dunga. Tudo isso atrapalha. Seleção não é como clube. Pega os caras três dias e coloca em campo. A volta dele é reconhecimento ao grande trabalho, interrompido por uma fatalidade em um jogo, a derrota para a Holanda na África. A resposta foi rápida. Sei que ele sabe trabalhar. Ele sabe que só vai apagar com títulos. Não adianta ganhar amistoso, o ranking, tem de ganhar títulos. Até porque o 7 a 1 nunca será pagado – entende Jorginho.

A dupla espera por oportunidades de emprego. E deseja dar a sua parcela para melhorar o futebol brasileiro.

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