O adeus de Léo Moura e o fim de uma geração vitoriosa.

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ESPN F.C. – Os primeiros contatos de muitos flamenguistas nascidos entre a segunda metade da década de 90 e o começo do século XXI com seu clube de coração não foram nada animadores. Mergulhado entre goleadas vergonhosas e lutas constantes contra o rebaixamento, o torcedor foi obrigado a forjar seu caráter no sofrimento, melhor simbolizado pela incessante fuga da Série B em 2005, que abriu caminhos para uma nova realidade.

Naquele mesmo ano, na primeira de dez temporadas no Flamengo, Léo Moura desabou e, ajoelhado, abraçou aos prantos Renato Abreu após o gol de Obina diante do Paraná, que selou a permanência do clube na primeira divisão. Ali, no gramado falho do Durival de Brito, nascia uma das gerações mais vitoriosas da história do clube, a primeira a conquistar títulos nacionais sem Zico ou Júnior.

Não foi uma geração brilhante tecnicamente, mas que, de 2005 a 2009, conquistou três estaduais, uma Copa do Brasil e encerrou o jejum de 17 anos do clube com o título do Campeonato Brasileiro em 2009. Entre os titulares que ficaram durante todo o período de títulos, Léo Moura tem a companhia apenas do lateral-esquerdo Juan e do zagueiro Ronaldo Angelim. Passaram também com destaque pela geração os meias Renato Abreu, Ibson, Kleberson e Jônatas, o zagueiro Fábio Luciano, os atacantes Obina e Souza, o goleiro Bruno, hoje preso pelo assassinato de Eliza Samúdio, entre outros jogadores importantes.

O único sobrevivente desta geração no elenco do Flamengo até os dias atuais era Leonardo Moura. O lateral, que se despede hoje da torcida no Maracanã, em amistoso contra o Nacional (URU), prolongou sua fase vitoriosa, com mais um estadual e uma Copa do Brasil, e falhou ao tentar inúmeras vezes o título da Libertadores.

Ao encerrar sua passagem pelo clube, Léo joga a última pá de terra sobre a geração formada após aquela tarde em Curitiba. O outrora jovem lateral, que comemorou chorando a permanência na Série A, ficaria orgulhoso de ver tudo que o veterano, já com pelos grisalhos em seu moicano, conquistou dez anos depois. Tanto que, do alto de seus 36 anos, não segurou as lágrimas em entrevista coletiva, e não deve ser diferente hoje, ao entrar no Maracanã vestindo rubro-negro pela última vez.

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