As surpresas do futebol que não encontramos nos ovos de chocolate

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Torcedores – Diante das muitas surpresas que existem nas “caixinhas” do futebol, me deparei nesse domingo de Páscoa com mais uma: após vibrar intensamente com os três gols do seu time, no caso o Flamengo, no clássico com o Fluminense, o jovem torcedor de cinco anos me entregou um “brinde” que, certamente, eu não encontraria em nenhum ovo de chocolate comprado em supermercado, por mais caro que fosse: um bilhetinho escrito “Flamengo, AlecGol, 3 a 0″; e ainda tinha um coração colorido e uma camisa pintada em preto e vermelho.

Essa surpresa veio do coração da criança, numa “tabelinha” mágica com o seu imaginário amigo “coelhinho”: tão pura e doce quanto as tradicionais guloseimas… o garoto tem a bola como a referência da alegria, do amor e da fé por cada passo e passe dos pés.

Tal espírito lúdico e apaixonado permanece guardado com os adultos; prova maior disso foi a comemoração do rubro-negro Jonas depois daquele chutaço de fora da área, que resultou no primeiro gol do Flamengo, aos 17; o rapaz se ajoelhou, ergueu as mãos ao céu e chorou feito um menino…felicidade santa!

No segundo tempo, aos 10, Alecsandro manifestou a astúcia e a contente ingenuidade do coelhinho matreiro; era como se o artilheiro, naquele instante, tivesse aparecido na frente do arqueiro bem dentuço e de orelhas em pé, atento a tudo e a todos; bem que a bola lembra um belo ovinho; o arqueiro tricolor foi driblado pela ginga de corpo daquele “delivery de chocolate”, que deixa a criançada com o “bigode” da lambança do deleite.

O terceiro marcado por Matheus Sávio, aos 43, após boa jogada de Marcelo Cirino, soou para o guri torcedor, como a canção inspiradora que o bichinho fofinho e branquinho costuma cantar nessa época: “um ovo, dois ovos, três ovos assim!”

Dessa forma, esse bilhetinho nos leva a uma leitura mais ampla: o gol é o “cestinho” com a alma eternamente infantil; lá no fundo da meta, a bola, ao tocar as redes, se abre, cheia de luz, pra representar a fertilidade e o recomeço das tantas partidas que temos pela frente; é um berço de fé;o esporte representa a vida cheia de “jogadas” pelas quais a gente aprende um bocado de lições!

Ricardo Bedendo

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