
Fonte: ESPN
No Carioca do prejuízo aos clubes, ganham a Federação e seus parceiros. Apuração feita pela ESPN mostra que uma empresa ligada a dois funcionários da entidade recebeu quase R$ 350 mil com o Carioca de 2015. A arrecadação faz a companhia ficar à frente de 14 dos 16 clubes do campeonato no ranking do lucro financeiro.
Só perde para o Flamengo, que lucrou R$ 1,3 milhão, e Vasco, que obteve R$ 523 mil. É 12 vezes mais do que o Botafogo faturou (R$ 26,4 mil) e 40% a mais que o Fluminense (R$ 193 mil). Os dados dos clubes referem-se ao resultado financeiro até a primeira partida da semifinal*.
O montante recebido pela empresa foi pago pelos clubes do Rio com o aluguel de grades metálicas, equipamento usado na separação e ordenamento de filas nos jogos.
A empresa que explora o serviço é Equiloc Locação e Serviços e pertence à mulher do supervisor da Ferj Marcelo Abrantes Martins. Além de funcionário da federação há pelo menos sete anos, Abrantes foi parceiro de negócios do diretor Marcelo Vianna por dez anos. A sociedade já foi desfeita.
Vianna é diretor de competições, setor que coordena a logística do campeonato, em que as grades estão inseridas. Questionada pela reportagem, a Federação disse não ver conflito de interesses no fato de o dono da empresa ser funcionário da entidade e ter sido parceiro de negócios do diretor responsável pelo controle do serviço.
“A Ferj também não tem contrato com a empresa em questão. A Equiloc presta serviços que fazem parte das despesas do estádio ou de uma partida de futebol”, respondeu a Ferj em nota.
Contratação frustrada
Durante o campeonato, o Volta Redonda tentou contratar outra empresa para fazer o serviço. A Federação, no entanto, não autorizou, alegando questões de segurança e falta de planejamento.
“A Ferj não interfere na contratação de qualquer empresa pelos clubes, que tem toda liberdade de contratar quem melhor lhes convier. Em um único caso, o clube mandante (de médio porte) que receberia um clube grande em seu estádio, comunicou na véspera que utilizaria um fornecedor local, sem a apresentação de projeto ou adequação ao plano de ação e contingências debatido sempre antes de cada partida. Por questão de segurança, pediu-se uma reavaliação para o jogo em questão, o que foi atendido”, respondeu a entidade.
O responsável pelo policiamento em estádios, tenente-coronel João Fiorentini disse à
reportagem que a única exigência que é feita ao uso de grades é que se tenha mão-de-obra para montar e desmontá-las no tempo necessário para a segurança dos torcedores.
“A Polícia Militar não indica empresa, a Polícia Militar não indica qualquer representante. A Polícia Militar exige que o serviço seja feito para ordenar a entrada do público e garantir a saída em segurança”, disse o coronel, completando:
“A Polícia Militar só exige que tenham funcionários para montar e desmontar em tempo hábil. Se o clube quiser comprar, se o estádio quiser comprar, se eles conseguirem emprestado ou através de doação de prefeituras isso não é minha responsabilidade”.
A empresa citada foi procurada, mas não retornou ao contato da reportagem.
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