
República Paz & Amor – Bastou que os pais da Nação, José Agostinho Pereira da Cunha, Mário Spindola, Nestor de Barros, Augusto Lopes, José Félix da Cunha Meneses e Felisberto Laport dessem suas primeiras remada na velha baleeira Pheruza, em 1895, pelas águas da Baía da Guanabara, para que todos percebessem que para ser grande o Flamengo não ia precisar de ninguém. O protagonismo vocacional do vermelho e preto surgiu naturalmente, como parte indissociável de sua própria existência, encantando as gatinhas do pedaço e deixando os “sem-barco” da área boladões. Quase 120 anos se passaram desde então e a sua simples existência continua a bastar para que seus incontáveis seguidores façam do Flamengo, indiscutivelmente, o maior. Não é de hoje que a arco-íris pira.
Ao mesmo tempo em que o Flamengo enche seus torcedores de orgulho cívico, espalha o terror em quem não fecha com o certo. É um dos motivos para que 11 em cada 10 torcedores de clubes do Brasil elejam o Mengão como o seu maior rival. Pode perguntar a qualquer mal vestido que cruzar seu caminho qual é o time que mais deseja vencer e a resposta, invariavelmente, será Flamengo. Acostumados que estamos a circular em bocas-de-matildes nem nos importamos mais com o tom beligerante em que os torcedores dos times pequenos, times que sequer frequentam a primeira divisão assiduamente, se referem a nós. Por pura mania de grandeza dos baixinhos são cultivadas artificialmente, em todo o Brasil, rivalidades platônicas das quais só ficamos sabendo que existem quando ouvimos os lamentos de seus torcedores.
O que não é o caso do próximo adversário do Mengão Bicho-Papão pelo carioqueta, o recalcitrante fugitivo das divisões subalternas, protagonista de inéditos 4 rebaixamentos no Brasileiro. O Fluminense, queira-se bem ou não àquela gente esquisita, é um lídimo rival do Flamengo. Rival no âmbito do Campeonato Carioca, lógico, que no Brasileiro elas são café au lait. Mas são muitos anos jogando contra elas, dividindo o palco do Maior do Mundo em suas tardes e noites mais antológicas, acabou criando-se um vínculo (vínculo sem maiores intimidades, que o Flamengo nunca foi muito de ir à praia na Farme). No carioqueta o Flor é nosso rival, sim. É só por isso que o Fla x Flu é o clássico mais famoso do país.
Temos imenso prazer em ganhar delas. A hegemonia da competição, que hoje nos pertence, foi arrebatada das delicadas mãos tricolores em 2009 após quase um século de perseguição implacável e desde então a distância entre nós, que já era imensa no campo moral, só faz aumentar. Queremos a vitória no domingo porque assim carimbamos o passaporte para as finais dessa palhaçada de Carioca com a vantagem dos dois empates, aumentamos a nossa vantagem em confrontos diretos de 9 para 10 vitórias (111 vitórias Fla- 100 empates -102 derrotas) e porque é uma delícia fazer as meninas sair chorando do Maraca.
Mas, fora o futebol dentro de campo, é forçoso admitir, que dessa vez, como na grande cisão de 1936 entre o amadorismo e o profissionalismo, o tricolor, malgrado sua folha corrida e suas dívidas com a sociedade, está do lado do bem. Principalmente porque está ao lado do Flamengo em sua cruzada contra o entulho autoritário que a FERJ insiste em despejar no caminho do Flamengo, do Fluminense e de quem quer que ouse mudar a estrutura feudal e amadorística do futebol carioca. A FERJ não é rival do Flamengo e nem do Fluminense, a FERJ é inimiga.
Pobres do inimigos do Flamengo. Quanto mais nos fustigam com vilanias, arbitrariedades e golpes abaixo da cintura, mais o Flamengo se agiganta, mais o Flamengo firma os pés em sua posição. Quanto mais nobre a causa, maior é a coragem e maior é o comprometimento do Flamengo. Se a FERJ nos ataca no varejo nós respondemos no atacado. Tentaram impedir que lucrássemos com as bilheterias, mas não foi preciso que o Flamengo brigasse por dinheiro. O Flamengo das grandes causas lutou pela livre iniciativa e pelo cumprimento dos contratos. Venceu. Impedem o nosso técnico de exercer seu direito ao trabalho e à expressar opinião. O Flamengo não deixou Luxemburgo só, e agora luta, com todas as suas forças, contra a censura e pela liberdade de expressão. Alguma dúvida de quem está do lado certo? Alguma dúvida de quem está combatendo o bom combate? Alguma dúvida de quem vencerá?
Flamengo e, olha só, vejam vocês, Fluminense, lutam sozinhos contra os desmandos e os desvarios de uma entidade cujos calendários parecem permanecer estacionados nos anos de chumbo e cujo maior talento aparente é o de morder 10% das receitas dos clubes cariocas. Diante da história de Flamengo e Fluminense, de sua contribuição ao belo esporte e à construção da identidade nacional, a FERJ não representa muita coisa. Mas reage com violência contra aqueles que a ela não se submetem. Fla, Flu e Luxemburgo não se curvaram ao arbítrio, por isso são, cada um ao seu modo, exemplos. Palmas pro Fluminense, pela atitude macha. Pro Flamengo, por favor, nada de palmas, atitudes machas são nossa obrigação.
Censura nunca mais! Todos ao Maracanã!
Mengão Sempre
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