Impunidade do apito: Em 122 jogos, arbitragem só foi denunciada duas vezes

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Fonte:Extra

Enquanto Fred pode seguir o caminho de Luxemburgo e ser punido por suas declarações, entre os árbitros a impunidade reina. Num Estadual marcado por erros crassos, tanto a comissão de arbitragem (Coaf-RJ) quanto o Tribunal (TJD-RJ) passam a mão na cabeça dos juízes.

Em 122 jogos, só dois árbitros foram denunciados pelo TJD-RJ: Luiz Antônio da Silva Santos (Bangu x Botafogo, na quarta rodada) e Rafael Martins de Sá (Bangu x Boavista, na oitava rodada), ambos pelo artigo 266 do CBJD (não coibir violência). O primeiro foi absolvido, e a pena do segundo (30 dias de suspensão) foi convertida em advertência.

— O árbitro é soberano nas quatro linhas. E seus critérios são interpretativos. Então a gente não pode denunciar a torto e a direito. Se ficarmos punindo, estaremos admitindo que houve erro. Aí imagina a polêmica futura que os prejudicados podem criar — disse o presidente do TJD-RJ, José Teixeira Fernandes.

Além da pouca vontade do tribunal em comprar brigas, o artigo 58-B do CBJD cria problemas para quem não quer fugir delas. Ele determina que as decisões da arbitragem são definitivas.

— Se ele (João Batista) não tivesse punido o Jonas com amarelo, eu poderia entrar com denúncia contra o jogador e até contra o árbitro, por omissão. Como ele deu o amarelo, não posso fazer nada. Mas, por mim, aquele lance (do pé na cara de Gilberto) era para vermelho — explicou o procurador-geral do TJD-RJ, André Valentim.

Se o tribunal sofre com os impedimentos da lei, a Comissão de arbitragem não aproveita sua liberdade e pouco faz. Mesmo depois de admitir erros de seus árbitros, a entidade continua a escalá-los.

Na sexta rodada, Wagner do Nascimento Magalhães e o assistente Silbert Sisquim validaram gol ilegal do Flamengo sobre o Madureira. Em relatório, a entidade reconheceu o equívoco. Mas a dupla seguiu em ação. O primeiro, aliás, acabou se envolvendo em nova polêmica ao expulsar Fred em lance para lá de discutível no Fla-Flu.

Os casos de Wagner e Silbert não são únicos. Em um dos muitos exemplos, Rodrigo Nunes de Sá errou no jogo entre Volta Redonda e Botafogo, pela segunda rodada. A entidade também reconheceu o equívoco, mas ele seguiu apitando — e já está escalado para o Flamengo x Vasco de domingo.

A assessoria de imprensa da federação de futebol, a qual a Coaf-RJ é subordinada, explicou que 48 horas após cada rodada os árbitros são reunidos pela comissão para discutir erros e acertos. Os afastamentos são apenas para casos excepcionais.

João Batista, é uma destas exceções. Nesta segunda, a Coaf-RJ decidiu afastá-lo para reciclagem. Uma decisão conveniente para a entidade, já que, com o campeonato próximo do fim, o árbitro provavelmente já não apitaria mais nenhuma partida.

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