
Falando de Flamengo – 1938. Apesar de contar com o então melhor jogador do mundo, Leônidas da Silva, no elenco, o Flamengo não viveu um ano brilhante. O mais próximo da glória que conseguiu chegar foi o segundo lugar no Campeonato Carioca, conquistado pelo Fluminense, que faturara o seu terceiro caneco seguido. Os três sobre o Flamengo, pra variar. Em época que um Fla x Flu valia muito, o time da Gávea levava consigo a maior série de jejum no clássico: 13 jogos seguidos com tropeços.
Logo nos primeiros anos no Futebol, ainda na década de 10, o Fla havia ficado 11 jogos sem perder para o Fluminense, mas o rival conseguiu dar o troco nos anos 30, acumulando a maior série de invencibilidade. Em 1936, de 10 jogos disputados, cada equipe venceu apenas dois. Nos outros seis, houve empate. Apesar do equilíbrio, os últimos resultados com vencedor favoreciam o Fluminense, que terminou aquela temporada com a invencibilidade de cinco jogos no Fla x Flu.
Em 1937, o número subiu para oito, pois o tricolor venceu os três únicos confrontos diretos. O histórico de resultados negativos vinha se repetindo para o Flamengo em 1938, pois o Fluminense já havia conseguido mais um empate e quatro vitórias seguidas. Porém, a história viria a mudar no último clássico da temporada.
Pela segunda rodada do returno do Carioca, Flamengo e Fluminense se enfrentaram nas Laranjeiras, no dia 20 de novembro. No primeiro turno, na Gávea, o Flu havia vencido por 2 x 0, aumentando o jejum Rubro-Negro. Jejum este que seria encerrado ali. Escalado com Valter; Domingos da Guia e Marin; Brito, Volante e Médio; Sá, Valdemar, Leônidas da Silva, Gonzalez e Jarbas, o time do treinador Hilton Santos entrou focado não só em vencer, mas também em mudar para sempre a história do clássico. Com a certeza de mais uma vitória, a torcida do Fluminense compareceu em peso à sua sede. Foram 19.702 pessoas presentes, o maior público do estádio no ano, que começaria a se desfazer antes mesmo do jogo terminar.
Logo aos 11 minutos, Leônidas da Silva driblou seus marcadores e chutou forte, no alto, surpreendendo o goleiro Nascimento, que fez golpe de vista, e viu a bola balançar a rede. Poucos instantes depois, Brito deixou dois jogadores do Flu na saudade, entrou na área e marcou o segundo gol do Flamengo. O Fluminense conseguiu diminuir aos 25, com Bioró.
Na volta para a segunda etapa, o infernal Leônidas da Silva marcou o seu segundo gol na partida, o terceiro do Fla. A jogada do quarto gol também saiu dos pés do “Diamante Negro”, que cruzou para Gonzalez marcar de cabeça. Aos 29 minutos, Gonzalez ainda fez mais um, o quinto, enquanto os tricolores deixavam as arquibancadas, sem sequer ficarem para ver o Fluminense descontar com Tim.
Na edição do dia seguinte do jornal “A Noite”, um dos mais populares da época, a vitória foi descrita como “a maior dos últimos tempos”. 5 x 2. O tabu caiu com goleada, “festa na favela” e silêncio nas Laranjeiras. Ali começava o troco, que se estendeu durante 1939, com mais duas vitórias do Fla, além de um empate, e culminou com o título carioca, que não era conquistado desde 1927. Já o Fluminense, continuou a ser o principal rival até a década de 80, mas com o tempo se tornou um freguês histórico.
No clássico mais antigo do Rio de Janeiro, o Flamengo conta atualmente com 141 vitórias, 129 empates e 127 derrotas, em 398 jogos disputados (um teve WO duplo), podendo aumentar a vantagem no próximo domingo (05), às 18h30m, quando encontra o rival no Maracanã, pela penúltima rodada da Taça Guanabara. O Rubro-Negro tem ainda a maior goleada (7×0), o maior número de gols marcados (571, contra 526) a maior série de vitórias seguidas (7 jogos) e o maior goleador (Zico – 19 gols).
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