O resgate do orgulho de ser rubro-negro

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Teoria dos Jogos – Era uma vez um clube de massa. Talvez mais do que isso: “o” clube de massa. Beneficiado pelo irradiar da cultura carioca em território nacional, sua torcida era (e talvez sempre tenha sido) esmagadora. Mas isto não se refletia em campo, simplesmente porque se vivia uma longínqua era em que capacidades fora dos gramados não se refletiam em potenciais dentro deles. Só a organização (a capacidade de peneirar e revelar jogadores) poderia fazer com que uma agremiação se destacasse perante tantas outras. Ou a sorte. Estamos nas décadas de 50, 60, 70.

Sem se destacar quanto ao primeiro fator – e não agraciado pelo segundo – o clube vencia menos campeonatos do que presumia sua grandeza e importância social e cultural. Dando de ombros, sua torcida – verdadeira expressão da paixão nacional – não parava de crescer. Ainda assim, seus rivais deitavam e rolavam. Um certo time do litoral paulista então… revelara um negrinho que fez da equipe um verdadeiro rolo compressor. Passava o rodo no tal “clube de massa”, cerne deste conto.

Eis que uma nova diretoria assumiu. Capitaneada por um certo tabelião, ostentava novos conceitos– palavrinhas então inéditas como “gestão” e que tais. A “modernização” – outra que soava como música naqueles tempos – veio finalmente acompanhada da sorte. Uma geração de ouro se fez revelar, liderada por um gênio. Na virada dos 70 para os 80, tudo mudou na vida deste clube. Ganhou absolutamente tudo o que disputou. Arrebatou corações de toda uma geração. Fez a FIFA reconhecê-lo como 8º maior clube do século XX.

Mas a “era de ouro” se foi. O tempo passa, a idade pesa – como também parecem pesar quando um mesmo grupo político se enraíza por tempo demais numa instituição. Com o desgaste, vieram oposições. E oposições. E mais oposições. A modernidade foi substituída pela irresponsabilidade. Em muitos momentos, o clube flertou com o banditismo. Presidentes mal intencionados, escorraçados, impichados. Conselheiros agindo como barões em um feudo. Nem o tabelião – que voltou! – deu mais jeito. Parou no tempo, assim como o clube. Que viu destruída sua imagem.

Daquele clube vitorioso vanguardista, pouco restou. Talvez sua torcida, crescente como que por milagre, alheia a toda sorte de bancarrotas técnicas e morais. Só que não bastava. À medida com que avançavam as décadas de 90 e 2000, novas palavrinhas vieram à tona: marketing esportivo, credibilidade. Conceitos inexplorados num clube onde a estrutura caía aos pedaços, promessas não eram cumpridas e salários, fictícios. Se fingia que pagava. Se fingia que jogava. Como levá-lo a sério?

A grande questão é que depois da tal “era do marketing esportivo”, sorte passou a contar menos que competência. Clubes bem geridos angariavam volumes inimagináveis de recursos, comprando quem “trazia sorte”. É a economia, estúpido! Adapte-se ou morra.

Por muito tempo, pareceu que aquele “clube de massa” morreria. Afogado, nas impagáveis dívidas contraídas por temerárias, calamitosas e sucessivas gestões.

Por sorte, tudo na vida é cíclico. À beira do abismo, surgiu um grupo de abnegados dispostos a salvarem o referido “clube de massa”. Mais: colocá-lo no impensável rumo, que, nos dias de hoje, se tornaram sinônimo de sucesso. A lógica era simples: tendo como sustentáculo o consumo de sua enorme torcida, três ou quatro anos de completa frugalidade se fariam imprescindíveis até que as contas ficassem em ordem. O resgate da credibilidade se daria com profissionalismo, seriedade e muito trabalho. Se consumando à medida com que mais e mais credores vissem honrados compromissos antes dados como perdidos.

Reverteu-se a lógica nefasta. O que tirou com uma mão, o mercado vem devolvendo com a outra. Ao caminhar para o fim de seu primeiro mandato, a tal diretoria quebrou todos os paradigmas. Atraiu investidores, alavancou receitas a níveis inéditos, renegociou dívidas – e o mais importante: as honrou. Dívidas que, a propósito, vem desabando ano após ano, cenário absolutamente promissor de futuro. Com o extermínio dos passivos, restará apenas a maior receita do Brasil, posto ao qual galgou já no ano de 2014. Bons tempos estão por vir.

Em meio a ameaças de rompimento perante a parasitária federação de futebol de seu estado, eis que no dia de ontem, o louvado “clube de massa” – novamente ocupante do trono do progressismo – se tornou o primeiro do país a se adaptar formalmente à Lei de Responsabilidade do Esporte. No futuro, aventureiros como aqueles aqui elencados responderão judicialmente, pagando do próprio bolso.

Sorria, rubro-negro. O “clube de massa” em questão é o Flamengo.

O Clube de Regatas do Flamengo.

Um grande abraço e saudações!

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