
Fonte: Torcedores.com
Há um segmento da opinião futebolística, cujo discurso é pronto. Ser a favor da tecnologia como ajuda da arbitragem, transformar clubes em empresas, achar as sofisticadíssimas novas arenas uma bálsamo, querer mudanças nas regras básicas do jogo (como acabar com o impedimento ou aumentar o número de substituições) e, finalmente, adequar o calendário nacional ao europeu – todos esses quesitos fazem parte de um pacotão que tem como argumento modernizar o esporte, trazer progresso ao futebol.
Gostaria de me atentar apenas ao último ponto citado, e expor a minha visão de como não seria coerente sincronizar nosso calendário com o do velho continente.
Primeiramente, o calendário europeu só é nesse formato devido ao clima do continente: a neve impera durante o meio do ano, impossibilitando a prática do futebol. Por isso, a primeira parte da temporada é disputada no fim do ano, e o fim da temporada no ano seguinte – certamente uma dor de cabeça para as famosas “enciclopédias” do futebol. Seguindo no clima, o efeito no Brasil seria completamente o inverso. Finais e começo de ano são as épocas em que mais se faz calor por aqui. Se lá eles pensam, além da plena estrutura do evento, no bem-estar do atleta, aqui seria o contrário – não preciso dizer da tortura que é jogar em alto nível físico em um calor de quarenta graus.
Outro fator que agrega ao mantimento deste formato de calendário, são as competições disputadas simultaneamente ao Campeonato Brasileiro, como a Libertadores, que é disputada do começo até o meio do ano. Os clubes precisam de uma pré-temporada adequada para disputar a desgastante competição. Se fosse adotado o calendário europeu, os clubes estariam em fim de temporada nacional, onde os jogadores estariam em seu limite de desgaste físico – e querer mudar também a Libertadores de época, é querer mudar todo o sistema futebolístico americano, além do planejamento feito pela Conmebol.
A mudança de calendário acarretaria algo triste: o fim dos campeonatos estaduais. Para todo bom estudante de futebol brasileiro, é fato que os estaduais são a raiz de nosso futebol. Sem os campeonatos estaduais e as copas regionais, diversos times de imensa tradição se perderiam em meio à rápida modernização, além dos clubes não terem um campeonato para fazer seus testes, aquecimento e ganhar entrosamento para competições de mais importância. No continente europeu, ficam inviáveis campeonatos estaduais pelo tamanho pequeno dos países, tendo, logo, poucos clubes nos poucos estados existentes.
Além do mais, querer colocar os dois campeonatos acima simultaneamente ao Brasileirão é suicídio. Pode dar certo na Europa, pois as distâncias entre os países são pequenas. Exemplo: para o Real Madrid enfrentar o Porto, bastam algumas viagens de trem, e para enfrentar o Barcelona, algumas horas de carro. No Brasil, para o Corinthians enfrentar o Colo Colo, estima-se uma viagem de muitas horas de avião, e para enfrentar o Sport, mais algumas boas horas de avião. O desgaste é infinitamente maior. A demanda de estrutura seria absurda, e incongruente para um país como um Brasil, completamente diferente da maioria dos países europeus.
Ainda existem diversos pontos que podem ser destacados, mas o último que irei colocar aqui poderá até soar um tanto romântico.
O futebol brasileiro já errou muito e continua errando ao tentar copiar modelos europeus, que simplesmente não dão certo aqui. Estilo de arbitragem, esquema tático, função das posições em campo… boa parte da identidade nacional no futebol já foi perdida. Sacrificar essa série de fatores já expostas, para se adequar a um modelo que dá certo exclusivamente por ser coerente ao seu respectivo contexto, é ser refém do futebol europeu. Não há janela de transferências que valha a pena. Erra quem vê o futebol como algo a par da sociedade, pois o esporte representa um dos pilares da antropolia cultural brasileira. Vale ressaltar que o calendário atual está longe de ser o ideal, mas acredito que mudanças, aliás, consideráveis mudanças podem ser feitas, sem extrapolar certos limites. Radicalizar para copiar a Europa não é a solução. O futebol brasileiro é grande demais pra isso.
Ex-Flamengo, Gabigol relembrou polêmica com Tite Um dos momentos mais ‘tensos’ de Gabigol no Flamengo…
Seleção Brasileira aplicou virada sobre o Japão nos 16 avos de final da Copa do…
Seleção Brasileira venceu o Japão de virada por 2 a 1 nos 16 avos de…
Como foi o discurso de despedida de Marcelo Bielsa do Uruguai? O Uruguai não…
Quem é o próximo adversário do Brasil na Copa do Mundo? O Brasil segue…
Como foi o jogo do Brasil x Japão, pela Copa do Mundo 2026? O…
Ver comentários
nossa, só falou bosta hahah
clima: neve fica forte em dezembro e janeirona europa, não no meio do ano.
libertadores: estamos em pré temporada enquanto os outros times estão no auge do entrosamento neste período.
estaduais: já vai tarde.
modelo europeu: 7 x 1.
E daí? Nosso calendário tá mais do q certo, jogar com 50 graus é difícil.
nossa, só falou bosta hahah
clima: neve fica forte em dezembro e janeirona europa, não no meio do ano.
libertadores: estamos em pré temporada enquanto os outros times estão no auge do entrosamento neste período.
estaduais: já vai tarde.
modelo europeu: 7 x 1.
Falta modelo de patrocínios aqui no Brasil de a cbf tivesse interesse daria ajuda nesse quesito...dobre táticas a Alemanha mostrou o bom futebol com frutos de 12 anos de trabalho investindo na base e convocando jogadores que honrem a camisa ao contrário dos brasileiros que só chamam os mesmo idiotas david luis Fred Daniel Alves.
fora os prêmios das competições aí sim da condições de ter um elenco fortíssimo já aqui prêmios pequenos
A neve impera no meio do ano na Europa?!?! Tá de sacanagem ?!?!?